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03/08/2011 - 15:36

O meu Adeus ao grande Ítalo Rossi

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Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

O ator Ítalo Rossi que morre na última terça-feira

“Eu detesto ator que é busto vivo”. Esta frase me foi dita em uma entrevista que realizei com Miguel Falabella, no ano de 2008. E ele a disse como um elogio ao trabalho de Ìtalo Rossi no seriado Toma Lá Dá Cá. E Miguel tinha razão. O ator que nos deixou nesta última terça feira, não quis se acomodar nos seus 57 anos de teatro, e fez do Seu Ladir uma personagem que hoje figura entre as criações mais inesquecíveis da televisão brasileira. Ladir alcançou tamanha importância que criou uma expressão, o “é mara”.

A história teatral de Ítalo é marcada pelos grandes movimentos do teatro brasileiro. Começou no Teatro Brasileiro de Comédia, onde seu grande papel foi o Sakini em A Casa de Chá do Luar de Agosto. Depois, ao lado de Fernanda Montenegro e Sérgio Britto, fundou o Teatro dos Sete, cuja criação antológica foi a montagem de O Mambembe, de Artur Azevedo, sob a direção de Gianni Ratto.

Ítalo inicia então uma das trajetórias mais consistentes de um intérprete brasileiro. Representa dramaturgos como Goldoni, Arthur Miller, Brecht e Suassuna. É um dos primeiros atores brasileiros a ser dirigido por Gerald Thomas na antológica encenação Quatro Vezes Beckett, onde dividia o palco com os não menos talentosos Sérgio Britto e Rubens Corrêa. Também se aventura pela direção, tendo especial predileção por encenar textos do dramaturgo inglês Harold Pinter.

A década de 1990 marca os seus últimos trabalhos como ator e uma fértil parceria com o diretor Moacyr Góes. Foi quando tive o privilégio de vê-lo em cena. Primeiro, ao lado de Marieta Severo em Antígona onde interpretou Creonte, e depois em Gata em Teto de Zinco Quente. A criação de Ítalo para o Papaizão da peça de Tennesse Williams é um dos momentos que guardarei para sempre na memória como a demonstração de um ator soberano em seu ofício.

Ítalo Rossi como Seu Ladir em "Toma Lá, Dá Cá"

Agora, Ítalo nos deixou. Ele nunca foi um “busto vivo”. Era, sim, um dos maiores atores brasileiros e que nunca teve medo do desafio e se reinventar a cada personagem.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas Tags:

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