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25/07/2011 - 22:11

Ciranda nas voltas que a vida dá

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

Daniela Galli, Célia Forte e Tânia Bondezan

Há um movimento singelo, perene e ambíguo nas voltas que a vida dá. Seguindo o trajeto da existência, Célia Regina Forte decalca emoção em doses cavalares, sem perder os recortes cômicos da vida-nossa-de-cada-dia, em seu segundo texto a ser encenado, Ciranda, dirigido por José Possi Neto, em cartaz de sexta a domingo no aconchegante Teatro Eva Herz.

Os figurinos, de beleza ímpar, assinados por Fábio Namatame (também o autor do cenário, a casa de Lena, formando um painel com colagens de fotos e cartazes de ídolos da juventude nos anos 1960/ 70, uma verdadeira obra de arte), deixa evidente a linha que norteia a concepção de Possi: as roupas de Lena (Tânia Bondezan), a mãe, dona de um restaurante vegetariano, remetem ao universo hippie, desapegado dos valores materiais, típicos de sua geração; já Boina (Daniela Galli), a filha que teve aos 17 anos, usa uma roupa sintética, uma espécie de tailleur preto, cabelos presos num coque, que definem bem sua personalidade oposta a da mãe. Ela é o produto de uma burguesia capitalista, ligada ao poder e aos benefícios obtidos com o dinheiro. Entretanto, o texto passa ao largo da discussão de ideologias opostas das personagens, sobrando espaço para situações cômicas que pontuam a vida entre gerações opostas.

Num segundo momento, Célia propõe um interessante jogo dramático: a atriz que vivia Lena dá voz à Boina e esta vive Sara, neta de Lena, criada pela avó após a mãe fugir para o exterior. Quinze anos depois, Boina volta e é chegada a hora do acerto de contas entre mãe e filha.

Daniela Galli e Tânia Bondezan, em "Ciranda", de Célia Forte

O texto flerta com o que há de bom no melodrama: a divisão clara dos parâmetros ideários de cada uma das três personagens é bastante claro e, fortificado pelo vigor de Tânia Bondezan e a verdade de Daniela Galli, a emoção toma a cena e as lágrimas brotam em nossos olhos, assim como a escola melodramática o deseja.

Vale ressaltar a reflexão proposta por Lena, na carta que deixa à Boina: valeu à pena lutar para vermos o povo no poder se, na verdade, o que há é o “ex-povo” no poder? Essa pergunta nos faz rever  a nossas próprias convicções.

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Ficha Técnica:

Ciranda, de Célia Regina Forte

Direção: JOSÉ POSSI NETO

Elenco: TANIA BONDEZAN e DANIELA GALLI

Cenário e Figurino: FÁBIO NAMATAME

Iluminação: WAGNER FREIRE

Trilha Sonora: TUNICA TEIXEIRA e ALINE MEYER

Assistente de direção: EDUARDO SANTIAGO

Preparação Corporal: VIVIEN BUCKUP

Pintura de Adereços: ANTONIO OCELIO DE SÁ ALENCAR E JADY FORTE

Fotos: JOÃO CALDAS

Programação Visual: VICKA SUAREZ

Captação e Edição de Imagens: VALÉRIE MESQUITA

Assistente de Produção: JADY FORTE

Coordenação de Produção: EGBERTO SIMÕES

Produtora: SELMA MORENTE

CIRANDA

Teatro Eva Herz (166 lugares)

Avenida Paulista, 2.073 – Livraria Cultura / Conjunto Nacional

Informações: (11) 3170-4059 – www.teatroevaherz.com.br

Bilheteria: Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque.

Vendas pela internet: www.ingresso.com

Vendas por telefone: 4003-2330

Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 18h

Ingressos: Sexta R$ 40; Sábado e Domingo R$ 50

Duração: 80 minutos

Classificação Etária: 12 anos

Gênero: Comédia dramática

Temporada: até 28 de agosto

Autor: - Categoria(s): Críticas Tags: , , , , , , , , , , ,

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2 comentários para “Ciranda nas voltas que a vida dá”

  1. Michel:
    Num dos nossos primeiros contatos, vc me disse sobre as várias visões que um texto, uma montagem teatral podem nos proporcionar. E que repetir a peça/montagem aqui no Aplauso Brasil só enriqueceria a discussão.
    Vc estava com toda a razão. CIRANDA, de Célia Forte, é um
    exemplo. Vimos o espetáculo e cada um apresentou sua veresão, uma até complementar à outra. Vc ressalta o lado cômico das situações vividas por Lena e Boina; para mim ficou mais evidente a rivalidade entre mãe e filha (muito comum em nossa sociedade).
    Parabéns pela crítica e sua visão aberta e ampla sobre o seu trabalho aqui no site.
    bjs
    Maurício

    • michelfernandes disse:

      fico muito contente em ter vc aqui. um espetáculo tem infinitas leituras críticas. é uma casa de mil janelas em que olhamos mais a uma que a outra

Os comentários do texto estão encerrados.

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