Publicidade

Publicidade
23/06/2010 - 16:12

A guerra como um manifesto

Compartilhe: Twitter

"Guerra", espetáculo italiano funde dança e teatro

Espetáculo dirigido por Pippo Delbono traz momentos de crueza e poesia

Célia Musilli, da Imprensa FILO – Festival Internacional de Londrina 2010

Quando o espetáculo Guerra, dirigido por Pippo Delbono, chegou ao Brasil, muita gente se referiu a ele como uma adaptação livre d “Odisseia, de Homero. Em Londrina, participando do FILO 2010, o diretor italiano esclareceu que a referência ao texto de Homero é mínima, apenas uma frase, e que a montagem se refere sim aos mitos, “mas não aos grandes mitos, aos pequenos.”
Guerra, segundo o diretor, trata dos conflitos humanos, fazendo uma colagem de histórias autobiográficas ou que se relacionam às vidas de alguns atores da companhia. Mais do que tudo, ele disse que se trata de uma abordagem sobre “a esquizofrenia do mundo e as guerras que se processam dentro de cada um, individualmente.”

"Guerra" - Pippo Delbono - Credito Jean-Louis Fernandez

O espetáculo, encenado pela companhia que leva o nome de Delbono, não traz uma história linear, mas quadros que se interligam, abordando a loucura, a enfermidade e, principalmente, a intolerância.

Na montagem – definida como “um conto coreográfico” – cenas violentas se intercalam com momentos poéticos. Delbono explica que a poesia consiste em revelar ao público coisas que usualmente não são vistas, mas que fazem parte do cotidiano.

Ele afirma que as frases desta partitura poética formam “um discurso cubista e contemporâneo, criando uma composição distinta” do que se vê no teatro formal.

Guerra traz a dança e o teatro numa fusão de linguagens que Delbono aperfeiçoou depois de trabalhar com a coreógrafa alemã Pina Bausch. Também traz influências do teatro oriental com o qual ele teve contato quando participou, na Dinamarca , de um trabalho com o grupo Farfa, dirigido pela atriz Iben Nagel Rasmunssen, do Odin Teatret.

Sobretudo, Guerra traz uma linguagem original que se integra ao trabalho de atores portadores de deficiências físicas e mentais que trabalham o tema da intolerância, sempre presente nas montagens de Delbono, para quem a violência mostrada no espetáculo não é gratuita, mas um contraponto importante para reconciliação com a harmonia.

“A violência – diz ele – faz parte de nós.”

O sentido do grotesco
Os personagens, que inicialmente apresentam-se como pessoas “normais”, às vezes assumem comportamentos grotescos que dão ao espetáculo o tom cubista citado pelo diretor.

Guerra conta com a atuação do próprio Delbono citando textos de Buda, além de fragmentos de Brecht, Primo Levi, a Bíblia, Pasolini e Charlie Chaplin, entre outros.

Pippo Delbono

O espetáculo traz músicas e ruídos que se misturam às vozes e gritos dos atores, percorrendo também “a música do silêncio.”

Para Delbono, a arte é importante quando aponta um caminho para a felicidade, mas não pode ignorar a violência “que faz parte de nosso momento histórico.”

Neste sentido, Guerra não deixa de ser um manifesto da condição humana na contemporaneidade, sofrendo o baque da agressão e do descaso, num mundo dividido entre ricos e pobres. É também um manifesto radical pela aceitação das diferenças que não coloca no palco “atores e bailarinos típicos”, segundo seu diretor, mas intérpretes diferentes, com rostos e corpos distintos, imprimindo uma energia diferenciada a um trabalho de reflexão e denúncia.

Delbono, além de trabalhar no teatro, fez algumas inserções no cinema como ator e diretor. Um de seus trabalhos é o documentário Guerra filmado quando a companhia fez uma turnê do espetáculo em Israel e na Palestina.

Além das apresentações do grupo no teatro, o documentário registra cenas de rua. Em 2004, o documentário ganhou o prêmio David di Donatello de melhor longa-metragem.

Em setembro, Delbono volta ao Brasil para fazer outro filme, uma co-produção ítalo-brasileira que será realizada na Bahia, fazendo referências históricas e ao candomblé.

Célia Musilli/ Assessoria de Imprensa FILO

Saiba mais: http://www.pippodelbono.it

Ingressos: Disponíveis
Dias : 23 de junho
Local: Teatro Ouro verde
Horário: às 20h30
Duração: 80 minutos
Classificação: Teatro – texto em italiano, com legenda em português
Faixa Etária: Adulto – 14 anos

Ficha Técnica:
Direção: Pippo Delbono
Elenco: Gianluca Ballarè, Raffaella Banchelli, Bobò, Giovanni Briano, Piero Corso, Armando Cozzuto, Pippo Delbono, Lucia Della Ferrera, Ilaria Distante, Gustavo Giacosa, Simone Goggiano, Cesare Grossi, Mario Intruglio, Tomaso Olivari, Pepe Robledo.

Serviço:
FILO 2010 – Festival Internacional de Londrina – De 10 a 27 de junho
Realização: Àmen (Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná) e Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Patrocínio: Petrobras, Prefeitura de Londrina, FUNARTE, Caixa Econômica Federal, Copel/Governo do Estado do Paraná, Governo Federal – Ministério do Turismo, Ministério da Cultura / Lei de Incentivo à Cultura
Ingressos: À venda no Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310) – ponto exclusivo. Bilheteria: (43) 3344-6197
Informações: (43) 3324-9202

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Matérias Tags: , , , , , , , ,

Ver todas as notas

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo