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11/11/2010 - 17:37

Montagem inédita coloca romance de Albert Camus em cena

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Guilherme Leme apresenta adaptação de "O Estrangeiro", de Camus

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Guilherme Leme é o protagonista do monólogo “O Estrangeiro” e divide a direção com Vera Holtz

Com inúmeras atrações na cidade, como a Bienal Internacional de Artes, a Mostra Internacional de Cinema, o Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, além de filmes concorridos em cartaz (“Tropa de Elite 2”, por exemplo), o público paulistano não pode deixar de assistir, no Teatro Eva Herz, à inédita montagem do clássico romance francês “O Estrangeiro”, de Albert Camus, com Guilherme Leme, que divide a direção com Vera Holtz e é o protagonista da peça.

Com uma linguagem direta, Meursault, um funcionário discreto que vive na cidade de Argel nos anos 1940, narra sua trajetória de vida com objetividade. Numa cadeira giratória, o ator está de camiseta e cueca brancas e à medida que relata sua experiência vai se vestindo. Aos poucos o espectador entende que ele vivia com a mãe e por necessidade precisou colocá-la no asilo.

Ao saber de sua morte, Meursault vai ao enterro e a partir daí sua vida se transforma. O próprio autor afirma que todo o “homem que não chora no enterro da mãe corre o risco de ser condenado à morte”. E o personagem, para Camus, não joga o jogo, é estrangeiro à sociedade em que vive.

Foto de André Gardenberg para "O Estrangeiro"

Em seguida ao enterro da mãe, é envolvido num crime e levado a julgamento. É condenado muito mais pelo fato de não ter chorado a perda da mãe do que propriamente pelo crime de assassinato.

O essencial do personagem é exatamente isso: não mente sobre seus sentimentos, não mascara suas emoções. No tribunal isso o leva à pena capital: “a sociedade se sente ameaçada”, como afirma o autor.
Transpor para o teatro um romance já é uma tarefa árdua; quando se trata de um clássico como “O Estrangeiro”, isso requer ainda mais responsabilidade. Mas o trabalho de adaptação de Morten Kirkskov e a tradução de Liane Lazoski são primorosos.

Quem desconhece a história, consegue, assistindo a montagem, debruçar-se sobre esta obra de Camus.

Destaques ainda para a sutileza da cenografia de Aurora dos Campos e a iluminação precisa de Maneco Quinderé.

No entanto, os maiores méritos ficam mesmo para Guilherme Leme. O ator modula sua voz e não só diferencia os demais personagens da narrativa (o diretor e o guarda do asilo, o promotor e seu advogado, a amada e o amigo) como mostra os diversos sentimentos de Meursault, da apatia e perplexidade diante das circunstâncias à euforia diante do mar, das estrelas e da amada. O paradoxal do personagem é escancarado com a performance de Leme, que vive sem dúvida um grande momento da carreira. E o brilho de sua atuação só é evidenciado graças à generosa direção da amiga Vera Holtz.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , ,

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3 comentários para “Montagem inédita coloca romance de Albert Camus em cena”

  1. Michel:
    Que alegria poder colaborar
    e participar do Aplauso Brasil!
    Obrigado pela
    oportunidade e que nossa parceria
    seja cada vez mais intensa e profícua!
    ab
    Maurício

  2. Rodolfo Alex disse:

    texto maravilhoso! vale a pena mesmo conferir e não esquecendo que é a ultima semana!!! então é melhor correr e garantir seu assento! a atuação do Guilherme é magnifica!
    todos os envolvidos no projeto estão de parabens!

Os comentários do texto estão encerrados.

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