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01/11/2011 - 16:17

Novelo faz radiografia sobre o homem contemporâneo

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Maurício Mellone* (aplauso@gmail.com)

"Novelo" faz quarta temporada no Viga Espaço Cênico

Com texto de Nanna de Castro e direção de Zé Henrique de Paula, a peça é o reencontro no saguão de um hospital de cinco irmãos após saberem que um homem na UTI pode ser o pai que os abandonou há 20 anos

SÃO PAULO – Em sua quarta temporada (a estreia foi no ano passado), Novelo, em cartaz no Viga Espaço Cênico, surpreende de imediato. O público entra na sala de exibição e os cinco atores já estão em cena; detalhe: todos com agulhas e linha tricotando (literalmente) cachecol, echarpe e blusa. E melhor ainda, com desenvoltura e firmeza!

Só depois de todos se acomodarem e apagadas as luzes da plateia é que a peça de Nanna de Castro tem prosseguimento. São cinco irmãos que aprenderam a tricotar com a mãe e estão no saguão de um hospital público depois de serem chamados porque um homem foi espancado e levado à UTI; esse homem, que tinha no bolso da calça os telefones dos rapazes, pode ser o pai que os abandonou há mais de 20 anos.

Com este mote, a autora põe a nu o homem contemporâneo, discutindo questões e conflitos do universo masculino por meio da relação entre os cinco irmãos.

"Novelo" faz quarta temporada no Viga Espaço Cênico

Sem linearidade, a trama alterna momentos daquela família, desde o nascimento do caçula quando, o pai resolve deixá-los, o crescimento dos meninos em diversas fases da vida, a ligação deles com a mãe, até a maturidade e o momento em que eles se reencontram no hospital para reconhecerem o moribundo.

O público com o desenrolar das cenas vai reconhecendo a personalidade de cada garoto e como eles se tornaram adultos: Mauro (Flavio Baiocchi) o mais velho que aos 12 anos foi obrigado a se tornar o homem da casa, com todas as responsabilidades depois da morte precoce da mãe; Maurício-Cicinho (Alexandre Freitas), perturbado com o abandono, vira um homem inseguro e viciado; João (Herbert Bianchi), gay que procura superar os traumas com estudo e sucesso profissional; Zeca (Fábio Cadôr) moleque arruaceiro que vira o machão e empresário bem-sucedido e por último Cláudio-Cacau (Flavio Barollo), sensível e único que não conheceu o pai, torna-se ator.

Para melhor desenvolver a trama, o diretor Zé Henrique de Paula também criou o cenário; quatro cadeiras e apenas placas transparentes que servem tanto para situarem o ambiente hospitalar como para delimitarem o espaço cênico. Cenas de infância e adolescência dos personagens acontecem só com a mudança da disposição das cadeiras.

Nanna de Castro desfia um Novelo emocional daqueles cinco irmãos. A cena final é catártica, com cada um deles colocando para fora seus fantasmas e traumas guardados até então.

Foi difícil conter as lágrimas, já que me identifiquei muito com história retratada no palco (somos cinco irmãos e uma irmã e meu pai faleceu com todos nós ainda crianças). Vivenciar aquele Novelo emocional-familiar sendo desenrolado, desfiado, desfeito contribuiu para que o meu novelo (como de muitos espectadores) também o fosse!

Roteiro:
Novelo
. Autor: Nanna de Castro. Direção e cenário: Zé Henrique de Paula. Elenco: Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Flavio Baiocchi, Flavio Barollo e Herbert Bianchi. Assistência de direção: Alexandra da Matta. Figurinos: Mário Queiroz. Preparação de atores: Inês Aranha. Direção musical: Fernanda Maia. Iluminação: Fran Barros. Locução em off: Clara Carvalho. Fotos: Ronaldo Gutierrez. Produção: Marisa Medeiros.
Serviço:
Viga Espaço Cênico (74 lugares). Rua Capote Valente, 1323, tel. 3801.1843. Sextas e Sábados, às 21h. Domingos, às 20h. Ingressos: R$ 20. Duração: 90 minutos. Classificação etária: 12 anos. Bilheteria: abre uma hora antes do início do espetáculo. Pagamento em dinheiro ou cheque. Não aceita cartão.Temporada: até 18 de dezembro

*Editor  do Favo do Mellone

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , , , , ,

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