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18/04/2012 - 03:42

Elias Andreato e Leonardo Miggiorin magnetizam plateia em Equus

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Leonardo Miggiorin e Patrícia Gasppar em "Equus"

Com adaptação e direção de Alexandre Reinecke, texto de Peter Shaffer retrata a difícil relação entre o psiquiatra e seu paciente, o rapaz que é internado depois de cegar cinco cavalos

SÃO PAULO – A montagem de Equus encenada no Teatro Folha não dá trégua aos espectadores. Começando pelo cenário, assinado por André Cortez — um haras estilizado lembrando grades de prisão —, a tensão e os conflitos marcam todo o espetáculo.

Já no prólogo, Dr. Maritn Dysart, o psiquiatra interpretado com brilhantismo por Elias Andreato, dá o tom denso e misterioso da trama: o que levaria o adolescente Alan (vivido por Leonardo Miggiorin), de classe média e aparentemente saudável, a cometer crime tão violento e sem justificativas aparentes? Como o garoto que tinha verdadeira fixação por cavalo chegaria a cegar cinco animais?

O autor, por meio do método minucioso e criterioso da psiquiatria, vai levantando hipóteses sobre as razões do crime e assim envolve o público do início ao fim.
O que conduz a trama não é a descoberta da autoria do crime, já que o médico é chamado para elucidar o caso depois do ocorrido. A elucidação do ato criminoso é o fio condutor da peça: o médico busca desvendar as condições psíquicas do rapaz para cometer tamanha atrocidade.

Para isto, Dr. Dysart inicia uma intensa investigação sobre a vida de Alan, filho de um comunista, funcionário de gráfica (Jorge Emil), e de uma dona de casa muito religiosa (Patrícia Gasppar). As informações técnicas do processo são dadas ao médico pela autoridade judicial (Mara Carvalho), mas o que mais auxilia a investigação são os depoimentos trazidos pelos pais do adolescente. Alan, nas sessões com o psiquiatra, vai de um pólo a outro, da introspecção e rebeldia à entrega e confiança plena.

Leonardo Miggiorin e Bruna Thedy em "Equus"

O cativante do texto de Peter Shaffer é que mais do que entender o caso de Alan, durante o processo terapêutico quem mais se recicla e se questiona como pessoa e como profissional é o próprio médico.

O impacto maior fica mesmo para as cenas em que Alan demonstra seu fascínio e atração pelo cavalo: só e na calada da noite é que o garoto, totalmente nu, vai ao estábulo onde trabalha e vive o êxtase ao cavalgar.

“Alan é apaixonado, intenso, tem um grau de desequilíbrio tênue. Cuido para não deixá-lo estereotipado ou caricato, mas ao mesmo tempo, ele beira a esquizofrenia, tem uma faísca de loucura, de surto. A relação que ele tem com os cavalos é espiritual. Ele enxerga o sagrado, o divino nesta relação. Ele me exige muita concentração, é preciso muita energia”, confessa o ator.

Além da interpretação visceral de Leonardo Miggiorim, outro destaque de Equus — montada no Brasil em 1976 por Celso Nunes, com Paulo Autran e Ewerton de Castro nos papéis centrais — é a belíssima condução do espetáculo por Elias Andreato.

Com a direção precisa de Reinecke, o ator dá o tom exato para o texto envolvente e misterioso de Peter Shaffer. O espetáculo marca a reabertura do Teatro Folha, que passou por uma reforma, e permanece em cartaz até início de julho.

Roteiro:
Equus
. Dramaturgia: Peter Shaffer. Adaptação e direção: Alexandre Reinecke.  Elenco: Elias Andreato, Leonardo Miggiorin, Patrícia Gasppar, Jorge Emil, Mara Carvalho, Léo Steinbruch, Gustavo Malheiros, Bruna Thedy e Fernanda Cunha. Cenários: André Cortez. Figurinos: Renata Young. Iluminação: Paulo Cesar de Medeiros. Direção musical: Tunica. Preparação corporal: Carol Mariottini. Fotografia: Chris Ceneviva. Coordenação de produção: Isabel Gomez.

Serviço:
Teatro Folha (305 lugares), Shopping Pátio Higienópolis, Av. Higienópolis, 618, tel: (11) 3823-2323. Horários: sexta, 21h30, sábado, 21h e domingo, 20h. Ingressos: R$40 (setor 2) e R$60 (setor 1). Televendas: (11) 3823-2737 ou: www.teatrofolha.com.br. Vendas por telefone e internet. Aceitamos dinheiro e cartões. Estudantes e idosos têm descontos legais. Clube Folha 25% desconto. Horário da bilheteria: de terça a quinta, das 15h às 21h; sexta, das 13h às 24h, sábado, das 12h às 24h e domingo, 12h às 20h.  Acesso para deficientes físicos, ar condicionado. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Temporada: até 1º de julho.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas Tags: , ,

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