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04/05/2012 - 18:52

A Mecânica das Borboletas retrata conflito entre irmãos

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"A Mecânica das Borboletas" - foto de Guga Melgar

Eriberto Leão e Otto Júnior são os gêmeos Rômulo e Remo que assumem posturas opostas na vida e 20 anos depois precisam fazer um acerto de contas. Suzana Faíni e Ana Kutner completam o elenco da peça de Walter Daguerre dirigida por Paulo de Moraes


SÃO PAULO – O argumento de A Mecânica das Borboletas, em cartaz no Teatro Anchieta (SESC Consolação), nasceu depois que o dramaturgo Walter Daguerre passou uma temporada numa fazenda gaúcha em que os afazeres eram somente os rurais e campestres, nada da vida urbana e tecnológica. estes opostos (urbano/rural, digital/analógico) motivaram o autor a criar os gêmeos Rômulo e Remo, interpretados respectivamente por Eriberto Leão e Otto Júnior, que encarnam ideais de vida opostos e ao mesmo tempo muito próximos e inconciliáveis: a liberdade que o mundo oferece e a responsabilidade em cuidar da família.

Rômulo deixa o lar e se aventura pelo mundo, tornando-se um escritor de sucesso; já Remo assume a oficina mecânica deixada pelo pai após sua morte, casa-se e cuida da mãe, que ficou perturbada com tantas perdas. A volta do filho pródigo provoca atritos e uma reviravolta no destino de toda a família.

Num cenário criativo — assinado por Carla Berri e pelo diretor Paulo de Moraes— em que a oficina, a cozinha e o jardim da casa se misturam – como acontece nas relações familiares que se entrelaçam -, a chegada de Rômulo desestrutura o ambiente.

Como ficou 20 anos longe da cidadezinha do interior, no sul do país, não sabe da morte do pai e muito menos que a mãe, interpretada com esmero e sensibilidade por Suzana Faíni, hoje vive entre a realidade e a fantasia que criou para si.

No entanto, o maior conflito é com o irmão: o ideal pela aventura é comum em ambos, mas Remo precisou assumir a chefia da casa e direcionou o desejo de viajar na construção de uma moto Harley Davidson, que permanece parada pela falta de uma única peça, a borboleta do carburador.

"A Mecânica das Borboletas" - foto de Guga Melgar

O atrito entre os irmãos se acirra ainda mais quando Rômulo descobre que o irmão casou-se com sua antiga namorada Liza (Ana Kutner).

Perdas, frustrações, culpas, cobranças, amor, raiva, enfim uma gama de sentimentos é o que os gêmeos e Liza (o terceiro vértice do triângulo) precisam digerir para prosseguir na trajetória da vida.

Entre os destaques de A Mecânica das Borboletas, ressaltaria a iluminação de Maneco Quinderé que valoriza cada detalhe do cenário e o clima de animosidade e interação entre os dois irmãos. A interpretação de Suzana Faíni para a perturbada Rosália é comovente e Eriberto Leão sabe levar seu carisma para a composição do escritor que volta para as suas raízes com a intenção de dar novo salto em sua vida afetiva e profissional.

Roteiro:
A Mecânica das Borboletas
. Texto: Walter Daguerre. Direção: Paulo de Moraes. Elenco: Ana Kutner, Eriberto Leão, Otto Jr e Suzana Faíni. Produção executiva: Gabriel Bortolini. Cenário: Carla Berri e Paulo de Moraes. Iluminação: Maneco Quinderê.  Figurinos: Rita Murtinho. Trilha sonora original: Ricco Viana. Direção de produção: Bianca de Felippes.

Serviço:
Teatro Anchieta, SESC Consolação (280 lugares), Rua Dr. Vila Nova, 245, tel. 3234-3000. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo 18h. Ingressos: Ingressos: R$ 32 e R$ 16 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 8 (trabalhador no comércio e serviço matriculado no SESC e dependentes). Formas de pagamento: dinheiro, cheque (à vista) e cartões. Duração: 80 minutos. Recomendação: 12 anos.
Temporada: até 27/05.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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