Publicidade

Publicidade
02/05/2012 - 21:20

Grávido: esquetes divertidos sobre como ser pai nos dias de hoje

Compartilhe: Twitter

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Comédia coloca questões para pais de primeira viagem

Sob a direção de Alexandra Golik, comédia escrita por três atores — e pais de filhos pequenos — revela a visão masculina da gravidez, geralmente pouco valorizada. Marcelo Laham e Fábio Herford (autores ao lado de Gustavo Kurlat) encarnam no palco as mais engraçadas situações sobre a condição de ser pai

SÃO PAULO – Com um início eletrizante (profusão de luzes e sons), numa espécie de caixa o ator se debate, imitando os movimentos de um feto. Nasceu e agora? Engana-se quem imagina que o nascimento encenado no palco se refere a uma criança. Não, quem acaba de nascer é o PAI! É desta forma que a peça Grávido- a comédia do pai moderno, em cartaz no Teatro Cleyde Yáconis, dá o pontapé inicial numa sequência de esquetes hilários sobre a revolução emocional que o homem vive a partir do momento que sabe da gravidez da esposa.

Dirigida por uma mulher, Alexandra Golik, mas composta por três homens (Marcelo Laham, Fábio Herford e Gustavo Kurlat), a comédia mostra as diversas situações que o homem vive durante a gravidez, desde a notícia (que pode provocar diferentes reações), as dificuldades de lidar com as emoções da mulher durante este período, a sua total incapacidade diante de tarefas domésticas até seu encantamento com a criança que cresce e passa a compartilhar a vida com ele.

Do riso solto à emoção profunda, a peça fala da “imensidão do amor, assunto que não sai de moda e toca a todo o mundo”, de acordo com a diretora.

Marcelo Laham que tem um garoto de quase três anos e Fábio Herford, pai de uma garotinha, protagonizam "Grávido"

No palco, dois dos autores — Marcelo Laham que tem um garoto de quase três anos e Fábio Herford, pai de uma garotinha — protagonizam todos os esquetes sobre a condição de ser pai nos dias de hoje.

E há muitas diferenças: além da tecnologia (a cena da babá eletrônica não deixa ninguém na plateia sem dar boas gargalhadas), o homem atualmente é mais participativo na criação dos filhos, o que não ocorria nos tempos dos nossos avós.

O que o texto enfatiza é que não só a mulher passa pela difícil tarefa de gerar uma criança: o pai também sofre, tem dúvidas, angústias, alegrias, medos e satisfação pela condição de colocar um ser no mundo. Estão como as companheiras, grávidos:
“Contar o que acontece na vida do homem com a gravidez cria um contexto muito propício tanto para uma crítica quanto para uma auto-avaliação de toda a situação, fazendo com que o espetáculo seja ao mesmo tempo bem divertido, mas cheio de ternura e poesia”, explica Alexandra Golik.

Um grande facilitador da conexão entre os esquetes é o cenário de Marco Lima: uma estrutura transparente, como um tapume, que se movimenta e forma desde um quadrado até uma parede divisória; nesta estrutura são projetadas imagens que ligam e complementam as cenas. A iluminação de Wagner Freire também é outra grande aliada para a concepção cênica da direção.

Destaque também para a trilha sonora, assinada por Gustavo Kurlat, o terceiro autor da peça, que contou com a participação especial de Ronnie Von na interpretação da canção que encerra a peça, Até parece.
Fico sempre num dilema em ir a estreias de espetáculos: a adrenalina de toda a equipe no primeiro dia pode ser benéfica para o resultado final e pequenos erros passam despercebidos; por outro lado, há espetáculos que necessitam do contato com o público para que tudo se encaixe e saia tudo bem. A comédia precisa ainda mais desta troca palco/ plateia, há o tempo exato da piada e, às vezes, na estreia há ainda um descompasso entre o texto cômico dito e a receptividade dos espectadores. Foi exatamente isto o que senti em Grávido: em algumas cenas não houve a interação desejada entre ator e público. No entanto, Marcelo Laham na maioria de seus esquetes tem a plateia em suas mãos, tem pleno domínio em cena.

Roteiro:
Grávido
. Texto: Gustavo Kurlat, Marcelo Laham e Fábio Herford. Direção: Alexandra Golik. Elenco: Marcelo Laham e Fábio Herford. Trilha sonora: Gustavo Kurlat. Cenário: Marco Lima. Iluminação: Wagner Freire. Direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro.

Serviço:
Teatro Cleide Yáconis (288 lugares), Avenida do Café, 277, Estação Conceição do metrô. Informações: 11 5070 7018. Horários: sextas, às 21h30, sábado, às 21h e domingos, às 18h. Ingressos: sextas R$ 30, sábados R$ 40 e domingos R$ 30. Bilheteria: terça a sexta, das 14 às 20 horas; sábados e domingos das 14 até o início do espetáculo. Pagamento: cartões e dinheiro. Venda pela internet: www.ingressorapido.com.br e telefone: 11 4003 1212. Venda para grupos 11 3334 1358. Estacionamento no local. Censura: 12 anos. Duração: 80 Minutos.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , ,

Ver todas as notas

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo