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24/11/2010 - 05:25

Relação entre arte e cidade protagoniza II Encontro de Teatro de Mauá

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Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Com o patrocínio da Petrobrás, apoio do SESC São Caetano e co-realização da Prefeitura Municipal de

Luís Melo encabeça elenco de "RockAntigona"

Mauá, de hoje até domingo (28), a cidade de Mauá convida sua comunidade, bem como os amantes das artes da região do ABCD Paulista e da capital para o II Encontro de Teatro de Mauá. A programação (CLIQUE AQUI para ver) primorosa, as atividades formativas e o nicho de empreendimento, as relações entre arte e cidade, são protagonistas desse Encontro, cujas atividades são gratuitas.

Também como “diferencial” desta para a edição de 2009 está “o recorte principal: o teatro para além do lugar comum”, afirma o ator, diretor e dramaturgo, Caio Evangelista, Coordenador de Cultura de Mauá.

A proposta, ousada e instigante, é imergir durante esses cinco dias em reflexões sobre como a sociedade pode dialogar com o

Elias Andreato apresenta seu premiado solo, "Doido"

teatro, bem como este pode dialogar com áreas outrora inimaginadas.

“A cidade é o palco expresso, por isso o título dado ao Encontro: integral e plural. Partimos da ideia de que o teatro deveria dialogar com as demais linguagens artísticas. Assim, a dança, a literatura, as artes visuais e a música farão parte do II Encontro de Teatro. Desse modo, também, promovemos maior discussão no sentido de Cidade/cidadania e sua políticas culturais (É o legado de Heleny Guariba)”, fala Caio, cuja dissertação de mestrado fala sobre Heleny Guariba, artista-militante desaparecida pela Ditadura.

A escolha dos espetáculos que compõem o encontro também segue a premissa arteXcidadão e “trazem em seus textos,

Caio Evangelista, Coordenador de Cultura de Mauá

encenação ou no modo de fazer um gesto para o qual e pelo qual podemos contemplar e refletir o teatro. Por exemplo, a encenação de “RockAntigona”, com o Luis Melo, revisita um clássico que debate a função do Estado, os direitos da cidadania meio a uma trilha sonora e visualidade muito próximos do mundo em que vivemos, também Os Satyros põem em discussão os rumos da encenação moderna do teatro contemporâneo”, diz.

Caio destaca ainda o trabalho “exemplar” dos atores Elias

Pagu: uma mulher bem à frente de seu tempo

Andreato e Renata Zanetha que apresentam, respectivamente, “Doido” e “Dos Escombros de Pagu”, neste II Encontro de Teatro de Mauá.

Pelas ruas de Mauá

Na busca pela integração absoluta entre os cidadãos de Mauá e o município em si, a vasta programação de teatro de rua há “espetáculos próximos da população de Mauá, cheia de migrantes nordestinos e mineiros, com o trabalho diferenciado de As Graças, Buraco d´Oráculo, Rosa dos Ventos, Trupe Sinhá Zózima e Cia. Grite. Cada uma delas, traz um tema que diz respeito ao dia a dia dos trabalhadores de uma cidade suburbana como Mauá”, argumenta Caio.

O Espelho Formativo

Se há na base do Encontro de Teatro de Mauá, um tripé em que estão as relações entre as artes e a cidade; a disseminação das ideias da multiplicinariedade do teatro; a terceira coluna

do tripé é a educativa: com debates sobre diversos temas ligados às artes cênicas fomentando a formação dos artistas de Mauá;.

“Acredito que, a partir dessas referências convidadas para discussões em mesas temáticas com Luis Alberto de Abreu, Celso Frateschi e A Brava Cia., mediados por Reynuncio Napoleão de Lima, que seguramente fará links importantes com sua experiência como docente, pesquisador e artista”, completa Caio.

Depois de 2009

A primeira experiência do Encontro de Teatro de Mauá, realizada em 2009, segundo Caio “serviu para acumularmos muita experiência, que pode ser estendida aos funcionários, técnicos e grupos da cidade que, quando não se sentem preparados a apresentar espetáculos de forma geral,

Trupe Sinhá Zózima "O Poeta e o Cavaleiro", direção de Alexandre Lindo. Foto: Adalberto Lima

apresentam performances, além de já olhar para além do palco comum. Assim foi o Apolo, cujo local da encenação será revelado na hora, e a Cia. Quartum Crescente que decidiu-se pela rua. Vejo como um ganho essas experiências, a exemplo de outras que acompanham a descentralização nesse ano, a popularização necessária e a integração de projetos como Oficinas culturais, artistas do quartas intenções, ambos projetos que movimentam a cultura na cidade, além dos equipamentos”.

As apresentações em bairros periféricos de Mauá são relevados por Caio.

“Isso garante o acesso aos moradores de bairros emergentes. Essa elitização de Festivais Brasil à fora é uma ameaça para a diminuição de público. Sabemos o que dá certo a partir do perfil da população, perguntando, discutindo com a comunidade local e garantindo referenciais no mostrar, no refletir e no debater. Avançamos muito e conseguimos envolver mais gente, tornando o Encontro definitivo como projeto, como proposta em mudar o perfil cultural da cidade. Entendi, sobretudo, que se faz o Festival sob a ótica da população e não apenas pelo olhar artístico. Há que se ver o cidadão comum, a cidade, o entorno, a história”, finaliza.

Confira programação completa CLICANDO AQUI.

*Michel Fernandes é jornalista convidado pela Coordenadoria de Cultura de Mauá

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