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27/01/2012 - 15:29

A tribo ‘mal educada’ do paz e amor retorna com tudo! É Hair 2012

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Hair" - foto de Gugba Melgar

SÃO PAULO – Era o fim da década de 60 do século passado. Uma onda de protestos tomava as ruas de cidades importantes dos Estados Unidos. A guerra do Vietnã mobilizava os jovens da classe média, já por si insatisfeitos com as regras das escolas, dos lares, das igrejas.  James Rado e Gerome Ragni, dois obscuros atores, músicos e dramaturgos da of-Broadway jogaram nesse caldeirão fervente, um fiapo de enredo acompanhando as perambulações desses inconformados  e “mal educados” jovens  rebeldes. Mas,  para deixar tudo muito realista, praticamente um documentário de uma época, adicionaram muito sexo (livre), drogas  e rock da pesada (com músicas de forte impacto,  no canto coletivo).

Não demorou muito tempo para as bilheterias tilintarem com frenesi. Da Broadway para a rua Conselheiro Ramalho (Teatro Bela Vista, hoje remodelado) foi um salto de conto de fadas sonante, não esquecendo as grandes capitais européias, até a japonesa. Foi, como se pode ver, um fenômeno atordoante, que balançou a cabeça de muita gente, de generais ao Papa. Até o adolescente cabeludo da zona leste aqui de São Paulo. Instalou-se a “Era  Hippie”, que após anos de “glória”, deu no que deu, ou seja, o sonho acabou e para nos sobrou a rua Helvetia.

A frase “O musical que mudou o mundo” estampada na capa do programa desta energética versão da dupla  Charles Möeller e Claudio Botelho, não contém, para quem já viu, nenhum exagero publicitário: é a tradução da mais pura sinceridade.

"Hair" - foto Guga Melgar

O que a intrépida dupla de diretores-produtores fez agora foi aproveitar o novo fôlego dado pelo sobrevivente James Rado, sem o seu parceiro morto em 1991, na versão encenada em 2008 na Broadway dos sucessos eternos.  O Hair que se acompanha no palco (e plateia adentro) do espaçoso Teatro Frei Caneca, no 6º andar do shopping  de mesmo nome, é um produto genuíno da bem cultivada imaginação dos seus condutores, chegando a ser sublime a sinceridade com que cada um do elenco, da equipe artística, dos técnicos se entregam à dilacerante mensagem de renovação, na base de Amor e Paz, buscada sem cessar pela humanidade, por sinal, com alguns lampejos mais ou menos luminosos.

Os diretores declaram, também, no programa da peça, que puseram a alma na condução do espetáculo. Nem precisava: a total entrega – como já dissemos antes – está presente na dança vigorosa (Alonso Barros); no canto vibrante que dobra corações e mentes empedernidos ( mais um ponto para o Claudio Botelho); na profusão de cores e estilos dos figurinos (Marcelo Pies); na música dançando com a iluminação  psicodélica (Paulo Cesar Medeiros) e que conduzem todos e tudo ao nirvana coletivo.

Pena que, a nosso ver, tenha faltado poesia, delicadeza, na cena do nu coletivo. É crua demais, talvez prosaica, como o desnudamento de cada um para o chuveiro.  Na lembrança da 1ª versão ficou o imenso lençol caído por terra e revelando  o esplendor dos corpos jovens.

No elenco, adequadissimo  aos seus tipos, faz pensar a bela lição de humildade de Kiara Sasso, senhora absoluta do Teatro Abril , misturando-se, com graça e peculiar talento , aos seus 40 colegas de cena.

Mesmo tornado um hit comercial pelos méritos intrínsecos da sua força temática, Hair continua provando o quanto vale para as gerações futuras uma foto bem flagrada de um determinado  instante histórico.

Serviço:

HAIR / Teatro Shopping Frei Caneca,  rua Frei Caneca, 569, 6. Andar, Consolação / fone 3472-2229 /600 lugares / 5ª. 21h, 6ª. 21h30,sábados 18h e 21h30. Domingos 18h / Ingressos R$ 130, (quinta e sexta) e R$ 160,( Sab. e dom.) / 130 minutos com intervalo de 15 minutos/ 14 anos/ até 29 de abril.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , , , , , , , , ,

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