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02/04/2012 - 22:59

Última semana para conferir O Filho Eterno

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Pai precisa aprender a lidar com a deficiência do filho

Charles Fricks, melhor ator do prêmio Shell/RJ, interpreta o pai que entra em crise com o nascimento do filho, portador de síndrome de down. Bruno Lara Resende assina a adaptação, do sucesso literário de Cristovão Tozza, e Daneil Herz, a direção

SÃO AULO – Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, os paulistanos só têm até o próximo domingo (8) para conferir no Teatro Anchieta (SESC Consolação) O Filho Eterno, adaptação teatral do premiado livro de Cristovão Tezza que retrata a difícil relação de um pai com o nascimento de seu primeiro filho, portador de síndrome de down.

A transposição de qualquer obra artística de um veículo para outro é sempre delicada. Quando se trata de um livro que venceu diversos prêmios nacionais e internacionais (inclusive o prêmio Jabuti em 2008) a tarefa é ainda mais árdua. No entanto Bruno Lara Resende foi feliz na adaptação da história de Cristovão Tezza para os palcos: optou por um monólogo, o que acentuou ainda mais o drama do pai que é obrigado a lidar com suas próprias limitações diante do nascimento do primogênito, portador de síndrome de down.

Sob direção de Daneil Herz, Charles Fricks é este pai em crise, o que já lhe rendeu o prêmio Shell/RJ 2012 de melhor ator.

Além da precisa iluminação de Aurélio de Simoni, o ator dispõe de uma única cadeira como cenário para viver o drama daquele pai que, de uma alegria e euforia inicial com a notícia do nascimento de seu primeiro filho, é obrigado a encarar a frustração e a dor com a constatação que o garoto possui uma deficiência mental congênita, chamada de trissomia do 21, em que a criança nasce dotada de três cromossomos 21, e não dois, como é normal. É a chamada síndrome de down, que além de alterações faciais provoca dificuldades de aprendizado, retardo intelectual, doenças no coração e dificuldades na audição.

No entanto, a criança com esta síndrome deve ser estimulada com fisioterapia, fonoaudiologia e educação especial para o desenvolvimento e integração social. Todo este processo é amplamente vivenciado na obra do escritor, que dá ênfase à relação que se estabelece entre pai e filho.
No livro, fiquei com a impressão que a transformação de sentimentos do pai é muito mais sofrida do que no monólogo teatral. Além da passagem da euforia para a frustração depois de constatar a anomalia do filho, há, principalmente, o nascimento do afeto entre o adulto e a criança.

Como toda a história é narrada pelo pai, a revolução interior fica mais evidente no palco, graças ,é claro, à interpretação visceral de Charles Fricks.

O ator Charles Fricks recebeu o Prêmio Shell de Teatro (RJ) pelo trabalho

O ator, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, acredita que mais do que a dificuldade em lidar com um filho portador de síndrome de down, o texto de Tezza é sobre relacionamento humano.

“Pra mim, o livro é sobre a dificuldade de aceitar o diferente. O que está em questão é, sobretudo, a intolerância; queríamos que a adaptação tivesse esta abrangência”, argumenta Fricks.

O Filho Eterno, em cartaz somente até o próximo domingo, é uma das grandes montagens teatrais da cidade. Pena que a temporada foi tão pequena.

Roteiro:
O Filho Eterno
. Texto: Cristovão Tezza. Adaptação: Bruno Lara Resende. Direção: Daniel Herz. Elenco: Charles Fricks. Figurino: Marcelo Pies. Cenário: Aurora dos Campos. Direção musical: Lucas Marcier. Iluminação: Aurélio de Simoni. Direção de movimento: Márcia Rubin. Fotos: Dalton Valério. Produção Executiva: Ana Lelis e Juliana Moreira

Serviço:

SESC Consolação Teatro Anchieta (280 lugares), Rua Dr. Vila Nova, 245, Tel. 3234.3000. Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 18h. Não haverá sessão no dia 06/04 – feriado. Ingressos: R$ 32 e R$ 16 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 8 (trabalhador no comércio e serviço matriculado no SESC e dependentes). Formas de pagamento: dinheiro, cheque (à vista) e cartões. Duração: 80 minutos. Não recomendado para menores de 12 anos. Temporada: até 08/04.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

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