Publicidade

Publicidade
29/05/2012 - 22:48

Gabriel Villela apresenta a sua versão para Macbeth

Compartilhe: Twitter

Nanda Rovere, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Macbeth" - foto de João Caldas

SÃO PAULO – A história de Macbeth, um homem ambicioso, que, com a ajuda da mulher, Lady Macbeth, elabora um plano para assumir o trono, será protagonizada pelo ator Marcello Antony.  A impiedosa Lady Macbeth será interpretada pelo ator Claudio Fontana. Na montagem que estreia nesta quinta-feira (31), para convidados, no Teatro Vivo, a direção é assinada por Gabriel Villela.

No elenco, formado apenas por homens, estão, além de Antony e Fontana: Hélio Cicero, Marco Antônio Pâmio, Carlos Morelli, José Rosa, Marco Furlan e Rogério Brito.  A luz é de Wagner Freire e a direção de movimento é de Ricardo Rizzo. Os adereços são de Shicó do Mamulengo. A tradução, inédita, leva a assinatura por Marcos Daud.

Macbeth é a terceira direção de Villela baseada em texto do dramaturgo inglês. Estreia logo após a ida de Romeu e Julieta, com o Grupo Galpão, para Londres. A peça esteve pela segunda vez no Globe Theatre, em Londres. Foram duas apresentações que fizeram parte de uma programação cultural que antecede os Jogos Olímpicos deste ano. Também está viajando pelo Brasil, com passagem prevista por São Paulo, Sua Incelença Ricardo III, encenação de Gabriel Villela com o grupo Clowns de Shakespeare, de Natal.

Resultado de um desejo de Gabriel Villela e Antony, que vem desde a primeira parceria entre esses artistas – Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues – de montarem, juntos, uma obra de Shakespeare, o encontro se dá em Macbeth. Segundo Villela, atores do porte de Antony “devem mergulhar na fábula shakespeariana para tirar um futuro bem aventurado para todos nós”. Para ele, a trama dessa “tragédia escocesa” conta a “história de um serial killer, que juntamente com a sua mulher, é guiado pela cobiça e ganância pela conquista do trono. A força de Macbeth tem parentesco com a tragédia, na medida em que gera uma energia destruidora”.

O desejo da encenação é, pois, “refletir sobre a pulsão, capaz de nos colocar em guerra, para conquistar o pelo poder.

“Em Macbeth, nos reconhecemos do começo ao fim. Mesmo que não tenhamos coragem de cometer as mesmas atrocidades que o protagonista-título, nos compadecemos dessa figura”, declara Villela.

Para o diretor, ter um elenco formado apenas por homens, “ilustra uma época em que a mulher era privada de interpretar no palco”, além disso, o diretor considera que “trazer a energia masculina para a cena, de uma certa maneira, evoca um espírito de guerra, primitivo, de delimitação de território, que recupera o que há de mais tribal no ser humano”.

Marcelo Antony encarna Macbeth e Cláudi Fontana, Lady Macbeth

Villela adaptou o texto que continha 20 personagens e colocou em cena oito, introduzindo a figura de um narrador, que, inspirado na renascença inglesa, tem como função suprir a falta dos demais personagens: conta a fábula, convoca as cenas e redimensiona a história para a plateia. Também organiza dados.

“Como se a história saísse do papel e ganhasse vida no palco através do narrador”, aponta o ator Claudio Fontana.

De acordo com a orientação do diretor, os atores apresentam uma interpretação não realista.  A linguagem da peça é apoiada em Brecht, nas proposições de uma estética épica, em que os atores relatam os fatos e deixam com a plateia a tarefa de se emocionar. O espectador é “convidado” a imaginar, construir a história que está sendo contada,  e, assim, a teatralidade e a poesia são valorizadas.

“Na criação de Lady Macbeth, por exemplo, não há voz ou corpo feminino, mas, sim, a preocupação em transmitir a maldade e ambição da personagem”, conta Cláudio Fontana o que, segundo ele, “combina muito com as qualidades metafóricas de Shakespeare e do Gabriel. Shakespeare, quando fala de morte, usa metáforas no texto e Gabriel usa metáforas cênicas e poéticas na sua direção.

