Publicidade

Publicidade
23/06/2011 - 17:29

Gianecchini: o galã cruel

Compartilhe: Twitter

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

Reynaldo Gianecchini e Maria Manoella em "Cruel"

O ator Reynaldo Gianecchini tem uma trajetória pautada pela “fuga do estereótipo”, conforme afirma, e sempre se dispõe a enfrentar desafios no teatro. Assim é em sua nova empreitada: o galã das telenovelas promete surpreender na pele de um personagem do sueco August Strindberg de Cruel, adaptação de Os Credores, do mesmo autor, assinada pelo ator Elias Andreato, quem dirige a peça, cuja estreia, para convidados, é hoje e a temporada

Erik Marmo e Maria Manoella em "Cruel"

Um triângulo nada convencional marca a trama da peça que traz, também, os atores Erik Marmo e Maria Manoella dividindo a cena com Gianecchini. Tekla (Manoella), uma escritora, casada com Adolfo (Marmo), artista plástico, vão passar uma temporada numa ilha. Lá está Gustavo (Gianecchini), ex-marido de Tekla, que ocultando sua identidade para Adolfo, com ela um jogo de crueldade para vingar-se destruindo o casal.

Em entrevista exclusiva a Michel Fernandes, o ator Reynaldo Gianecchini fala sobre seu percurso no teatro e na televisão, sobre seu trabalho em Cruel, sua decisão em dedicar-se apenas ao teatro em 2011, entre outros.

Michel Fernandes – O que o move a realizar projetos ousados, como montar um clássico de Strindberg, tendo carreira televisiva de destaque?

Reynaldo Gianecchini – Na televisão é uma batalha feroz de fugir do estereótipo. Eles acham que sua imagem de bonitão, galã, funciona, e então eles deixam você lá. Eu tive sorte na televisão porque me deram personagens que fugiram um pouco disso, como o Silvio de Abreu, que me deu um cara que falava tudo errado (em Belíssima), um vilão (em Passione). Eu sempre tive essa preocupação e como na TV tem essa tendência, no teatro é onde eu posso testar algo diferente e, também, eu gosto bastante de teatro, sempre assisti muito. Gosto do teatro de vanguarda sobretudo, estreei com Zé Celso (em Boca de Ouro), que é um cara que vive teatro e envolve sua vida naquele “pensar teatro.”

MF – O que o teatro oferece a você que o seduz?

O ator Reynaldo Gianecchini

Reynaldo Gianecchini – Sempre busquei experimentar outras coisas e o teatro permite isso. Eu gosto muito do teatro contemporâneo, cheio de significado, mas não linear. Mas não tenho vontade de fazer um Hamlet (obra-prima de William Shakespeare), por exemplo, apesar da grandeza da obra, não tenho muito desejo do clássico. 

MF –E por que um clássico do Strindberg?

Reynaldo Gianecchini – Esse trabalho me pintou nas mãos e meu grande tesão em fazê-lo, além de gostar muito do texto, é poder  trabalhar com grande diretor. Eu sabia que era o grande negocio da vida dele e que faria isso com muito desejo de ser bom. Uma oportunidade de aprender com esse texto clássico que chegou na hora certa.

MF – Uma coisa notável da sua trajetória teatral é o fato de você se arriscar em fazer papéis complexos e se entregar de cabeça no que faz, como por exemplo fazer aulas de canto, balé etc. Por quê?

Reynaldo Gianecchini – Eu sempre busco onde posso aprender. Eu nunca tive uma escola fixa, então aprendo muito com os diretores e com as possibilidades que os personagens nos oferece. Em Cruel, os personagens são grandes no sentido do mundo interior rico.

O diretor Elias Andreato

MF –De que maneira trabalhar com nomes como José Celso Martinez Corres,  Aderbal Freire Filho, Gerald Thomas, Alexandre Reinecke e Marília Pêra contribuíram para a sua carreira?

Reynaldo Gianecchini – A gente não consegue discernir qual é o ganho total, sabemos que ganhamos muito, alguns ganhos são nítidos, mas tem coisas que conquistamos e só nos damos conta quando se percebe estar com novos e diferentes recursos. Eu estreei muito verde e hoje em dia, depois de 11 anos, eu vejo que conquistei muita coisa que levamos pra vida inteira. O trabalho vocal e corporal aqui é muito grande, e as coisas começam a não ser mais tão difíceis, mas é mão na massa. Não sou acomodado, vivo em eterna busca, sempre quero dar um  novo passo.

MF – Qual a prioridade em ser ator?

Reynaldo Gianecchini –Meu trabalho não é comercial, apesar de querer ganhar dinheiro com ele, mas eu quero ver o desafio. Cada peça que eu faço, vejo que conquisto recursos pra fazer três novelas, que por ser uma correria, se você não tem uma experiência você dança, é muita correria, você tem que se virar.

MF – Falando em televisão, você fará algo na TV esse ano?

Reynaldo Gianecchini – Eu pedi para não fazer nada agora na TV. Quero me dedicar aos estudos como ator, estar no palco, ler. Televisão, acho que só ano que vem.

Cruel, de August Strindberg

Direção e Adaptação: ELIAS ANDREATO

Elenco: REYNALDO GIANECCHINI, MARIA MANOELLA e ERIK MARMO

Cenário e Figurino: FÁBIO NAMATAME

Iluminação: WAGNER FREIRE

Trilha Sonora Composta: DANIEL MAIA

Direção de Arte: LAURA ANDREATO

Assistente de direção: ALINE MEYER

Preparação Corporal: VIVIEN BUCKUP

Preparação Vocal: EDI MONTECCHI

Fotos: JOÃO CALDAS

Programação Visual: VICKA SUAREZ

Produção Executiva: MAGALI LOPES

Coordenação de Produção: EGBERTO SIMÕES

Produtoras: SELMA MORENTE e CÉLIA FORTE

CRUEL

Teatro FAAP (506 lugares)

Rua Alagoas, 903 – Higienópolis.

Informações e Vendas: 3662.7233 e 3662.7234.

Bilheteria: de quarta à sábado, das 14h às 20h. Domingo das 14h às 17h.

Aceita cartão de débito e crédito: Visa, Máster ou Dinners. Não aceita cheque.

Estacionamento gratuito, com vagas limitadas. Acesso para deficiente. Ar-condicionado.

Segundas e Terças, às 21h.

Ingressos: R$ 40.

Duração: 70 minutos

Recomendação: 14 anos

Estreia 27 de junho.

Temporada: até 04 de outubro.

Veja galeria de fotos de Cruel

Autor: - Categoria(s): Matérias Tags: , , , , , , , , , ,

Ver todas as notas

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo