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19/05/2010 - 14:35

Ultrapassados ou não?

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Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

O ator Celso Frateschi comemora 40 anos de carreira no monólogo "O Grande Inquisidor"

Alguns espectadores que saem do Teatro Bibi Ferreira discutem se A Dança Final está ultrapassada ou não. Tudo por conta do Viagra. Em primeiro lugar a peça em cartaz no momento, com as maravilhosas interpretações de Denise Weinberg e Norival Rizzo, foi escrita por Plínio Marcos em 1993 e re-escrita em 2002, para a primeira montagem dirigida por Kiko Jaez, onde se incluía o Viagra que o protagonista não podia tomar.

O espetáculo atual se baseia no texto de 1993 e não inclui o medicamento propositadamente, pois menciona que alguém do mesmo prédio não podia tomá-lo por ser diabético.

Denise Weinberg e Norival Rizzo

Nunca li o texto original, só o vi nas duas encenações, sempre brilhantes, como tudo que o autor escreveu. A peça montada com Nuno Leal Maia, no papel principal, tinha uma evolução dramática que envolvia a platéia. A atual não tem. E, nesse aspecto foi modernizada e transformada num teatro pós-dramático.

Além disso, conta com belos figurinos de Leopoldo Pacheco, ótima iluminação de Wagner Freire e trilha como sempre irretocável de Aline Meyer.

Sem dúvidas merece ser vista. Há quem prefira a primeira montagem, mas ambas são ótimas. De todo modo é um Plínio. Tem que ver.

Essa questão de ultrapassado ou não, é coisa de pouquíssimo antes do século 20. Como é sabido, só no fim do 19, com a invenção da eletricidade, o espetáculo teatral passou a ter maior importância do que o texto escrito. E, alterar algo que o autor escreveu, deixou de ser uma atitude iconoclasta. Hoje, pode-se cortar ou ampliar qualquer texto se parecer necessário.

É o que eu  gostaria que tivessem feito em O Grande Inquisidor, mas tenho que reconhecer que mexer em Dostoievski, talvez fosse excesso de ousadia.

A peça transforma em monólogo teatral um trecho que consta do livro Os Irmãos Karamazov. Um Inquisidor – ninguém menos do que Celso Frateschi – questiona Cristo (ótima participação de Mauro Schames) sobre aspectos inaceitáveis no mundo criado por ele. Hoje, teríamos mais questões irrespondíveis para colocar no diálogo, que, apesar de não estar mais atualizado, toca em pontos fundamentais.

O espetáculo singelo, conta com a direção certeira de Rubens Rusche, cenários e figurinos adequados de Sylvia Moreira e iluminação impecável também de Wagner Freire.

Quem gosta de textos instigantes com atores nota dez não pode perder nenhum dos dois.

A Dança Final (70 minutos)

Classificação Etária: 14 anos

Gênero: Comédia

Teatro Bibi Ferreira(300 lugares)

Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 931 – Bela Vista

Bilheteria: de terça a domingo, a partir das 15h. Aceita cheque e somente

cartão de débito visa.

Informações: (11) 3105-3129

Sextas e Sábados, às 21h30. Domingo, às 20h

Preço: Sexta e Domingo, R$ 40. Sábado, R$ 60

Vendas pela internet: www.ingressorapido.com

Por telefone: 4003-1212

Temporada até 27 de junho

O Grande Inquisidor – Teatro Ágora (Sala Giani Ratto). Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista. Telefone – 11 3284-0290. Bilheteria – de segunda a domingo das 14 às 20 horas. Não aceita cartão. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficientes físicos. Temporada: sexta e sábado, 21h30, domingo 20h. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00. Duração – 55 minutos. Até 27 de junho.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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1 comentário para “Ultrapassados ou não?”

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