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24/06/2011 - 16:08

Espectros é atração irresistível para um público adulto

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Nelson Baskerville e Clara Carvalho em "Espectros"

Espetáculo embalado pelo zelo na sondagem das almas humanas de dramaturgos da envergadura do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) com participação, cem anos após a morte do criador, Ibsen, de Ingmar Bergman (1918-2007), papa do psicologismo abismal, Espectros provoca no espectador um  prazer  racional  em mentes adultas privilegiadas.

Adultas, por que em sintonia com o sublime dos questionamentos do homem e da sua culpa, fazendo da nossa espécie manobra dos deuses, acredite-se neles ou não. Há nesta primorosa análise do texto da dupla Ibsen/ Bergman pelo diretor Francisco Medeiros, um fator que faz o espetáculo alçar voo para além do Realismo. É o tom de tragédia clássica que fez a imortalidade dos míticos herois/ heroinas de Ésquilo, Sófocles e  Eurípides.

Uma majestosa movimentação de atores, música pesada em seu lamento seco, luz pulsante, cenário que se reinventa durante a ação e, sobretudo, o império da palavra candente, dita com a profundidade dos sentimentos verdadeiros. Tudo, ali, nos leva para além do cotidiano atormentado de uma mulher que purga decisões pregressas de conseqüências agora desastrosas. O tom é de tragédia sintetizada naquela imagem do pintor dinamarquês Munch que Jefferson Del Rios, em sua bela e cristalina análise para o Caderno 2/Estadão, escolheu para encerrar sua crítica: “A vida pode ser um grito mudo”.

Elenco de "Espectros"

Não há como relegar a atuação da atriz Clara Carvalho ao mero excepcional: ela está inexcedível, com seu inacreditável equilíbrio do uso da emoção e do racional. Tanto aqui, como lá, não há o mínimo deslize de controle, jogando o espectador inapelavelmente para dentro da tormentosa heroína (ou anti-heroina, como preferem alguns). Clara, sem o saber devido a sua juventude, remete o público mais experimentado pelos anos às grandes criações da eterna Cacilda Becker.

Seus companheiros de elenco procuram manter o alto nível do desempenho, ficando por conta de Plínio Soares a composição mais difícil, a de um homem sem moral, porém digno de compaixão. Boas as atuações dos jovens Patrícia Castilho (de presença forte e sensual) e Flávio Barollo (que enfrenta com galhardia os grandes desafios finais). Nelson Baskerville tem composição bastante convincente numa figura um tanto distante de nossa latinidade. Mas, na estreia pareceu-nos, às vezes, inseguro no texto, fato que deve ter superado com a sua larga experiência de palco

A tradução de Carlos Rabelo, a cenografia de Márcio Medina e Cesar Resende, o figurino de Marichilene ASrtisevski, a iluminação de Wagner Freire e a direção musical de Eduardo Agni contribuem para a solidez estética orquestrada pelo sempre competente (aqui, mais) Francisco Medeiros.

SERVIÇO:

ESPECTROS

NOVA TEMPORADA: Viga Espaço Cênico / Rua Capote Valente, 1323 – Sumaré

Fone 3801-1843/ Metrô Sumaré /6ª e sábado 21h; domingo 19h /R$ 20,00 /

De 24/Junho a 31 de Julho/ A bilheteria abre uma hora antes / 70 lugares

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , , , ,

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