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09/02/2012 - 20:48

Não é exatamente suspense, mas um ótimo ardil

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Maria Lúcia Candeia*s, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Festim Diabólico", em cartaz no Teatro Nair Bello

SÃO PAULO – Quem teve oportunidade de conviver um pouco com os ingleses, certamente sabe que é um povo muito diferente de nós: Cerimoniosos, preocupados com o que dizem, fazendo conjecturas e não as revelando, pois como dificilmente se abrem e falam o que acham, criam inúmeras fantasias do que vivem. Temos que concordar com Paulo Vanzolini quando no seu Samba Erudito afirma que quem for demais até pra paciência de inglês, não tem mais jeito. E, nos parece que, tendo esse tipo de comportamento, têm tudo para serem os campeões do suspense, como de fato o são. Nesse aspecto é impossível deixar de lembrar de Edgar Allan Poe (1809 a 1849), que foi um gênio (Assassinatos na Rua Morgan) e antecedeu os ingleses, mesmo sendo americano. Tudo indica que, no caso, a exceção confirma a regra.

Nossas tradições não incluem técnicas de iluminação, cenário e trilhas sonoras que contribuam para o suspense. São razões que nos levam a valorizar muito a direção de Festim Diabólico, a cargo de Carlos Porto de Andrade Jr., para obra do britânico Patrick Hamilton que já virou filme impecável e de sucesso. É a primeira vez que o texto, originalmente escrito para teatro, é montado por aqui. A encenação é feita como que sugerindo um futuro crime que parece não ter sido cometido e que, portanto, não passou de um ardil de alguns dos personagens. Essa situação é acompanhada com extremo interesse pela platéia que se alivia com um final em clima de dúvida e não de catástrofe.

Não são essas as principais características – ainda que muito importantes – para tornar o espetáculo imperdível, mas a impecável interpretação do elenco. A participação especial é de Carlos Capeletti, arrasando, bem como dos atores jovens. Alexandre Barros, André Fusko, Ricardo Homuth, André  Hendges e Tiago Vilela. Isso sem falar nas ótimas atrizes Brígida Menegatti e Patrícia Vilela. Todos auxiliados pela cenografia adequada e os excelentes figurinos da dupla Aby Cohen e Lee Dawkins. Assim como pela discreta trilha de Eduardo Queiroz e Felipe Alexandre.

Quem não for ao teatro querendo assistir ao falecido Alfred Hitchcock, provavelmente vai achar maravilhoso.

Ficha Técnica:
Texto original: Patrick Hamilton
Direção: Carlos Porto de Andrade Jr.
Co-Direção: Eduardo de Santhiago
Elenco:Alexandre Barros, André Fusko, André Hendges, Brígida Menegatti, Carlos Capeletti, Patrícia Vilela, Ricardo Homuth
Cenografia e figurinos: Aby Cohen e Lee Dawkins
Desenho de luz e Fotografia: Rinaldo Martinucci
Trilha Sonora: Eduardo Queiroz
Programação visual e Assistência de Ensaios: Emerson Brandt
Produção: Fixação Marketing Cultural
Realização: Alexandre Barros

FESTIM DIABÓLICO
Teatro Nair Bello
(200 lugares)
Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569 – 3° andar.
Telefone: 3472-2414
Bilheteria: de terça a sábado, das 14h às 21h30; domingos, das 14h40 às 19h.
Aceita todos os cartões de débito e crédito. Não aceita cheque.
Estacionamento R$ 6 até duas horas.
Vendas: www.ingresso.com e tel.: 4003-2330

Sexta às 21h30. Sábado às 21h. Domingo às 18h.
Ingressos: Sexta R$ 10 (preço único, promocional). Sábado e Domingo R$ 40
Duração: 80 minutos
Recomendação: 16 anos
Gênero: Suspense

Temporada: até 18 de março

*Doutora em teatro pela USP, Livre Docente pela  UNICAMP

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , , , ,

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3 comentários para “Não é exatamente suspense, mas um ótimo ardil”

  1. Leandro disse:

    Gostaria de solicitar à Aplauso Brasil uma correção, talvez não informada pela assessoria de imprensa da peça: a atriz Luli Muller foi substituída por Brigida Menegatti, antes mesmo da estréia da peça.

    • michelfernandes disse:

      Feio, mas creio q o nome de luli estava no programa da peça, pois a maria lúcia não usa o release.

  2. Andre Fusko disse:

    A Luli Miler estreou e fez as três priemiras apresentações. Uma grande atriz que foi obrigada a sair e deixou saudade!
    A Brigida em duas semanas de ensaio já estava no palco demonstrando todo seu talento.
    Abraços,
    André

Os comentários do texto estão encerrados.

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