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09/10/2011 - 17:14

Uma surpresa trazida por ventos agitados

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplauso@gmail.com)

Isser Korik

SÃO PAULO – Lida, a sinopse da história de E o Vento  Não Levou soa curiosa. E só. Mas, focalizando os bastidores super isolados e super secretos da famosa filmagem do romance de Margareth Mitchel, E O Vento Levou, o dramaturgo norte-americano Ron Hutchinson  acrescentou toneladas  de reflexões (divertidas) e de observação (aguda)  sobre a Hollywood daquela época (década de 30 do século passado), envolvendo um produtor lendário – David O. Selznick – e sua dedicadíssima e anônima secretária –  um diretor em ascensão – Victor Fleming – e um renomado roteirista, Ben Hecht.

Uma reunião tão agitada quanto explosiva!  Com isso Moonlight  and Magnolias, no original, soa como sempre oportuna homenagem  ao humor anárquico dos Irmãos Marx, insuperáveis até os dias de hoje, pobres desses piadistas da, Stand-up Comedy brasileiros que assolam os palcos paulistas…

A tradução de Isser Korik (também produtor e ator da peça) dá aos diálogos uma fluência que funciona às maravilhas em nossa língua, não comum, infelizmente, em nossos palcos. Isser também funciona  com invejável desenvoltura na pele do teimoso e truculento produtor do filme. Henrique Stroeter mantém a alta voltagem das cenas, com seu reconhecido  talento para papeis cheios de sutilezas psicológicas (vide A Vaca de Nariz Sutil em brilhante  desempenho). A surpresa corre por conta de  Fábio Cadôr, ainda de curta trajetória no teatro paulista. Na pele do diretor Fleming,  Cadôr  faz prever um intérprete  daquela elegância cênica nascida do “menos”. Do comedimento.  E roubando a cena no pouco que lhe resta, a meio sumida Luzia Meneghini, coroa o final com explosiva, mas afetuosa  manifestação.

Fabio Cadôr

O equilibrado resultado do espetáculo tem no veterano encenador Roberto Lage o seu seguro condutor, senhor dos segredos do movimento, do ritmo e da pulsação das cenas. Lage desperta com suas direções o respeito e a simpatia que só quem ama o Teatro  acima das vaidades  provoca.

E o Vento Não Levou alça-se à condição de alta comédia pela sábia inclusão de reflexões sociais, de indagações éticas do papel da indústria cinematográfica (leia-se, hoje, da televisão) na formação das massas, em meio a constantes fagulhas de humor judeu entre os protagonistas.

SERVIÇO:

Ridículos Ainda e Sempre. Espaço Parlapatões /Praça Roosevelt, 158 – telefone 3258-4449 / 96 lugares /. Sábados, 21h, e domingos, 20h / R$ 40 (inteira) / até 23/Outubro

E o Vento Não Levou. Espaço Parlapatões /Praça Roosevelt, 158 – telefone 3258-4449 / 96 lugares /.  Terças e quartas. 21 horas / R$ 30,00 (inteira) / até 14-Dezembro

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , , , , , , ,

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1 comentário para “Uma surpresa trazida por ventos agitados”

  1. Isser Korik disse:

    Grande Gentil!
    Muito obrigado pelas tuas palavras, principalmente vindo de alguém que me acompanha desde 84, quando, ainda ator amador, atuei em O Diário de Anne Frank, com direção do Moisés Miastkwowsky.
    Só alguém com tua visão agudo de tudo o que acontece no teatro poderia ter aparecido tão depressa para ver nosso espetáculo e perceber o quanto de mim tem nele.
    Muito obrigado!

Os comentários do texto estão encerrados.

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