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10/01/2010 - 19:52

A biografia dos Reis dos Musicais

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Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Capa do livro escrito por Tania Carvalho

Capa do livro escrito por Tania Carvalho

Nos últimos anos eles foram os responsáveis pela revitalização do gênero Musical no teatro brasileiro. Espetáculos como A Noviça Rebelde, Avenida Q e 7 – O Musical entre outros, apresentaram o talento da dupla de ouro dos musicais brasileiros Charles Moeller e Claudio Botelho. Vários também foram os prêmios conquistados por essa dupla. O mais recente deles foi o Troféu Especial de Teatro dado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Teatro), em 2009.

Em homenagem ao trabalho realizado pelos dois ao longo dos últimos 20 anos e de sua importância para a história do teatro brasileiro, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo decidiu publicar o livro Os Reis dos Musicais – Charles Möeller e Claudio Botelho, escrito por Tania Carvalho a partir do depoimento deles. A obra faz parte da Coleção Aplauso – Série Especial e o lançamento acontece no dia 12 de janeiro, às 21h30, no Espaço SESC – RJ (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana), depois da estreia do novo espetáculo Versão Brasileira, em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 7 de fevereiro.

Na apresentação do livro, Tania Carvalho ressalta que a dupla revigorou um gênero quase esquecido. “Um gênero que talvez nunca tivesse sido levado tão a sério – nem pelo meio teatral nem pelo público. Hoje são responsáveis por grandes montagens reconhecidas internacionalmente. Tudo feito com muita petulância, arrogância, como gostam de dizer, e, especialmente, talento e competência. Eles são, definitivamente, os reis dos musicais”, destaca a autora.

Charles Möeller, Claudio Botelho e Cláudia Raia

Charles Möeller, Claudio Botelho e Cláudia Raia

Charles Möeller e Claudio Botelho iniciaram timidamente a parceria em 1997, mas com uma montagem que acabou virando cult no Rio de Janeiro – As Malvadas – feita com amigos no elenco, amigos na produção, gente que colocava fé nos projetos idealizados pelos dois. De lá pra cá, produziram vários espetáculos de sucesso, entre eles O Abre Alas (1998), Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava (2000), Company (2000), de Stephen Sondheim, Ópera do Malandro (2003), Tudo é Jazz (2004), Sweet Charity (2006), Sassaricando (2007), A Noviça Rebelde (2008), Gloriosa (2008), com Marília Pêra, e Avenida Q (2009). Nos últimos meses do ano passado, a dupla trabalhou na produção da minissérie Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, de Maria Adelaide Amaral, com direção de Dennis Carvalho, exibida pela TV Globo entre os dias 4 e 8 de Janeiro de 2010.

Os dois formam uma dupla afinada, cujo diapasão é a diferença. Charles é de Santos e, segundo Tania Carvalho, é “mais solar, menino de praia, apaixonado pelo que faz, passional, engraçado, sofredor quando algo não dá certo, que conta sua vida com detalhes histriônicos e dramáticos deliciosos. Como ele mesmo diz, tem certa vocação para ser a alegria da festa”.

Charles Möeller estreou no teatro muito jovem, na peça O Noviço, com o grupo de Neyde Veneziano, em Santos; rompeu as fronteiras da cidade; protagonizou novela, fez muitos clássicos, como A Gaivota, até encontrar seu norte: os musicais. Entrou no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) para ser ator e trabalhar com Antunes Filho, mas saiu de lá cenógrafo e figurinista depois que conheceu o mestre J. C. Serroni.

“Entrei no CPT acreditando. E, curioso, enquanto acreditei só apanhei. Eu havia me aproximado do J.C. Serroni que era cenógrafo do grupo e precisava de assistente. Como tinha dois anos de arquitetura, comecei a trabalhar com ele, meu tempo lá dentro dobrou, mas eu achava que valia a pena, pois começava a me aproximar da companhia principal. Além do trabalho no CPT, Serroni passou a me chamar também para outras produções. E aí o teatro se tornou finalmente profissional para mim”, conta Charles.

Mineiro de Uberlândia, Cláudio é mais contido. Sua paixão é e sempre será a música – quer seja de Roberto Carlos, o único artista que conhecia quando morava em Uberlândia; Chico Buarque, que mudou sua vida; ou dos grandes compositores de musicais: Cole Porter, Gershwin, Sondheim, Rodgers e Hammerstein, Kander e Ebb, entre tantos outros que despertaram uma paixão quase obsessiva.

“Cláudio começou como músico e logo o teatro levou-o a ser ator. Hoje une as duas coisas: é compositor premiado, versionista aclamado e ator consagrado, embora bissexto”, ironiza Tania.

De fato, a música sempre esteve presente na vida de Claudio Botelho. “Uma das primeiras palavras que falei foi ‘rádio’. Eu adorava ouvir rádio e ficava louco quando via a banda passar na minha rua. Minha infância foi muito ligada à música. Minha avó Raúla, mãe de minha mãe, era violinista e chegou a tocar em cinemas na época em que as sessões tinham música ao vivo. Meu avô Nenê, pai de meu pai, tocava acordeom. Com certeza, os genes me ajudaram. Teatro? Eu nem sabia que existia”, revela Botelho.

Os dois têm muitos pontos em comum, mas o que mais aproxima a dupla é a paixão por musicais – embora um confesse que o que mais o interessa é a possibilidade do enredo; o outro, garante, ser a paixão pelo compositor e pela música.

É nesse jogo de semelhanças e diferenças que os dois crescem e produzem cada vez com mais competência. E prazer, fundamental para ambos. Suas opiniões são complementares, quase nunca díspares. Por isso mesmo há a proposta de um jogo neste livro. Nos primeiros depoimentos estão identificadas as opiniões de um e de outro. A partir do momento em que falam da dupla, esta identificação quase desaparece, ficando apenas com um sutil detalhe – um negrito para as declarações de um dos dois.

“Garanto, porém, que é possível saber exatamente quem é quem nesta dupla de talento, o que cada um faz, mas também o quanto eles se misturam em busca do que já uma grife de qualidade: um espetáculo Charles Möeller & Claudio Botelho, como assinam todas as suas montagens”, diz Tania Carvalho. Além de histórias e imagens de todos os espetáculos produzidos por eles, o livro traz fotos de família, da infância e da juventude dos dois.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Matérias Tags: , , , , , , , ,

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2 comentários para “A biografia dos Reis dos Musicais”

  1. Virgínia Carvalho disse:

    Claudio Botelho, você é o máximo. Tenho a maior admiração por voce.
    Um grande abraço, muita sorte e sucesso.
    Virgínia Carvalho

Os comentários do texto estão encerrados.

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