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20/10/2010 - 17:50

Pagu sai dos escombros

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Pagu: uma mulher bem à frente de seu tempo

Crítica da peça “Dos Escombros de Pagu”, de Michel Fernandes, escrita especialmente para o jornal Diário de São Paulo

Publicada na edição impressa de domingo (18)

Cem anos de Pagu. Sim, mas quem é Pagu? Não, não participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Eterna vanguardista, quebrou tabus sociais e sexistas, crítica teatral e literária participou do Movimento Antropofágico, do qual foi musa, militou no Partido Comunista etc. Contudo, demorou cem anos para que seu nome, efetivamente, saísse do limbo dos achismos e exalasse o perfume da liberdade que seguiu com veemencia, mesmo que para isso pagasse alto preço do desprezo sócio-político. Pagu ressurge no solo “Dos Escombros de Pagu” que está em cartas às quartas e quintas no Teatro Eva Herz.

Tereza Freire adaptou a própria dissertação de mestrado sobre Patrícia Galvão, a Pagu, mas não há rastro de academicismo. A linguagem narrativa coloca Pagu (em excelente composição de Renata Zanetha) a recordar fatos marcantes de sua vida – sua adolescência incomum (fumava, relacionou-se, inclusive sexualmente, com um homem mais velho e casado.); sua ligação com o Movimento Antropofágico criado por Oswald de Andrade, com quem se casou e foi mãe de Rudá, seu primeiro filho; sua militância que a levou a distanciar-se do crescimento de Rudá; sua decepção com a militância política; o retorno à vida doméstica participando, mais ativamente, da criação de Geraldo Galvão Ferraz, seu filho com Geraldo Ferraz (seu segundo marido), e à Santos onde é destacável sua ajuda aos grupos teatrais amadores.

Roberto Lage, quem assina a direção e a produção do espetáculo, valorizou a contenção em lugar de invencionices de encenação. Acerta, inclusive, na escolha do Teatro Eva Herz, com seus 166 lugares, dando o desejável toque intimista ao espetáculo.

O cenário (Heron Medeiros), figurino (Gilda Bandeira de Mello), trilha sonora (Aline Meyer) e iluminação (Wagner Freire) são, também, sustentado pela discrição, dando a dicotomia da sofistificação versus simplicidade, marcas da vida da personagem.

O monólogo "Dos Escombros de Pagu" celebra o centenário de Patrícia Galvão

A força de “Dos Escombros de Pagu”, no entanto, repousa no domínio de seus instrumentos – dicção, ritmo, expressividade corporal – da atriz Renata Zanetha, dona de indubitável carisma.

Um dos pontos mais interessantes da trama está no momento em que Pagu questiona se os sacrifícios a que se submeteu pela “causa” (Partido Comunista) valeram à pena.

Creio ser importante refletir sobre o quanto somos fundamentalistas em defender quaisquer posturas política que, mesmo parecendo ser sólidas, desmancham-se no ar.

“Dos Escombros de Pagu”

Teatro Eva Herz (166 lugares)

Avenida Paulista, 2.073 – Conjunto Nacional/ Livraria Cultura

Informações: (11) 3170-4059 –www.teatroevaherz.com.br

Bilheteria: Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque.

Vendas pela internet: www.ingresso.com

Vendas por telefone: 4003-2330

Quarta e quinta, às 21h

Ingressos: R$ 30

Duração: 70 minutos

Gênero: Drama

Classificação Etária: 14 anos

Temporada: até 18 de novembro

Autor: - Categoria(s): Críticas Tags: , , , , , , ,

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2 comentários para “Pagu sai dos escombros”

  1. […] Temporada: até 18 de novembro View full post on Aplauso Brasil […]

  2. […] Pagu sai dos escombros Autor: michelfernandes – Categoria(s): Colaboradores, Críticas, Matérias Tags: de, do, dos, escombros, eva, favo, freire, herz, lage, mellone, pagu, renata, roberto, teatro, tereza, zanetha […]

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