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06/10/2011 - 19:36

Livro de Valéria Polizzi, soropositiva há mais de 20 anos, ganha versão teatral

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Maurício Mellone* (aplauso@gmail.com)

Valéria Polizzi cercada pelo elenco de "Depois "

Com produção da jornalista Roseli Tardelli, Depois Daquela Viagem é uma adaptação de Dib Carneiro Neto de livro homônimo escrito por Valéria Polizzi. Sob a direção de Abigail Wimer, a montagem conta com 14 jovens atores, que dão vida à turma com que Valéria convivia na época que contraiu o HIV

A história de Valéria Piassa Polizzi é conhecida por muitos graças ao seu livro, Depois Daquela Viagem (Editora Ática), lançado há 13 anos em que ela relata sua experiência de vida, desde que contraiu o vírus HIV na primeira relação sexual (“sem camisinha”) aos 16 anos, até superar suas limitações interiores e enfrentar a doença. Hoje Valéria, com 40 anos, é exemplo de pessoa que soube lidar com a Aids e passou a lutar contra o preconceito e a discriminação. Do livro — um best-seller que já vendeu mais de 300 mil exemplares e foi editado em diversos países—, Depois Daquela Viagem foi transposto para o teatro pelo dramaturgo Dib Carneiro Neto e acaba de estrear no Teatro Anchieta, SESC Consolação, em curta temporada: quartas e quintas somente até dia 20 de outubro.

No programa de apresentação da peça, a jornalista e produtora do espetáculo Roseli Tardelli diz esperar que este trabalho contribua contra a ignorância e a falta de informação sobre Aids:

“As pessoas infectadas com o vírus HIV causador da Aids ainda sofrem com preconceito e discriminação. Hoje, análise de dados epidemiológicos aponta a feminização da epidemia, com maior atenção à faixa etária de 13 a 19 anos, em que existem oito casos em meninos para cada 10 em meninas. Creio que o livro da Valéria, transformado agora em peça teatral, vai atingir este público e possibilitar uma reflexão dos jovens sobre sua vulnerabilidade!”, atesta.

Taí a maior contribuição do espetáculo: ser didático ao mostrar no palco uma história real e bem próxima dos adolescentes. Com o vigor dos 14 jovens atores no palco, a história de Valéria Polizzi é apresentada de maneira ágil e criativa.

"Depois Daquela Viagem"

Valéria é interpretada por três atrizes, que vivem momentos distintos de sua vida: na infância, na adolescência e com 20 poucos anos quando assumiu o tratamento. Sem se ater à cronologia dos fatos, a narrativa tem alternância entre passado e presente, graças ao recurso, o público pode construir a dura e sofrida experiência de vida da personagem. A relação de Valéria com os pais, sua forte ligação com os amigos na adolescência e o drama de aprender a conviver com a doença são mostrados com dinamismo pelos atores, que se revezam vivendo diversos personagens.

A peça mostra muito bem o sofrimento tanto físico como psicológico de Valéria, que além dos problemas físicos causados pelo vírus da Aids, sentiu na pele o que é o preconceito, no Brasil e nos EUA, onde viveu alguns anos depois de saber da contaminação.

Até Valéria entender que era possível se tratar (fugiu o quanto pode do tratamento com anti-retrovirais), sua trajetória foi de solidão e sofrimento interior. A peça dá ênfase a essa fase da vida de Valéria e, no meu entender, deveria também enfatizar o vacilo da personagem ao transar com o namoradinho sem usar camisinha.

Confesso que tive receio em assistir à peça, por já ter vivido muito de perto o drama que a Aids provoca. Felizmente, o espetáculo mostra, além da dificuldade de se ver contaminada, como Valéria soube lidar com a doença e hoje luta contra a discriminação, a intolerância e o preconceito.

Valéria, como inúmeras pessoas hoje em dia no mundo, convive com a doença e tem uma vida normal. Ela optou pela vida e soube dizer um NÃO ao atestado de morte que a Aids já foi um dia.

Roteiro:

Depois Daquela Viagem. Texto: Dib Carneiro Neto, baseado no livro do mesmo nome de Valéria Piassa Polizzi . Direção geral e musical: Abigail Wimer. Direção de atores: Silen de Castro. Elenco:Camila Minhoto, Carol Capacle, Charlene Chagas, Daphne Bozaski, Eliot Tosta, Geraldo Rodrigues, Giovani Tozi, Leonardo Stefanini, Maria Bia Martins, Mariana Leme, Naiara de Castro, Osvaldo Antunes, Rafael Sola e Renata Fasanella. Cenários e figurinos: Márcio Medina. Iluminação:Domingos Quintiliano. Fotografia: João Caldas. Direção de Produção: Roseli Tardelli.

Serviço:
SESC Consolação- Teatro Anchieta (320 lugares), Rua Dr. Vila Nova, 245. Tel: 3234-3000.Temporada: quartas e quintas, às 20h, até 20 de outubro. Ingressos: R$ 10,00, R$ 5,00 e R$ 2,50. Duração – 1h40. Censura –14 anos. Ar condicionado e espaço para deficientes físicos. Aceitam-se cartões de crédito e cheques de todos os bancos. Bilheteria: de segunda a sexta, das 12h30 às 21 horas, sábados, das 9 às 21 horas e aos domingos, das 14 às 20 horas.www.sescsp.org.br

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags:

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