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05/12/2011 - 18:01

Fabiana Cozza fala com exclusividade ao Aplauso Brasil

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Edson Júnior, especial para o Aplauso Brasil (Edson@aplausobrasil.com)

Fabiana Cozza

SÃO PAULO – Confira a entrevista exclusiva que Fabiana Cozza concedeu ao Aplauso Brasil em que fica evidente sua seriedade, consciência social e  política de um cantar popular e sofisticado que espalham elegância e personalidade no cenário da Música Popular Brasileira.

Aplauso Brasil – Desde seu primeiro trabalho em estúdio, você transita entre regravações e canções inéditas, como é seu processo de seleção de repertório?

Fabiana Cozza – Canto somente o que me arrebata. Gosto de me sentir tomada pela música como amor à primeira vista. Não faço concessões à modismos ou quaisquer outros apelos.

AB – Tanto no palco quanto no estúdio é notória a teatralidade das suas interpretações, de onde vem essa expressividade cênica e essa interpretação vocal?

Fabiana Cozza – O mesmo tempo de carreira dedicado à música dediquei também a me desenvolver cenicamente pelo teatro e pela dança. Sempre tive bons profissionais de ambas áreas me orientando e o faço todas as vezes que inicio um novo projeto. O trabalho de interpretação está intimamente vinculado a uma dedicação à leitura e compreensão de signos e movimentos da cançãonior – falo aqui de gestual físico, musical, poético etc.

AB – No show em homenagem as divas do samba você impressionou a platéia com sua interpretação visceral de O canto das três raças, como se dá seu processo de criação? E quem é Clara Nunes para Fabiana Cozza.Fabiana Cozza – Trabalho bastante a leitura do texto aliada à melodia e vou investigando nos ensaios com o diretor de teatro (geralmente um ator) a canção e seus desenhos. A partir daí os movimentos surgem de maneira natural. Muitas vezes é o olho de quem me dirige que aponta para gestuais repetitivos ou que legendam a canção e são desnecessários. Aí entra a mão do diretor e aulas (consciência corporal) onde posso ampliar meu repertório cênico, de conhecimento intelectual até…

AB – Religiosidade, conhecimento da história e cultura afro são questões que você levanta em seus shows, de que maneira sua arte contribui para o respeito à contribuição do negro na cultura da nossa nação?

Fabiana Cozza em CD homônimo

Fabiana Cozza – Cantando o povo negro, o povo do Brasil e tudo o que possa nos identificar enquanto Nação: a terra, os costumes, a culinária, os personagens sociais, os pensamentos da nossa gente, o cotidiano… Acho que este “cantar” é uma escolha política. Canto o meu quintal e através dele me vejo e entendo o mundo. Com ele vou para o mundo e me misturo, me reinvento. Sobre Clara, digo que ela continua sendo, sem dúvida, uma referência artística importante por muitos motivos: pela beleza e força ancestral de seu canto, por uma gama de símbolos e significados que ela carregava como artista, por sua obra que tanto nos ajuda a conhecer melhor o Brasil etc etc.

AB – Quais são os desafios para o interprete de nosso tempo frente ao modelo de indústria fonográfica atual e a internet?

Fabiana Cozza – Acho que são muitos os desafios do artista brasileiro e isso não tem relação com a indústria fonográfica que há muito não investe em artistas. A realidade é que a maioria de nós depende única e exclusivamente de recursos próprios para tocar a carreira em frente e isso exige fôlego, determinação, planejamento e parcerias, muitas. A produção independente sempre existiu. É comum ouvirmos casos de que há 20, 30 anos, um sujeito vendia a “Kombi” pra fazer um disco etc. Acho que a Internet é uma ferramenta, um aliado importante para a divulgação do trabalho, mas não encerra-se em si mesma e está longe de ser a “salvação da lavoura”. O mercado está muito tumultuado, a crise financeira se alastra pelo mundo e enxuga todos os cofres. Isso repercute e afeta diretamente o mercado cultural. A luta pela sobrevivência e pelo espaço é diária.

AB – Que ensinamentos Fabiana Cozza, seu mais novo trabalho lhe deu?

Fabiana Cozza – Que a maturidade traz mais consciência e que o tempo é mesmo senhor.

AB- Como foi cantar Piaf Na França e como se deu sua aproximação com o idioma Francês?

Fabiana Cozza – Não fui à França para cantar “Piaf”. Fui apresentar meu trabalho e cantei uma ou outra canção do repertório da Piaf, o que surpreendeu muito aos franceses. Era um agrado que eu fazia nos shows para um público sempre muito caloroso e afetivo comigo. Me aproximei da língua francesa após aceitar o convite do maestro João Mauricio Galindo, diretor artístico da Orquestra Jazz Sinfônica de SP, para fazer uma homenagem à Piaf. Passei a estudar o idioma enlouquecidamente com dois professores: um de francês e outro de canto.

AB – Oswaldo dos Santos por Fabiana Cozza.

Fabiana Cozza –É quem me ensinou os primeiros passos, é minha primeira referência musical, o professor que me alfabetizou musicalmente.

AB- O que o público fiel de Fabiana Cozza pode esperar para 2012?

Fabiana Cozza – Quero cair na estrada com esse novo trabalho e chegar a Estados por onde ainda não passei. Também há um projeto em andamento de um CD para lançamento no exterior primeiramente e, se Deus me ajudar – e tenho rezado muito e trabalho bastante –, um projeto temático que vai homenagear um ícone da música popular brasileira, cujo nome ainda não posso revelar.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Dança, Música e Cinema Tags: , ,

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