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29/03/2012 - 00:59

Antonio Fagundes e seu filho, Bruno Fagundes, estão juntos em Vermelho

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Nanda Rovere, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Vermelho" - Foto de Ivan Abujamra

Protagonizada por Antonio Fagundes e por seu filho, Bruno Fagundes, Vermelho tem tradução de Rachel Ripani, figurinos de Fabio Namatame, produção de Antonio Fagundes e Jorge Takla

SÃO PAULO – Marcando a inauguração do Teatro Geo, Vermelho apresenta o encontro com o consagrado artista Mark Rothko e o seu jovem assistente Ken. Dirigida por Jorge Takla, Vermelho, de John Logan (roteirista de A Invenção de Hugo Cabret), estreia na próxima sexta-feira (30), 21h30.

O desejo de montar a peça ocorreu de for ma bastante interessante: Antonio e Bruno se encantaram pelo texto, que conheceram através de amigos e, numa conversa, ao comentarem sobre esse encantamento, descobriram que estavam falando da mesma obra, Vermelho.

A peça se passa entre 1958 e 1959, momento em que o pintor russo naturalizado norte-americano, Mark Rothko, está criando paineis para o restaurante Four Seasons, em Nova York.

Famoso por encabeçar o Expressionismo Abstrato, o artista aceitou a encomenda porque o pagamento oferecido era de grande valor. Para ajudá-lo no trabalho, necessita de um novo assistente.

Bruno Fagundes vive Ken

A chegada de Ken marca o encontro entre um artista consagrado e um jovem aprendiz.

Ken é o escolhido e se vê diante de uma figura emblemática. Faz de tudo para aprender com o pintor, que é um catalisador de ideias e indaga sobre a arte e as gerações.

A relação entre um homem de meia idade amargo e um jovem de 22 anos e cheio de vida é a espinha dorsal da peça.

Fagundes destaca que há um embate de gerações muito produtivo e cita uma frase que resume o teor da relação pintor e aprendiz: ¨Não é um conflito que se estabelece em cena, é uma simbiose¨, diz o ator.

Rothko era alegre na juventude, mas se tornou amargo. Um artista purista que vive o dilema de ter que abrir mão dos seus princípios e por isso se transforma numa pessoa amarga.

Vermelho fala da arte como mercadoria e suscita discussões pertinentes a todas as artes.

Os personagens assimilam as crises e indagações um do outro e há uma simbiose entre eles. Depois, eles se separam, mas a força do encontro é muito forte. A peça fala de um momento de suma importância para a arte ocidental e trata de assuntos como mestre e discípulo, amizade, pai e filho e ideologia.

Antonio Fagundes vive Mark Rothko

¨É um texto amplo em humanidade”, salienta o ator.¨É muito bonito  ver como eles trocam experiências”, complementa Bruno Fagundes.
Segundo os atores, Vermelho é um texto difícil, complexo, devido à linguagem elaborada, mas a tradução de Rachel Ripani, segundo Antonio Fagundes, é de excelente qualidade e preserva a essência do texto original. “O conteúdo pode ser bem assimilado mesmo por quem não é especialista em arte”, completa.

A equipe do espetáculo mergulhou fundo no universo do escritor e houve muita paixão pelo conteúdo da obra.

Sobre a sensação de estar ao lado do pai, o ator afirma: ¨É muito estimulante estar com o meu pai em cena. É um aprendizado que levarei para a minha vida toda. Dividir com o meu pai e com o Jorge (Takla) esse momento da minha carreira é muito importante para mim¨, destaca.

Para Bruno é um desafio a estreia, mas ele não se sente intimidado por estar ao lado do pai em cena: “A cobrança e a pressão acontecem de qualquer maneira. Enfrento as dificuldades que qualquer ator enfrentaria. Não me sinto pressionado por ser filho do Antonio Fagundes, afirma. No palco a relação pai-filho cede lugar ao profissionalismo, já que a relação entre os personagens é complexa e intensa, não sobrando tempo para que haja durante a apresentação um contato que não seja profissional entre os atores”, complementa Bruno.

Takla e Fagundes haviam trabalhado juntos em Últimas Luas e carregavam desde então a vontade de realizarem mais trabalhos em parceria. Takla conta que a sua direção prima pela simplicidade, é centrada na atuação dos atores e tomou forma a partir de leituras de mesa e pesquisas, além de workshops de pintura para a criação dos personagens. Sobre a escolha de Bruno Fagundes para o papel do assistente, o diretor conta que ele e Fagundes haviam pensado em vários atores, mas ao fazerem uma leitura do texto com a participação de Bruno, viram que ele era o ator ideal para o trabalho. Sobre a atuação do ator, o diretor tece elogios: ¨ É estimulante trabalhar com atores que pesquisam e Bruno tem se dedicado muito aos estudos para viver o personagem¨, conta.

O cenário merece destaque, pois a sua dimensão certamente atrairá os olhares da plateia, na medida em que apresenta telas inspiradas nas criações do pintor, releituras criadas pelo artista plástico Marco Saques.

Vermelho ficará em cartaz quatro meses no Teatro Geo, até julho. A ideia é ampliar a temporada na capital paulista e viajar pelo Brasil.

No saguão do teatro haverá uma exposição que mostrará ao leitor detalhes sobre a vida e a obra de todos os artistas citados no texto. O público, ao ver a exposição, entenderá melhor o que é falado no palco.

Fagundes, em suas temporadas, tem a tradição de realizar bate-papos com a plateia e salienta que a opinião das pessoas o influencia na escolhas dos seus projetos para o teatro. Para a temporada de Vermelho, a ideia é manter esta tradição: ¨Acredito no espectador sensível, que se dedica à apreciação do nosso trabalho. O ator precisa do olhar sensível do espectador sentado na plateia”, afirma o ator. Vale a pena ficar ligado na agenda do teatro. O ator está em negociação com os administradores do teatro Geo para realizar esses encontros após todas as sessões do espetáculo.

Equipe técnica:

Elenco: Antonio Fagundes e Bruno Fagundes
Direção: Jorge Takla
Texto: John Logan
Tradução: Rachel Ripani
Figurinos: Fábio Namatame
Iluminação: Ney Bonfante
Cenário: Jorge Takla

Serviço

Vermelho
Estreia: 30 de março, às 21h30
Local: Teatro GEO – Rua Coropés, 88 – tel. 3728.4930 – (próximo ao metro Faria Lima) – www.teatrogeo.com.br
Horários: quinta e sábado, às 21h; Sexta, às 21h30 e Domingos, às 18h.
Preços: Plateia R$ 120,00 e Balcão R$ 100,00
Duração: 80 minutos
Classificação Etária: 12 anos
Estacionamento: Valet c/ manobrista = R$ 25,00
Horário de funcionamento da bilheteria: terça, quarta e domingo das 12 às 20h; quinta, sexta e sábado, das 12 às 21h. As vendas para o espetáculo do dia serão encerradas 15 minutos antes do início do espetáculo.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Matérias Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

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