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29/12/2011 - 17:53

As marcas de 2011, só algumas

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

"Luís Antonio - Gabriela", da Cia Mungunzá. Na foto o ator Marcos Felpe

SÃO PAULO – Inevitável ser injusto e esquecer algum espetáculo, dentre aqueles a que assisti neste 2011, e deixá-lo de fora no artigo que segue: minhas sinceras desculpas desde já. Destacarei abaixo alguns espetáculos e artistas que marcaram a cena desse ano.

Ainda no primeiro semestre, Luís Antônio – Gabriela, da jovem Cia. Mungunzá, deixou marcas indeléveis e angariou sucessivas – e merecidas – temporadas de sucesso, louros da crítica, indicações a prêmios (só ao Shell foram cinco), culminando na vitória do Prêmio da Associação Paulista de  Críticos de Arte (APCA) como o melhor espetáculo teatral de 2011. Escrita e dirigida por Nelson Baskerville, que utilizou elementos biográficos como depoimentos de familiares, documentos, lembranças, entre outros elementos, para conceber um espetáculo-homenagem a seu irmão Luís Antonio que, no final dos anos 1980, embarcou para Bilbao (Espanha) como Gabriela e conquistou o auge na noite espanhola e o declínio depois de viciar-se e contrair o HIV.

A forma documental e, ao mesmo tempo, artesanal como o espetáculo é construído/ executado aos olhos do público – mesmo que a alguns minutos antes do fim, se torne um tanto prolixo  -, afasta o tom melodramático que, em geral, é tratado o tema e atinge o apogeu da cumplicidade personagem/ plateia: choramos as chagas míticas da diferença recusada de Luís Antonio Gabriela.

Só faltou um prêmio especial ao ator Marcos Felipe que dá o vigor e a exuberância à/ ao protagonista e tornou  a viagem, aos estertores dessa ficção X verdade, inesquecível.

Jarbas Homem de Mello e Claudia Raia em "Cabaret"

Divide a bonança da temporada 2011 na categoria espetáculo, segundo o que assisti, o musical (peço perdão à inteligentsia, mas gosto é gosto e o meu tem critérios artísticos) Cabaret, de Joe Masteroff, músicas de John Kander e  letras de Fred Ebb, sob magistral direção de José Possi Neto, cujo portentoso conjunto artístico deixará sua marca na antologia do teatro musical realizado no Brasil.

Protagonizado pela Diva Claudia Raia, que dá maturidade e peso dramático à Sally Bowles, e por Jarbas Homem de Mello, que imprime uma especial androginia à Dzi Croquettes em seu sarcástico MC, o Cabaret conta ainda com a tímida, porém, eficaz presença de Guilherme Magon na pele de Cliff, as primorosas presenças de Marcos Tumura (Herr Schultz) e Liane  Maya (Fraulein Schneider), cenografia deslumbrante de Chris Aizner, iluminação impecável de Paulo César Medeiros, excelente direção mmusical de Marconi Araújo, deslumbrantes figurinos de Fábio Namatame, impecável e poética ver são brasileira de Miguel Fallabela, notáveis bailarinos e elenco de apoio, enfim, um conjunto de indiscutível qualidade.

Ainda no primeiro semestre, as presenças de Pterodátilos – com interpretações marcantes de Mariana Lima, Marco Nanini e Álamo Facó, além da sintética direção de Felipe Hirsh e do engenhoso cenário de Daniela Thomas –, Deus da Carnificina – instigante obra da dramaturga francesa Yasmina Reza em direção simples, porém notável, de Emílio de Mello  e brilhante composição da atriz Júlia Lemmertz – e o monólogo O Estrangeiro­ – adaptação do romance de Alberto Camus dirigida por Vera Holtz e excelente interpretação de Guilherme Leme – garantiram aos paulistanos a boa safra do teatro produzido no Rio de Janeiro.

Paula Capovilla, protagonista do musical Evita, de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, sob direção de Jorge Takla, deu voz e pungência ao mito portenho, seguida pelos competentes Daniel Boaventura (Juan Perón) e Fred Silveira (Che Guevara), deslumbrantes figurinos  de Fábio Namatame e um elenco para lá de afinado, bem como a performance de Simone Gutierrez em New York, New York são notas memoráveis na caixa dos musicais assistidos no início do ano.

A Hora e a Vez do Riso

Muito além das piadas vexatórias dos apelativos – em sua boa parte – stand ups, o humor mostrou força em excelentes espetáculos como O Casamento Suspeitoso, de Ariano Suassuna, dirigido por Sérgio Ferrara (destaque para as inesquecíveis concepções de Nani de Oliveira e Rogério Brito); Desconhecidos, de Fábio Herford, direção de Gustavo Machado, e Eu Era Tudo Pra Ela e Ela me Deixou¸ de Emílio Boechat, dirigida por Mira Haar, que traz a talentosa dupla Ricardo Rathsam e Marcelo Médici, este alinhavando cada um dos nove personagens , representados com riqueza de elementos interpretativos – como diferentes sotaques, entonações diversas etc. –, com a arte que apenas grandes  atores conseguem no   arremate de seus bordados criativos.

A unanimidade sob diferentes pontos de vista

O número das elogiosas críticas de Ciranda, segundo texto montado da autora Célia Regina Forte sob direção de José Possi Neto, deixa claro o “óbvio ululante”: eis uma autora que surge no cenário nacional e que merece atenção.

A forma singela e bem-humorada com que a autora aborda a relação entre mãe e filha, de duas diferentes gerações, tem leveza e sagacidade.

Ricardo Rathsam cercado pelos nove personagens vividos por Marcelo Médici em "Eu Era Tudo Pra Ela... e Ela me Deixou"

P.S.

Merecem menções honrosas a econômica montagem de Édipo, dirigida por Elias Andreato; Hécuba e Crônica da Casa Assassinada, dirigidas por Gabriel Villela, e a instigante experimentação cênica d’ Os Satyros, Cabaré Stravaganza,  dirigida por Rodolfo Garcia Vázquez.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas Tags: , ,

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