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15/04/2011 - 19:08

Um curioso passeio pelo grotesco no Teatro N.Ex.T.

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Elenco fixo do II Festival de Teatro Grotesco do N.Ex.T.

Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

                                                      Preliminares

Antonio  Rocco nunca deixa de nos surpreender, suprindo sempre o seu descontraído N.Ex.T.,  um pequeno teatro dentro de um bar-cabaré, com comédias próprias de nuances surrealistas, como convém, aliás, a toda comédia (ou piada) que se preza como tal. Rocco é o idealizador do II  Festival do Teatro Grotesco, em seguimento até 30 de abril, de 5ª a sábado, cada noite com 2 peças diferentes somando 70 minutos. Neste ano, Rocco está tendo um merecido apoio da imprensa de maior porte, pelo inusitado da iniciativa, certamente.

Confessamos que num primeiro momento  nos questionamos diante da designação  “teatro grotesco”, temendo comer “gato por lebre”. Não existe – pesquisamos – gênero, corrente estética ou movimento veiculado como tal desde o Renascimento (classicismo). Assim aconteceu ,  sucessivamente, com o Romantismo (este com bases transgressoras ao Belo cultivado até então, elegendo o Feio como meta estética), o Impressionismo (pulando o Naturalismo e o Realismo, de diferentes propósitos), o Expressionismo e o  Simbolismo. Outras correntes dos inícios do século 20, entre as quais o Surrealismo, traziam em seu bojo tintas do grotesco em suas manifestações.

Numa natural simbiose, os gêneros foram se amalgamando com outras novidades estéticas no decorrer do século: o teatro político, o social, o épico (Brecht, sobretudo) e o Teatro do Absurdo com sua radical negação do sentido da vida. O grotesco estava senão escancarado, aqui e ali, presente no cotidiano real à espera da ficção.

Voltando lá em cima e à nossa desconfiança:  Antonio Rocco sabia , porém, disso tudo  explicando no release do projeto  “de que maneira o grotesco pode ser tratado pelos diferentes gêneros teatrais”. Foi o que deve ter prescrito aos seus dramaturgos convidados (Otavio Frias Filho, Chico de Assis, Sérgio Roveri, Mário Viana e a dupla Alexandre Machado – Fernanda Young) respeitando a visão de cada um, resultando em um desfile muito curioso do que poderíamos chamar –parafraseando Molière – de  meia dúzia de “preciosas ridículas”, ao sintetizar o surreal e o bizarro que pontuam as artes e o cotidiano.

Para diretores artísticos, além dele próprio, chamou o jovem Marco Loureiro, da geração Praça Roosevelt, e Mauricio Paroni de Castro. Também acertou no bem preparado elenco fixo, que se revezou nas peças,  no cenário e no figurino  de Cássio Brasil e demais figuras da equipe  técnica.

Vamos às duas primeiras peças (na ordem em que as vimos), não sem antes sugerir ao Rocco a denominação …FESTIVAL DO GROTESCO NO TEATRO N.Ex.T.

UMA ABORDAGEM INGÊNUA DO FEMINISMOA impressão que fica é a de que Otávio Frias Filho, prestigiado jornalista, era muito jovem, adolescente mesmo, quando decidiu abordar o despertar do feminismo que, segundo o autor,  teria nascido em alcovas bem equipadas  de instrumentos fetichistas.

Temos, assim A Emancipação da Mulher ou Um Outro Mundo é Possível.  O texto traz uma certa dificuldade de domínio estrutural, com muitas cenas curtas nos seus 35 minutos, intercaladas pelo nada, obrigando mutações de cena afogueadas pela pressa. Porém, o texto explora, com propriedade, os aspectos grotescos da manipulação feminina do desejo masculino.  

Às  vezes vem  à lembrança aquelas chanchadas eróticas que os cariocas filmavam  tão

bem,  alheios ao ridículo aqui objetivado, tendo como resultado um meio termo de transgressão (no limite do bisonho) com a direção enfatizando, adequadamente, o humor escatológico, naquilo que possa haver de bizarro no desigual confronto de homens aturdidos diante de lobas vingativas. Uma brincadeira juvenil proibida para menores.

CHICO DE  ASSIS BRINCA DE IONESCO

Mestre da arquitetura dramatúrgica, Chico de Assis mostra, aqui,  um arsenal de réplicas picantes  e escatológicas jogado sem pudor a um público cativo desde a primeira e instantânea gargalhada. Estamos nos referindo à cena de abertura, quando um possesso marido ciumento

 vocifera, para uma, ainda, ausente esposa não ser responsável por aquilo, tendo à sua frente, um enorme ovo impassível (e mascarado) sobre a mesa da sala.

Está instalado o grotesco. Ou o Absurdo. Que se desdobram, ambos, em ritmo vertiginoso, numa espiral que extrapola os modestos limites da sala cênica para universalizar, assim, o ridículo da cobiça humana.

O diretor Antonio Rocco navega em águas por ele dominadas  em comédias aonde o surreal conduz a ação, basta lembrar O Falecido  e A Loucadora de Vídeo. O elenco, encabeçado nesta peça por Antonio Destro e Maira Galvão, mergulha com indisfarçável alegria em “jogar”, contagiando a platéia nessa que vem a ser justa reverência ao veterano senhor da comédia brasileira, Chico de Assis.

Recado dado é entregar-se ao riso irreprimível

N.B.: a seguir, em diferentes edições do Aplauso Brasil, as demais 4 peças  do Festival

SERVIÇO  

II Festival do Teatro Grotesco (sic) /  Teatro N.Ex.T. / Rua Rego Freitas, 454 – Metrô
República / fone 3259-9636 – 5as, 6as e sábados às 21h30, cada noite com duas peças diferentes  / Ingressos R$ 30,00 / Censura 18 anos / Duração 70 minutos, sem intervalo /Estacionamento convencionado / Acesso Universal

O diretor e autor, Antonio Rocco

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , ,

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5 comentários para “Um curioso passeio pelo grotesco no Teatro N.Ex.T.”

  1. ezir paiva disse:

    ESTOU FICANDO VICIADA DE TANTO REPETIR IR LÁ PRA CURTIR ESTE NOVO TEATRO PEQUENO GRANDE TEATRO CABARET EXPERIMENTAL DO SUPER COORDENADOR DRAMATURGO ANTONIO ROCCO!!! Parabéns, as pessoas riem a´toa com os textos super afinadamente encenado por atores e atrizes bem com cara de commedia dell´art!!! vale a pena assistir de novoo e CURTIR O CLIMA ANOS 60 E DE PUB-CENTRAL DE SAMPA!!!Ezir

  2. Pedro Lamma disse:

    …Acho uma pena, uma lastima os espetáculos desse Festival Grotesco no Teatro! As direções são sofríveis e os atores são medianos beirando sempre o caricato, dotados de vozes chorosas! Isso sem falar na gritaria excessiva, no mapa de luz descabido e na sonoplastia estridente! Terrível! Lamentável!

  3. weiner disse:

    Fui prestigiar e gostei batsante da peça não curtia muito teatro ou falta de oportunidade de ir mas gostei e reecomendo a todos as peças são bastante interessantes legal nota 10

  4. antonio disse:

    Ola pessoal, gostaria de ver a crítica de todas as peças, já foram publicadas??
    Abraço
    Rocco

Os comentários do texto estão encerrados.

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