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05/09/2011 - 17:47

Ria das Futilidades Públicas

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Mauricio Mellone* (aplauso@gmail.com)

Comédia solo de Patrícia Gasppar

Ao completar 18 anos e depois de ter sido apresentada por diversas cidades, a peça de Patrícia Gasppar está de volta ao Teatro Folha, com direção de Elias Andreato. Temporada até 27 de setembro

Há algo mais encantador do que a pessoa, abalada pela perda de um ente querido, transformar essa tristeza em arte? E melhor ainda, num monólogo de extrema comicidade? É exatamente isso que fez a atriz Patrícia Gasppar, há 18 anos: incentivada pela amiga, a atriz Rosi Campos, buscou forças e, da crise existencial porque passava em razão da morte do pai, criou a comédia Futilidades Públicas — em cartaz somente às terças-feiras, no Teatro Folha —, em que uma mulher, presa num banheiro de uma agência bancária que estava sendo assaltada, reflete sobre sua vida, a inusitada situação em que se encontra e questiona as injustiças e ironias da vida. Para Patrícia, uma catarse, e para nós, os espectadores da peça, um deleite e uma comédia que provoca reflexões.

No escuro e somente com o som do que ocorria durante o assalto ao banco é que o público toma conhecimento do drama daquela mulher de meia-idade. Depois de se refugiar no pequeno e sujo banheiro do banco, ela começa seu devaneio. E desde os primeiros gestos e primeiras falas o espectador percebe que está diante de uma comédia rasgada.

Do grotesco da situação, ela começa a discorrer sobre o cotidiano, as agruras da vida, as injustiças, sempre com deboche, ironia e cantando suas músicas preferidas.

Há momentos em que a personagem faz verdadeiras “viagens”, até parece que está sob o efeito de alguma droga. O público aos poucos embarca na “viagem” proposta por ela e o riso é envolvente (na sessão em que estava, a atriz precisou esperar os aplausos, em cena aberta, várias vezes).
O texto de Patrícia tem nuances provocativos: em diversos momentos a mulher questiona sobre qual a saída? Mais do que a saída física daquele banheiro inóspito, ela quer uma saída, uma resposta para a sua vida.

"Futilidades Públicas" está em cartaz no Teatro Folha às terças, 21h

Elias Andreato, que dirige o espetáculo, define muito bem a proposta da peça:
“O texto de Patrícia é um fragmento de uma mulher de classe média, refém em um pequeno banheiro sujo, onde seu grito por socorro chega até nós como um alerta denunciando a violência e a comédia de se estar vivo nesta cidade, neste mundo tão enlouquecido.”

Em 60 minutos de espetáculo, Patrícia Gasppar tem domínio total da plateia e mostra o que poucos atores conseguem: vai do riso ao drama num átimo, num pestanejar! Com a direção precisa de Andreato, o cenário exíguo e muito adequado do ator Carlos Moreno e com figurino de Fábio Namatame e a iluminação sensível de Wagner Freire (na cena de sexo, luz, vestido e performance da atriz tornam o clima eletrizante), Futilidades Públicas tem tudo para estender a temporada. Nesses 18 anos, Patrícia atualizou a peça e introduziu novidades e canções contemporâneas: há espaço para que o desabafo dessa mulher seja ouvido ainda por muito tempo! E a própria atriz arremata: Essa comédia é fruto de puro afeto pela vida e pelas pessoas. Só aconteceu e continua acontecendo porque tem gente competente e amiga que gentilmente deu passagem para que meus pequenos delírios criassem raízes.”

Roteiro:
Futilidades Públicas
.Texto: Patrícia Gasppar. Direção: Elias Andreato. Com: Patrícia Gasppar. Cenário: Carlos Moreno. Figurino: Fábio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Fotos: João Caldas. Produção executiva e administração: Andréia Porto

Serviço: Teatro Folha (305 lugares). Shopping Pátio Higienópolis, Av. Higienópolis, 618. Informações: 3823.2323. Terças, às 21h. Ingressos: R$ 20. Duração: 60 minutos. Recomendação: 14 anos. Bilheteria: de terça a quinta, das 15h às 21h. Sexta das 13h às 24h. Sábado, das 12h às 24h. Domingo das 12h às 20h. Clube Folha 25% de desconto. Aceita cartão de débito e crédito: Visa, Máster e Amex. Não aceita cheque. Acesso para deficiente. Vendas: 3823.2737 e www.conteudoteatral.com.br/teatrofolha. Temporada: até 27 de setembro.

* Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , , ,

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