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05/02/2012 - 17:49

Nise da Silveira- Senhora das Imagens agora em São Paulo

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Nise da Silveira", com Mariana Terra. Foto - Jackeline Nigri

Espetáculo multimídia — une teatro, dança, música, vídeo e artes plásticas — acaba de estrear depois de sucesso pelo país. Com direção de Daniel Lobo, Mariana Terra vive a médica alagoana que revolucionou psiquiatria no século XX

SÃO PAULO – Ao entrar na sala do Teatro Eva Herz, o público já é envolto no clima do espetáculo Nise da Silveira- Senhora das Imagens. Quase na penumbra, as pessoas procuram seus assentos enquanto a atriz Mariana Terra está na plateia pintando quadros, numa referência direta aos trabalhos dos pacientes do hospício em que a médica Nise da Silveira trabalhou no Rio, nos meados do século XX. Com seu método revolucionário — implantou ateliês de pintura no tratamento da esquizofrenia em oposição à terapia de eletrochoque — Nise fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, que está completando 60 anos e foi o mote para a montagem.

Com passagens por Brasília, Alagoas, Espírito Santo e de grande sucesso no Rio, Nise da Silveira- Senhora das Imagens estreou nesta semana na cidade. Após breve rito budista entre diretor e atriz (a troca de energia para que tudo saia como o previsto), ouve-se em off a voz do inconsciente, interpretada por Carlos Vereza (também dá voz ao psicanalista Carl Jung), que anuncia:
“Vai Mariana, pega o cajado, legado de teu pai, e dá vez a voz do coração”. A atriz sobe ao palco para interpretar Nise da Silveira, dos 20 aos 94 anos, e mais uma surpresa: dança coreografias assinadas pela bailarina Ana Botafogo, que pela primeira vez executou este tipo de trabalho, sob a trilha sonora inédita do pianista João Carlos Assis Brasil.

"Nise da Silveira". Com Mariana Terra. Foto de Rafael Viana

Com a finalidade de homenagear a médica alagoana (1905-1999), o espetáculo faz um apanhado de sua trajetória, desde os tempos vividos ao lado dos pais nas Alagoas, passando por sua formação na Bahia e a decisão de se mudar para o Rio, onde com muita dificuldade — mesmo formada, passava mal ao ver sangue —aprofundou seus conhecimentos e estudos da alma humana e conseguiu trabalho Centro Psiquiátrico Pedro II, setor de Terapia Ocupacional. Com formação humanista, Nise se opunha aos métodos tradicionais de tratamento do hospício, o que lhe valeu até uma prisão durante a ditadura Vargas.

“A força daquela mulher  revolucionou a psiquiatria por meio da arte e de um processo mais humanitário de cura, de um olhar para o seu semelhante, que não fosse tão duro, tão científico, mas um olhar de amor e afeto ao próximo”, explica o diretor.

Em vídeo, o poeta Ferreira Gullar e o ator e diretor José Celso Martinez Corrêa explicitam a importância de Nise da Silveira para a psiquiatria e a cultura brasileira. Mariana Terra é sem dúvida o grande destaque do espetáculo, graças ao vigor em dar vida a uma personalidade de tamanha grandeza e sua entrega visceral ao projeto. Destacaria ainda a sensível iluminação de Djalma Amaral e o cenário e figurino, assinados por Ronald Teixeira, muito bem afinados à concepção do espetáculo de Daniel Lobo.

Um único senão: mesmo com uma história de vida tão rica a ser contada, o espetáculo poderia ser mais enxuto e conciso para não desgastar ou cansar o público. Talvez por ter visto na estreia, alguns ajustes ainda acontecerão. Confira: a peça fica em cartaz até o final de março.

Roteiro:
Nise da Silveira – Senhora das Imagens
. Dramaturgia, concepção multimidia e direção: Daniel Lobo. Interpretação e co-dramaturgia: Mariana Terra. Coreografia: Ana Botafogo. Trilha original: João Carlos Assis Brasil. Participações de Carlos Vereza (Carl Jung) e Ferreira Gullar, José Celso Martinez Corrêa, Ednaldo Lucena e Gilray Coutinho (em vídeo). Preparação vocal: Angela Herz. Cenografia e figurino: Ronald Teixeira. Desenho de luz: Djalma Amaral. Percussão: Marco Lobo. Ensaiadora: Inês Pedroza. Edição: Personal Filme (Daniel Trindade) Fotos: Jackeline Nigri.Realização: Essencial Companhia de Teatro.

Serviço:
Teatro Eva Herz (166 lugares), Avenida Paulista, 2.073 – Livraria Cultura / Conjunto Nacional. Quartas e Quintas, às 21h. Ingressos: R$50,00. Meia-entrada para estudantes, idosos, professores da rede pública de ensino e portadores de necessidades especiais

Bilheteria: Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque. Vendas pela internet: www.ingresso.com. Vendas por telefone: 4003-2330. Informações: (11) 3170-4059 – www.teatroevaherz.com.br. Duração: 1h30. Classificação Etária: 16 anos. Temporada: até 29 de março

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , , , , ,

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