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08/07/2011 - 05:35

Em 45 Minutos Caco Ciocler quebra o rito do teatro

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Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil(aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Caco Ciocler em "45 Minutos"

Monólogo de Marcelo Pedreira, com direção de Roberto Alvim, está no Centro Cultural São Paulo depois de temporada carioca de sucesso

Revelação da nova safra de dramaturgos, o carioca Marcelo Pedreira — que além desse monólogo tem outra peça em cartaz na cidade, Clichê com Lúcio Mauro Filho — não poupa o espectador. Em 45 Minutos, em cartaz no CCSP, sala Jardel Filho, a plateia é provocada pelo personagem, um ator que para se sustentar (mora nos fundos do teatro) é obrigado a entreter o público pelos exatos 45 minutos que dá nome à peça.

Num processo de metalinguagem radical (o público que está na sala do teatro passa a representar a plateia passiva que o ator no palco provoca), o personagem, vivido por Caco Ciocler, confessa sua insatisfação em estar em cena. Diz que como forma de pagamento por suas refeições e local para ficar é obrigado a entreter as pessoas. Sem jeito e cabisbaixo, procura meios para preencher o tempo e o que dizer naquele momento, mesmo lembrando que já havia tido ‘falas’ dos maiores autores da dramaturgia mundial. Nessa hora o ator olha diretamente para o foco de luz, mostrando sua maneira de interpretar os grandes clássicos.

Constrangimento instaurado, o autor, nesse monólogo, quebra o rito do teatro. O ator/personagem pede luz na plateia e incita a todos a darem gargalhadas, ele mesmo ri de forma forçada, numa crítica contundente ao fazer teatral. Outra quebra de paradigma acontece na cena em que o ator tira das costas um revólver e displicentemente atira: as luzes se apagam num final é simulado, tanto que há aplausos. Mas tudo é recomeçado, com o ator colando a arma na cintura de novo. Nesse monólogo, a relação do público e a obra de arte é questionada e Pedreira propõe uma reflexão sobre o significado do teatro hoje na vida cotidiana.

Sempre brinco e digo que Caco Ciocler  tem cara de plástico, pois a cada trabalho aparece com o rosto moldado de forma diferente. Dessa vez não foge à regra: para dar vida a esse personagem, ele vem muito bem caracterizado, com cabelo e barba grandes, revelando o desleixo daquele ator perturbado psicologicamente. Por viver esse ator que evita empatia com o espectador, a composição de Ciocler é ainda mais convincente.

Chamou minha atenção as cenas em que o personagem confessa sua angústia. Com que verdade Caco Ciocler diz que sente “náusea do que me repulsa”. Quantas vezes somos obrigados a engolir verdadeiros sapos verdes e temos que nos conformar!

Para concluir, não posso deixar de mencionar o terceiro vértice do triângulo: ao lado de Marcelo Pedreira e Caco Ciocler, 45 Minutos só se sustenta graças a Roberto Alvim, responsável pela precisa direção e impecável iluminação do espetáculo. E no final verdadeiro, outra quebra de expectativa: o público aplaude e Caco Ciocler não volta para os agradecimentos, reafirmando a tese do autor de questionar o rito teatral.

Roteiro: 45 MINUTOS . Texto: Marcelo Pedreira; Direção, cenografia e iluminação: Roberto Alvim. Com: Caco Ciocler. Produção: Marcelo Chaffin; figurino, preparação vocal e corporal: Juliana Galdino; trilha sonora original: F Ribeiro; camareira/contra regra: Cedelir Martinusso; fotografia de cena: Guga Melgar.

Serviço: CCSP, Sala Jardel Filho (324 lugares). (60min, 14 anos). Quinta a sábados, às 21h; domingos, às 20h. Ingressos: R$20,00 – venda de ingressos na bilheteria (terça a domingo, das 10h às 22h), pelo tel. 4003-2050 (Ingresso Rápido) ou pelo site Ingresso Rápido http://ingressorapido.com.br/Local.aspx?ID=1474
Temporada: até 14/8

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags:

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