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26/10/2010 - 17:28

Peça traz duelos poéticos em encenação despojada

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Crítica de “Nada de Dois – Seis Duelos Verbais” por Michel Fernandes, especial para o jornal Diário de São Paulo publicado na edição impressa de 25/ 10/2010

"Nada de Dois", de Pedro Mexia e direção de Freed Mesquita

“Nada de Dois – Seis Duelos Verbais” conjuga duas interessantes figuras estreantes em palcos paulistanos: o autor português Pedro Mexia (inédito no país) e o diretor Freed Mesquita (este participou, como ator, de peças dirigidas por Antunes Filho). A peça faz temporada até 9 de novembro na sala Beta do SESC Consolação, às segundas e terças-feiras, 21h.

A cada sessão são sorteadas três cenas que compõem a representação da noite, estabelecendo-se um jogo. Atores, diretores e público selam o pacto da teatralidade, do sim e do não, do real que se afirma convenção e abre espaço para a poesia.

Em formato de cenas isoladas, como se fossem seis peças curtas, mas, ao mesmo tempo, seqüenciais sobre o começo, as crises e o fim do relacionamento entre o casal Joana e Vasco, “Nada de Dois” vai além da discussão da relação. Pedro Mexia tece uma rede poética, com sentidos plurais, em que as intenções estão entrelaçadas ao subtexto das personagens. Como em Tchekhov, importa mais a atmosfera criada pelos diálogos que a visão simplista dos mesmos.

"Nada de Dois", de Pedro Mexia e direção de Freed Mesquita

Freed Mesquita, em direção talentosa, cria um discurso cênico eficiente que evidencia os mecanismos internos do espetáculo – os atores se trocam às vistas do público, manipulam os objetos básicos que dão a ambientação da cena e antecipam o que acontecerá nela 0,

por meio de breves explicações – situando o público em relação às  a cenas não sorteadas. Sentimos estar revivendo as primeiras edições do “Prêt-à-Porter”, com a diferença da marca da direção de Freed, enquanto o outro é mais atoral, ou seja, de autoria do intérprete.

Messias Carvalho interpreta Vasco, um homem inseguro e politicamente correto, com desenvoltura e vigor; já a atriz Mirela Pizani dá vida à Joana, uma personagem tão interessante quanto a existencialista Simone de Beauvoir, com talento superlativo e a exuberância exigida pelo papel.

Nesses gélidos dias em que as relações colocam as pessoas em dois blocos maciços e opostos, sempre é bem-vindo um maçarico a aquecer reflexões, ainda mais quando há o caloroso toque poético.

SERVIÇO:

Sesc Consolação

Endereço:Rua Doutor Vila Nova, 245
Tel.:(11)  3234-3000

Quando:(Seg e Ter) às 21h00. Bilheteria: 12h00 às 22h00 (segunda a sábado); 12h00 às 19h00 (domingo). Ingressos também no CineSesc e nas demais unidades do Sesc. De 04/10 a 09/11.

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