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19/03/2012 - 15:23

Paulo Goulart Filho surpreende em Quarto 77

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Quarto 77" - em cena - Paulo G.Filho e Maria Laura - foto de Demian Golovat

Com direção de Roberto Lage, a peça de Leonardo Alkmim retrata o universo de um homem que se refugia num quarto de hotel e recebe a inesperada visita de uma mulher. Mistério, alucinação, realidade se entrelaçam com um final impactante

SÃO PAULO – Hotel abandonado do centro da cidade. O personagem central de Quarto 77 — peça de Leonardo Alkimm que acaba de estrear no Teatro Augusta — escolhe este local para se refugiar. Sem nome, este Homem, vivido por Paulo Goulart Filho, chega à noite ao hotel fugindo sabe-se lá do quê e, com receio, instala-se para descansar.

“O sono da razão gera monstros”
Para sua surpresa, o Homem acorda e, assustado, vê uma Mulher (interpretada por Maria Laura Nogueira) dormindo na cama ao lado da sua. Aparentemente a cena retrata uma realidade — ela diz que não tinha mais vaga no hotel e como o quarto 77 possui duas camas foi encaminhada para lá. No entanto, o público a partir da repetição da mesma cena (chegada ao quarto, descanso, surpresa ao acordar e diálogo entre os personagens) é levado ao universo misterioso, surreal e angustiante daquele casal.

"Quarto 77" - em cena - Paulo G.Filho e Maria Laura - foto de Demian Golovat

Do que ou de quem o Homem foge. Quem é aquela Mulher. Crime, briga entre marido e mulher ou mera construção mental do personagem. Amor, amizade ou ódio. Realidade, alucinação ou mistério. As pistas deste quebra-cabeça o autor vai fornecendo a conta-gotas e desta forma vai envolvendo a plateia, num vai e vem no tempo e nas emoções daqueles personagens. Como em todo o desenrolar da trama, o final não poderia ser diferente: um desfecho que provoca surpresa e dá a chave para solucionar todo o drama vivido por aquele Homem preso no quarto de hotel.
O cenário de Heron Medeiros contribui muito para o clima da peça: as pessoas entram na sala de espetáculo e dão de cara com o quarto de hotel, limpo mas ao mesmo tempo descuidado (o banheiro não tem porta, a descarga da privada tem defeito, a luz é acionada por um velho interruptor preso ao teto, a janela não fecha com facilidade, etc). O barulho da cidade — único vínculo com o real — funciona até como um oásis para o transtorno mental daquele Homem.
Além da direção precisa e minuciosa de Roberto Lage, o grande destaque de Quarto 77 é, sem dúvida, a atuação do Paulo Goulart Filho, um ator que construiu sua carreira mesclando dança e teatro e com este trabalho mostra sua evolução e o estágio maduro de sua veia dramática.

Roteiro:
Quarto 77
. Texto: Leonardo Alkmim. Direção: Roberto Lage. Elenco: Paulo Goulart Filho, Maria Laura Nogueira e Gisa Guttervil. Cenografia: Heron Medeiros. Figurino: Milton Fucci. Iluminação: Wagner Freire. Assistente de direção: Aline Meyer. Trilha sonora: Henrique Mello. Fotos: Demian Golovaty. Coordenação de produção: Erika Barbosa. Realização: FAZ Centro de Criação.

Serviço:
Teatro Augusta (302 lugares), Rua Augusta, 943, tel. 3151-4141. Temporada: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às19h. Ingressos: R$ 50,00 (meia: R$ 25,00). Bilheteria: 4ª a 5ª (14h às 21h), 6ª (14h às 21h30), sáb (15h às 21h) e dom. (15h às 19h). Antecipados: www.ingressorapido.com.br (tel: 4003-1212). Duração: 70 min. Classificação: 14 anos. Ar condicionado. Estacionamento conveniado. Até 08 de abril de 2012.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , , , , , ,

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