“Os teares mineiros, por exemplo, se transformam no castelo de Macbeth; uma antena de carro se transforma numa espada e a coroa da Lady é uma coleira de Pit Bull”, completa Marcelo Antony.

Fontana destaca que Villela, ao desafiar o ator a trabalhar com o não realismo e o distanciamento, garante que o artista se sinta impulsionado a realizar um trabalho interessante. Um processo que o ator compara à “chegada à Shangri-la: difícil, mas que, quando atingido é muito gratificante”.

“Gabriel sabe o que quer, é claro nas suas proposições. Opina sobre a obra que dirige e tem uma estética própria que é desafiadora para o elenco”, finaliza.

Antony salienta que, para a criação dos personagens, os atores entraram em contato com obras relacionadas a Macbeth como livros e filmes.

“Foram realizadas leituras de mesa, com discussões sobre a obra do autor e, em todo processo de ensaios, os atores contaram com uma equipe que deu um grande suporte ao elenco”, afirma Marcelo Antony.

Elenco:

Macbeth – Marcello Antony

Lady Macbeth- Claudio Fontana

Duncan / Macduff- Helio Cicero

Banquo / Dama de Companhia- Marco Antônio Pâmio

Narrador – Carlos Morelli

Bruxa 1 / Nobre- José Rosa

Bruxa 2/ Malcolm / Ross – Marco Furlan

Bruxa 3/ Donalbain / Angus / Velho / Mensageiro/ Porteiro- Rogério Brito

Ficha técnica

Texto – William Shakespeare. Tradução – Marcos Daud. Colaboração – Fernando Nuno. Direção e adaptação – Gabriel Villela. Assistência de Direção – César Augusto, Ivan Andrade e Rodrigo Audi. Figurinos – Gabriel Villela e Shicó do Mamulengo. Cenografia – Marcio Vinicius. Iluminação– Wagner Freire. Antropologia da voz- Francesca Della Monica. Direção de texto – Babaya. Musicalidade da cena – Ernani Maletta. Trilha Sonora – Gabriel Villela. Direção de Movimento – Ricardo Rizzo. Adereços- Shicó do Mamulengo e Veluma Pereira. Apliques e patchwork – Giovanna Vilela. Costureira- Cleide Mezzacapa Hissa. Maquiagem para ensaio fotográfico – Eliseu Cabral. Assistência de Maquiagem para ensaio fotográfico- Patricia Barbosa. Coordenação do Ateliê- José Rosa e Veluma Pereira .Assistência de Cenografia – Julia Munhoz. Cenotécnicos- Jean Carlos e Evandro Nascimento. Diretor de Palco- Alex Peixoto. Operador de luz- Marcelo Violla. Camareira – Marlene Collé. Assessoria de Imprensa- Arteplural – Fernanda Teixeira. Fotografia- João Caldas. Assistência de fotografia – Andréia Machado. Fotografias de ensaio / making of – Dib Carneiro Neto e João Caldas. Programação Visual- Dib Carneiro Neto, Jussara Guedes e Suely Andreazzi. Assistente de Produção Julia Portella e Lucimara Santiago. Produção Executiva – Clissia Morais e Francisco Marques. Direção de Produção – Claudio Fontana

Serviço

Macbeth

Estreia de 1º de junho, sexta, 21h30, no Teatro VIVO – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 860, Itaim / Vila Olímpia. Temporada – de sexta a domingo de 1º de junho a 22 de julho. Sex 21h30; Sáb 21h; Dom 19h. R$ 50 (sex e dom), R$ 70 (sab). 12 anos. Duração de 90 minutos. Serviço de valet – R$ 18,00. Capacidade: 290 lugares. Estacionamento com manobrista: R$15,00 (só dinheiro) Bilheteria: aberta de terça à quinta das 14h às 20h e  de sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Tel: 11 7420-1520. Aceita todos os cartões.

Autor: - Categoria(s): DESTAQUE, Matérias Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Ver todas as notas

1 comentário para “Gabriel Villela apresenta a sua versão para Macbeth

  1. Rodolfo Alex disse:

    quero veeeeee :(

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo