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21/06/2011 - 23:59

Encanto das mãos

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Guto Rocha/Assessoria de Imprensa FILO

Chinês titeriteiro apresentam "Hand Stories"

Hand Stories mostra saga de cinco gerações de titeriteiros para preservar a arte de manipular bonecos

Laços familiares mantidos por meio da habilidade de manipular bonecos, manifestação artística que, como genes, é transmitida de pai para filho há mais de dois mil anos na China. Em Hand Stories, o titeriteiro chinês Yeng Faï narra a saga de cinco gerações de sua família, todos mestres nesta  arte.  O espetáculo foi apresentado no Teatro Londrina, dentro da programação do FILO 2011.

Faï resolveu contar a sua própria história e a de sua família neste espetáculo por considerá-la muito particular, uma vez que, apesar de todas as adversidades que enfrentaram, a arte permaneceu. “Também queria que as pessoas conhecessem como acontece a transmissão de uma arte através das gerações”, comenta.

O titeriteiro começou a ser treinado aos quatro anos. Antes, ainda no berço, os bonecos manipulados por seu pai serviam para acalmar seu choro. Teve os ensinamentos interrompidos pela Revolução Cultural, do ditador chinês Mão Tse-Tung. Faï conta que seu pai foi preso pelo regime comunista e levado a um campo de trabalhos forçados, onde acabou morrendo. Então, seu irmão mais velho, também um exímio titeriteiro, continuou a ensiná-lo a manipular bonecos.

Nos anos 1980, seu irmão, que também foi perseguido, resolve fugir do regime e se exilar nos Estados Unidos. Faï tenta segui-lo, mas é impedido pelo próprio irmão. Então ele parte para a Bolívia. “Lá trabalhei durante dois anos nas ruas com minha arte, mas como as coisas ficaram difíceis voltei para China”, diz.  Ele conta que estava decidido a abandonar a manipulação de bonecos e tentar outra profissão, talvez a música – que ele também domina. Mas ao chegar à China foi expulso pelo regime e se refugiou em Hong Kong, que ainda era uma colônia britânica.

Mario Del Curto / STRATES OD 259/8 "Hand Stories", Théâtre Vidy-Lausanne, Suisse, janvier 2011, "Hand Stories" de Yeung Faï avec Yoann Pencolé au Théâtre Vidy-Lausanne les 5 et 6 janvier 2011.

Em seguida Faï foi para França e a arte que herdou foi salva.  Ele foi acolhido pelo Thèatre Jeune Public de Strasbourg, onde se tornou amigo de Thierry Tordjan, que atualmente é produtor do Théàtre Vidy-Lausenne, casa que, juntamente com CDN-D’Alsace & Théàtre des Marionettes de Géneve, produz Hand Stories.

Faï afirma que a ideia de montar o espetáculo sobre sua história surgiu há seis anos, e seu projeto foi elaborado desde então, paralelamente às apresentações de seu show Cenas da Ópera de Pequim, que percorreu o mundo por 25 anos. Apesar de Hand Stories mostrar os anos duros impostos pelo regime comunista, Faï diz que não teve a intenção de fazer um espetáculo de caráter político. “Quero apenas mostrar a arte de minha família”, diz.

No espetáculo, o público pode acompanhar como Faï preserva com rigor e disciplina a arte que herdou. Quando inicia a apresentação de Hand Stories, faz, no palco, uma demonstração impressionante do aquecimento a que submete sua mão. E revela a precisão e domínio dos movimentos que consegue obter de seus dedos, que darão vida aos bonecos.

Faï  também procura manter a tradição e repassar suas habilidades para um discípulo que o acompanha no palco, como assistente e manipulador. O francês Yoann Pencolé, 32 anos, foi o eleito para receber a pequena lamparina que simboliza a transmissão da sua arte.  Pencolé  conheceu Faï quando era aluno do L’Institut International de La Marionette de Charkeville-Méziéres.  Ele trabalha com títeres há 10  anos, além de atuar como clown e com teatro de objetos. No palco, é possível perceber a reverência que dispensa ao seu mestre, e também como é admirado por Faï, com pequenos gestos e sorrisos.

Hands Stories estreou no  Théàtre Vidy-Lausenne em janeiro deste ano, onde ficou em cartaz por um mês. Depois viajou para Alemanha, França, e desembarcou no Brasil neste mês, onde foi encenado em Belo Horizonte (MG). Depois de Londrina, o espetáculo segue para São Paulo (SP), no dia 27 de junho.  Grande sucesso de público por onde passa, Hand Stories tem agenda lotada até julho do ano que vem.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags:

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2 comentários para “Encanto das mãos”

  1. THOR disse:

    Deu muita vontade de ver este espetáculo. Parabéns Michel, adoro ler sua coluna. Abraços.

Os comentários do texto estão encerrados.

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