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26/09/2011 - 18:08

As Cegas: misto de dança e teatro discute a mortalidade

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Maurício Mellone* (aplauso@gmail.com)

"As Cegas" em cartaz no Viga Espaço Cênico, quartas e quintas

Com texto e direção de Cláudia Maria de Vasconcellos, o espetáculo faz uma sátira ao mundo tecnológico de hoje e como o homem ainda não sabe lidar com a morte. No elenco, Gil Grossi, Neca Zarvos e Vera Bonilha

A morte rondando tanto uma cega como uma psiquiatra, que vive plugada em todos os aparelhos da mais alta tecnologia dos tempos atuais. Esse o mote do espetáculo que se apresenta no Viga Espaço Cênico, As Cegas, texto e direção de Cláudia Maria de Vasconcellos.

O enredo foi criado a partir de estudo e pesquisa do grupo, além de entrevistas com filósofos e psiquiatras sobre a mortalidade. O resultado é um espetáculo com poucas palavras, que são substituídas por gestos, dança e pantomima.

Como em CataDores (em cartaz no Teatro Eva Herz), Cláudia retoma o tema da morte e a incapacidade do homem de lidar com ela. Se naquele texto eram dois palhaços que questionavam o cotidiano rotineiro, a repetição de atos e sentimentos (viver é estar à espera da morte?), em As Cegas a autora personifica a morte. Ela está presente no palco por uma caveira bem posicionada e, principalmente, pela intervenção direta dela (vivida por Gil Grossi), que ronda a vida da psiquiatra viciada em tecnologia (Vera Bonilha) e da ceguinha, brilhantemente interpretada por Neca Zarvos.

Paralelamente, a cega e a psiquiatra reproduzem a rotina da vida: acordam, vão trabalhar, voltam para casa e novamente outro dia recomeça com as mesmas atividades. Aos poucos o público vai se envolvendo nas circunstâncias criadas por elas e o inusitado, o jocoso e o patético sobressaem.

São hilárias as cenas em que a ceguinha se atrapalha para atravessar a rua, tem devaneios com a excessiva dosagem de anti-depressivos e luta para se livrar da sombra da morte. Já a psiquiatra no início passa um ar de modernidade, ponderação e profissionalismo; no entanto, no decorrer da trama, ela vai ficando ‘cega’ com tanta tecnologia e modernidade. A sátira aqui é fina e certeira. Seus discursos sobre a morte, gravados para um livro, ficam na teoria, na prática ela é tão despreparada como cada um de nós.

Os cenários e objetos de cena, de Tadeu Knudsen, são mínimos, porém decisivos, para a desenvoltura dos atores — a coreografia (de Letícia Sekito) é muito bem definida, enquanto a psiquiatra anda de forma retilínea pelo palco, a ceguinha perambula pelo centro, tateando o espaço para se localizar. A morte é que fica solta para alcançar seu objetivo, levá-las embora. Destaque ainda para a trilha e efeitos sonoros compostos originalmente por Natalia Mallo.

Roteiro:
As Cegas
.Texto e direção: Cláudia Maria de Vasconcellos. Elenco: Gil Grossi, Neca Zarvos, Vera Bonilha. Assistente de direção e produção executiva: Berenice Haddad. Cenografia e objetos: Tadeu Knudsen. Figurino: Patrícia Suplicy. Iluminação: Ari Nagô.Trilha original: Natalia Mallo. Efeitos sonoros: Teatro do Tempo e Natalia Mallo. Efeitos especiais: Christian Scherf (Fixxon). Fotografia: Luciana Bortoletto. Realização: Teatro do Tempo

Serviço:
Viga Espaço Cênico (74 lugares), Rua Capote Valente, 1323, tel. 3801.1843. Quartas e Quintas, às 21h. Ingressos: R$ 30. Bilheteria: abre uma hora antes do início do espetáculo. Pagamento em dinheiro ou cheque. Não aceita cartão. Duração: 70 minutos. Recomendação: 12 anos. Temporada: até 17 de novembro.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , ,

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