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14/12/2009 - 12:14

Documentário recupera a história das fabulosas Dzi Croquettes

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Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

<i>Dzi Croquettes</i>, os internacionais

Dzi Croquettes, os internacionais

 

DZI! DZI! Croquettes

, as internacionais. Este era o grito de guerra do grupo de teatro-dança, que trouxe importantes modificações para a cena artística brasileira, mas cuja importância havia sido esquecida pela nossa história. Agora, os bravos Tatiana Issa e Raphael Alvarez nos trazem este presente que é o documentário Dzi Croquettes, onde através de depoimentos dos que trabalharam com eles ou foram influenciados pela estética do grupo, além das poucas imagens em vídeo das apresentações da trupe é feito o resgate da trajetória das fabulosas Dzi.

 O Dzi Croquettes era formado pelos seguintes artistas: Lennie Dale, Wagner Ribeiro, Cláudio Tovar, Cláudio Gaya, os irmãos Rogério de Poly e Reginaldo de Poly, Bayard Tonelli, Paulo Bacellar, Benedictus Lacerda, Carlos Machado, Eloy Simões, Roberto Rodrigues e Ciro Barcelos. Essa foi a formação original do grupo. Depois, nomes como Dario Menezes, Fernando Pinto e Jorge Fernando farão parte da companhia.

Deles, estão vivos apenas Tovar, Reginaldo, Bayard, Benedictus, Ciro, Jorge e Dario. Isso foi um dos fatores que dificultou o trabalho de Tatiana e Raphael para a realização do filme, a falta de material sobre as encenações do grupo e a ausência da maior parte dos seus integrantes. No livro Ela é Carioca, o escritor Ruy Castro fala de uma maldição que aconteceu ao grupo, o fato de a maior parte dos integrantes terem morrido.

dzi-croquettesEles surgiram no período mais terrível do regime militar brasileiro, a época em que foi presidente, Emílio Garrastazu Médici. Artistas como Aderbal Freire Filho, Elke Maravilha, Norma Bengell e Ney Matogrosso falam no documentário sobre essa fase terrível da nossa história e de como a arte brasileira foi afetada após a promulgação do AI-5. E os Dzi Croquettes surgiram com a proposta de criar espetáculos musicais, onde homens musculosos se vestiam de mulher com um estranho travestimento. Os corpos apareciam envoltos em glitter, enormes cílios postiços, e purpurina, mas ao mesmo tempo, eles mantinham os pêlos expostos e faziam uma dança dura, masculina, que balançava a estrutura sexual das pessoas como lembra em depoimento ao filme, o encenador Amir Haddad.

A proposta da união “da força do macho com a graça da fêmea” (lema do grupo) acaba incomodando a censura e faz com que o grupo decida ir para a Europa. È na França que os Dzi ganham a sua madrinha Liza Minnelli, que, por sinal dá um belo depoimento ao filme. É em Paris que o cenógrafo Américo Issa (pai de Tatiana) começa a trabalhar com o grupo.

O filme, além da recuperação da história dos Dzi, é também uma bela homenagem que a cineasta faz a memória do seu pai, falecido em 2001.

 E o documentário apresenta também os relatos de artistas que foram influenciados pela estética do grupo. Cláudia Raia, Miguel Falabella e Pedro Cardoso são alguns dos que reconhecem que os Dzi Croquettes exerceram um papel fundamental na obra deles.

 Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez é um documento precioso. Trata-se de um filme fundamental para os que estudam a história do teatro brasileiro.

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Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Dança, Música e Cinema Tags: , , , , , , , , , ,

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