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04/04/2011 - 19:39

Riso certeiro em Os 39 Degraus

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)  

 

Convenções teatrais são assumidas em "Os 39 Degraus"

 

Uma pitada de suspense, condimentos a potencializar a expressividade teatral, elenco temperado com o mais fino humor: eis os ingredientes que tornam a comédia Os 39 Degraus pedido saboroso para seu cardápio no Festival de Curitiba. 

Segundo contou o ator Dan Stulbach, “o espetáculo é uma grande homenagem ao teatro e para isso utilizamos diferentes linguagens teatrais como o clown, mímica, teatro de sombras, entre outros” e traz à cena a visão cômica do clássico do suspense Os 39 Degraus, de Alfred Hitchcock, adaptado pelo autor britânico Patrick Barlow. 

A montagem brasileira estreou São Paulo e Caiu nas graças de critica e publico, inclusive tendo que aumentar os dias de apresentação. 

“Todo esse sucesso e reflexo do prazer dos atores em representar o espetáculo, afinal o teatro e dos atores’’, conclui o diretor Reinecke 

LEIA ABAIXO CÓPIA DA CRÍTICA DO ESPETÁCULO DURANTE  TEMPORADA PAULISTANA. 

Hitchcock sobe os degraus da comédia burlesca 

 
 

  

  

"Os 39 Degraus", de Patrick Barlow

 

Crítica publicada na edição impressa do jornal Diário de São Paulo do dia 17 e janeiro de 2011 

Clássico do mestre do suspense, Alfred Hitchcock, o filme “Os 39 Degraus” (1935) recebeu versão burlesca que arrebatou diversos prêmios em sua estreia londrina, do ator e autor inglês Patrick Barlow, logo chegando à Broadway (Nova Iorque). Em cartaz pela primeira vez no Brasil, a peça é um fenômeno de público.  

A receita do sucesso é simples: um diretor que consegue extrair toda a teatralidade exigida pelo texto de Barlow – como o teatro de sombras, as gags que remontam ao singelo palhaço circense, entre outros recursos – e um elenco afiado que nem parece se cansar com as diversas trocas de personagens e com o ritmo frenético, condição imprescindível para que a engrenagem do espetáculo faça do público parte viva da representação. 

Seguindo a mesma trama do filme de Hitchcok, “Os 39 Degraus” narra a saga de Richard Hannay (Dan Stulbach estreando na comédia com talento e inteligência que lhe são característicos), típico sedutor bon-vivant, que conhece Annabela Schmit (Fabiana Gugli, em deliciosa concepção), uma agente secreta que é assassinada durante a noite que passa no apartamento de Hannay. O crime é o estopim para que Richard seja indiciado pela morte de Annabela e fuja da polícia. 

Seguindo pistas deixadas por Schmit, Richard Hannay toma o trem rumo à Escócia. Começa, então, a viver uma série de aventuras em que cruza as mais de 30 personagens, femininos e masculinos, vividos pelos atores Danton Mello e Henrique Stroeter, com fôlego e talento indiscutíveis, além de Pámela e Margaret, vividas por Fabiana Gugli. Já na cena introdutória do trem, quando uma miniatura de trem elétrico cruza a cena, o contrato com o público é estabelecido e a convenção torna-se aliada à verossimilhança. 

No vai-e-vem de trocas de papeis, Reinecke conduziu toda a cena para evidenciar o jogo das convenções teatrais. Os truques e soluções para os diferentes ambientes e espaços em que se passa a peça estão à mostra do público, doravante peça-chave no tabuleiro lúdico que é “Os 39 Degraus”. 

Para diferenciar os inúmeros personagens da peça, os atores contam com mudanças dos registros vocais, corporais, além de frenéticas mudanças de figurinos (do extremamente competente Cássio Brasil), ou de simples assessórios. 

A cenografia (última criada por Cyro Del Nero) é de simplicidade e funcionalidade que torna a proposta ainda mais interessante e, aliada à luz de Paulo César Medeiros,  

alcança efeitos surpreendentes. 

A bailarina e coreógrafa Carol Mariottini, quem assina a direção coreográfica e a assistência de direção, é responsável pela limpeza gestual que lubrifica a engrenagem que faz com que “Os 39 Degraus” atinja a qualidade e a elegância dessa comédia burlesca. 

Por fim, a trilha sonora, assinada por Daniel Maia, um compêndio de trilhas das películas do mestre do suspense, dão o clima de exagero do suspense que, inevitavelmente, causa riso. 

Essa peça se apresenta no Festival de Curitiba nos dias 5 e 6 de Abril ás 21H no Teatro Guaira. 

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas Tags: , , , , , ,

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