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Arquivo de abril 8th, 2011

08/04/2011 - 03:27

Uma tragédia essencial

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Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Uma das mais acentuadas diferenças entre drama e tragédia é que, na última, o herói avança seu percurso até atingir o reconhecimento. Talvez Édipo, de Sófocles, seja modelar em sua essência, já que o mote da trama é, justamente, o processo de reconhecimento do causador da peste que aflige o povo tebano.

A história já é conhecida pela maior parte do público, o orgulho do protagonista de Édipo não escapa da fúria dos deuses e, em lugar dos louros colhidos ao decifrar o segredo da Esfinge, é assolado por uma manobra do Destino que lhe retira o trono e a paz, sobrando somente o pesado fardo que o oráculo já previra.

O que torna Édipo uma tragédia essencial,  em diversos âmbitos, é a simplicidade como é contada. Enxuta, elegante, num registro de interpretação em que se prioriza o entendimento de cada sílaba do texto bem como sua emissão, a tragédia de Sófocles mostra sua força popular.

É com extremo prazer que fruímos atores do naipe de Elias Andreato (quem assina, também, a direção do espetáculo), Claudio Fontana, Tânia Bondezan, Romis Ferreira, Daniel Maia, Nilton Bicudo e Clóvys Torres.

Nova pérola no tesouro que marca a carreira desses artistas. A peça será apresentada às 21h de hoje, no Teatro Paiol.

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Curitiba

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08/04/2011 - 02:31

Peça-instalação apresenta poéticos retratos do cotidiano

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Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

 
 
 

Elenco de "Estilhaços"

Um singelo retrato do cotidiano é a proposta do espetáculo-instalação, Estilhaços, escrito e dirigido por Eduardo Wotzik, que um núcleo de investigação teatral carioca – formado por Analu Prestes, Clarice Derziê, Marcos França e Ricardo Kosovski – trouxe ao 20º Festival de Curitiba. Fragmentos de histórias que são comuns a qualquer um dos 90 espectadores que se acomodam sobre cubos brancos iluminados internamente, dispostos na imensa estrutura retangular, também branca e iluminada, com um fio de luz azul a envolver, tornam tais sementes reflexivas apontadas pelos textos gotas a exalar poesia.

O efeito prazeroso obtido segue o jogo teatral básico mais simples e desejável na relação entre o público e o espetáculo, ou seja, ao estar ciente do que se diz e de como dizer – destaquemos a excelente preparação vocal assinada por Jackie Hecker – , os atores alcançam a valorização das palavras de forma que todos possam pactuar do mesmo sentido.

Seguindo a escolha da valorização do essencial, Estilhaços acerta na opção pela neutralidade dos figurinos (Tatiana Brescia) e iluminação (Paulo César Medeiros), sendo a cenografia (a instalação de José Dias) parte determinante do texto cênico.

Certamente, o público paulistano – maior leitor do Aplauso Brasil – vai se deliciar com o enxuto espetáculo. Vamos torcer pra breve concretização disso!

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Curitiba

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