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05/07/2011 - 14:01

Regina Braga brilha mais uma vez em Um Porto Para Elizabeth Bishop

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Regina Braga em "Um Porto Para Elizabeth Bishop"

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Depois de 10 anos, peça de Marta Góes sobre a poeta norte-americana volta a ser encenada em homenagem aos seus 100 anos de nascimento, sob a direção José Possi Neto

Porto, na concepção literal, é local onde alguém pode descansar e se sentir seguro; ter refúgio, guarida, proteção. Foi tudo isso que Elizabeth Bishop encontrou no Brasil, quando chegou em Santos no início dos anos 1950 e por aqui permaneceu durante 15 anos. Para se livrar da depressão e se curar do alcoolismo, a poeta norte-americana viaja pela América do Sul e a convite de Lota Macedo Soares é sua hóspede no Rio de Janeiro.

O que seria uma breve passagem pelo Brasil torna-se o período mais importante de sua vida: aqui sua produção literária foi intensa, foi quando recebeu o Prêmio o Pulitzer e, pessoalmente, viveu um grande amor, ao lado de Lota, uma das mais importantes paisagistas brasileiras, que se notabilizou por fazer parte da equipe que construiu o Aterro do Flamengo.

Marta Góes no monólogo Um Porto para Elizabeth Bishop (em cartaz no Teatro Eva Herz até o final desse mês) mais do que retratar a carreira e a vida da escritora, traça um paralelo entre essa mulher e o Brasil. Com um olhar de estrangeira e querendo entender o modo de vida do brasileiro, Elizabeth faz críticas ao caos reinante no país, ao mesmo tempo em que se encanta pela nossa beleza natural e pela emoção e o carinho acolhedor do povo. “Como o brasileiro sabe cuidar de uma pessoa doente”, é uma das falas da poeta quando relata uma de suas crises vividas aqui.

Regina Braga é Elizabeth Bishop

Se Bishop de 1951 a 1966 em que esteve entre nós viveu um grande amor, reconstruiu sua carreira literária e se sentiu segura para voltar aos Estados Unidos, o Brasil passou também por grandes mudanças. Do apogeu nos anos JK, com destaques na música, cinema, teatro, arquitetura, o país sofreu com o golpe militar e o obscurantismo que se seguiu nos anos de chumbo. Com leves pinceladas, Marta nos oferece esse retrato do Brasil sob o olhar e o perfil da escritora norte-americana.

Esse retrato só se torna vívido graças ao talento de uma grande atriz e as mãos hábeis de um diretor tarimbado. Após 10 anos e para comemorar o centenário de nascimento da poeta, Regina Braga retoma a parceria com José Possi nesse trabalho que rendeu diversos prêmios na época. Encantada pelo tema da peça Regina confessa:

“Sempre soube que voltaria a fazer Bishop. Em 2001 tinha um olhar mais jovem para a personagem. Ter a oportunidade de fazê-la uma década mais tarde me instiga a buscar uma interpretação mais madura”.

Impossível não fazer comparações entre as duas montagens. Além do amadurecimento de todos — mais velho, pude entender melhor a visão da perda e a luta interior para vencer os próprios fantasmas que a escritora relata —, há mudanças físicas de teatro que modificaram a relação palco plateia. Se o cenário de Jean-Pierrre Tortil no Sesc Consolação ganhava dimensões grandiosas (o público percebia o navio chegar no porto de Santos), dessa vez tudo é reduzido, mas não por isso menos intenso. Perde-se espaço, mas ganha-se em intimidade e cumplicidade. Com uma luz delicada de Wagner Freire, Regina de move com leveza e seu tom de voz, principalmente ao final, é quase aos sussurros, podendo ouvir o soluço da plateia. O meu, se não foi ouvido é por que consegui conter!

Roteiro: Um Porto para Elizabeth Bishop. De Marta Goes. Direção de José Possi Neto. Assistente de Direção: Mônica Sucupira. Com Regina Braga. Cenógrafo: Jean Pierre Tortil.Iluminador: Wagner Freire. Trilha Sonora: George Freire. Figurinista: Lu Pimenta. Visagismo: Fabio Namatame. Fotografia: João Caldas Direção de Produção: Brancalyone Produções Artísticas.

Serviço: Teatro Eva Herz da Livraria Cultura – Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073. Temporada: quartas e quintas às 21h. Até 28 de julho. Bilheteria: (11) 3170-4059. De segunda a sábado, das 14 às 21 horas e aos domingos e feriados, das 12 às 20 horas. Ingressos à venda pela Internet: www.teatroevaherz.com.br ou www.ingresso.com.br. Ingressos – R$ 40,00.Formas de pagamento: dinheiro e todos os cartões de débito e crédito – não aceitam cheque.Classificação etária: a partir de 14 anos. Duração: 70min. Capacidade do teatro: 166 lugares.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags:

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