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14/06/2011 - 17:09

Solidão é coreografada pela Perversos Polimorfos

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Redação do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Será possível coreografar a solidão? Afirmativa é a proposta da Cia. Perversos Polimorfos que, a partir das 21h de hoje, no SESC Pinheiros, apresenta o espetáculo de dança Ânsia, a partir do texto homônimo da inglesa Sarah Kane em diálogo com a pop art do artista plástico Hockney.

Criada por Ricardo Galli,que divide a direção artística com Nathalia Catharina, a CPP já mergulhou no universo de Kane em Phaedra’s Love e, agora, busca criar um paralelo  entre os personagens da peça Ânsia, que, no início da década passada, ganhou montagem dirigida por Rubens Ruche, com os quatro retratos desenhados por David Hockney (David, Celia, Stephan e Ian), os redimensionando no palco.

Para traduzir na forma de movimento as imagens concebidas pelos dois artistas ingleses contemporâneos, que falam sobre individualidade e solidão, a coreografia agrega várias técnicas, principalmente a improvisação e composição dança-teatro e balé clássico. O resultado foi selecionado pelo projeto de site specifics, o Fora do Palco, do SESC, que privilegia a performance pensada para ocupar espaços alternativos. A temporada no 4º subsolo vai até 13 de julho, com apresentações nas terças e nas quartas, às 21h.

"Ânsia". Crédito Fábio Furtado. Nathalia Catharina em cena

O grupo verticaliza sua pesquisa em dramaturgia coreográfica já iniciada em Banksy Bang (apresentado no segundo semestre de 2010, também no subsolo do SESC). Para melhor usar o espaço, o grupo optou pela ausência de cenário.

“O palco vazio é explorado no design de luz que procura ampliar a sensação de solidão tão presente na obra de Sarah Kane: o subsolo”, fala o diretor e bailarino-intérprete Ricardo Gali, responsável pela concepção do espetáculo.

A iluminação de Aline Santini é inspirada no ciclo de piscinas de David Hockney. Concebida em cena de maneira improvisada, usa tons de azul-piscina e de verde-azul, criando perspectivas de profundidade no espaço e camadas, como uma fotocolagem. Outras formas e cores características da obra do artista plástico inspiram Ânsia, como cru, cáqui e cinza de sua cartela cromática, dos anos 1960 e 1970, no caso dos figurinos.

As colagens fotográficas dele inspiraram especialmente a construção das “personagens”, a composição coreográfica e a utilização do espaço. Delas partiu a ideia de fragmentação e recorte, tanto espacial como das identidades apresentadas pelos bailarinos em cena.

“Pensamos em trabalhar o espaço dividido em nichos isolados, como uma representação simbólica da individualidade e solidão contemporâneas, lembrando os pequenos apartamentos, suas privacidades e seus isolamentos”, explica Aline Santini. O objetivo é que a luz proporcione imagens e sensações que remetam à poesia dos seus quadros.

A expressão dos performers durante os ensaios move a trilha sonora experimental “climática atemporal” de Dan Nakagawa. Costura composições do próprio, como um improviso de piano em cima de uma base “dark”, além de Fratres for Violin, do minimalista Arvo Part, The Moon Asked the Crow, da banda CocoRosie, de freak folk, e Jazz Suite nº2, de Shostakovich.

A movimentação parte de uma gesticulação por vezes impulsiva, turbulenta e foi desenvolvida a partir de palavras; a estrutura e até mesmo frases da peça a norteou. A maior preocupação de Catharina e Gali ao coreografá-la foi estabelecer um paralelo entre o esforço que a dramaturga teve musicando o texto com o trabalho físico dos bailarinos.

A pesquisa dramatúrgica privilegia a musicalidade. Sarah Kane trabalhou como uma compositora, tendo mais claramente a noção do ritmo que queria, antes mesmo de saber o que dizer.

âNSIA

TEMPORADA: De 14 de junho a 13 de julho. Terças e  quartas, às 21h.

SESC PINHEIROS, 4º subsolo (Ponto de encontro 2º andar, a partir das 20h30). Rua Paes Leme, 195, Pinheiros. Tel. 11 3095-9400. Informações: 0800 118220;  www.sescsp.org.br. Capacidade: 60 lugares. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Acessibilidade para portadores de deficiência.

DURAÇÃO: 50 minutos INDICAÇÃO ETÁRIA: 10 anos

INGRESSOS: R$10 (inteira); R$5 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); e R$2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes). Os ingressos podem ser comprados em qualquer unidade. Formas de pagamento: dinheiro e cheque [à vista]; cartões Visa, Visa Electron, Mastercard, Mastercard Electronic, Maestro, Redeshop e Diners Club International [crédito e débito]. Horário de funcionamento da bilheteria do Sesc Pinheiros: Terça a sexta das 10h às 21h30. Sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30.

ESTACIONAMENTO NO LOCAL (300 vagas). Preços: para público do teatro: preço único R$5; R$5 as três primeiras horas e R$ 0,50 a cada hora adicional [matriculados]; R$7 as três primeiras horas e R$1 a cada hora adicional [outros]. Horários especiais para a programação de teatro.

Estacionamento – com manobrista – vagas limitadas – veículos, motos e bicicletas – terça a sexta, das 7h às 22h; sábado, domingo, feriado, das 10h às 19h – horários especiais para a programação do teatro. Taxas: matriculados no Sesc: R$ 6,00 as três primeiras horas e R$ 1,00 – a cada hora adicional; não matriculados no Sesc: R$ 8,00 as três primeiras horas e R$2,00 – a cada hora adicional/para atividades no teatro:preço único: R$ 6,00

Autor: - Categoria(s): Dança, Música e Cinema Tags:

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