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31/05/2012 - 19:08

Marco Antônio Pâmio de volta a Shakespeare

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Claudio Fontana, Marco Antonio Pâmio e Marcello Antony em "Macbeth"

O ator que estreou no teatro ao lado de Giulia Gam no clássico Romeu e Julieta, direção de Antunes Filho, retorna ao universo shakespeariano em Macbeth, sob a direção de Gabriel Villela que estreia nesta sexta, dia 1º de junho. Acompanhe a seguir entrevista exclusiva

SÃO PAULO – O premiado ator Marco Antônio Pâmio confessa, em entrevista exclusiva, ter sido “treinado como ator” com Shakespeare, já que sua estreia profissional foi justamente na pele de Romeu, no clássico do dramaturgo britânico dirigido por Antunes Filho, em 1984, quando recebeu o prêmio de ator revelação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Quase trinta anos depois, ele está de volta ao universo de William Shakespeare, agora no papel de Banquo, melhor amigo e braço direito doMacbeth, na montagem que Gabriel Vilela estreia nesta sexta-feira, dia 1º de junho, no Teatro Vivo, com Marcello Antony no papel-título.

Pâmio, no entanto, sempre esteve próximo do teatro de Shakespeare: fez pós-graduação no Drama Studio London, onde vivenciou como os ingleses trabalhar a obra no original, aprofundando o texto e a musicalidade de Shakespeare.

Como professor de teatro e diretor, já orientou diversos trabalhos que tinham Shakespeare como centro das discussões. Por isso que não tem dúvida em afirmar:

“Quanto mais maduros nos tornamos, mais compreendemos as infinitas camadas que suas obras possuem. Shakespeare continua sendo, sem sombra de dúvida, o maior dramaturgo que este planeta já conheceu”.

Acompanhe a seguir a entrevista em que o ator fala de sua carreira e do processo de criação em Macbeth.

No CPT/SESC dirigido por Antunes Filho, Marco Antônio Pâmio permaneceu quatro anos (1982 a 85): além de Romeu e Julieta, participou de montagens históricas como Macunaíma, de Mário de Andrade e Nelson 2 Rodrigues. Esteve à frente de montagens de grande impacto junto ao público e à crítica, como a adaptação para o teatro do filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, dirigida por Olair Coan, ou ainda Pobre Super-Homem, de Brad Fraser, direção de Sérgio Ferrara. Outros trabalhos marcantes de sua extensa carreira teatral seriam Um Número, de Lary Churchill, dirigido por Bete Coelho, Edmond, de David Manet e direção de Ariela Goldman, que lhe rendeu outro prêmio APCA de melhor ator. Em 2009 apresentou o monólogo Mediano de Otávio Martins, que deve voltar a ser encenado no segundo semestre e no ano passado participou da comédia de Ariano Suassuna, O Casamento Suspeitoso. Leia a seguir os pontos principais da entrevista:

Aplauso Brasil – Aos 50 anos e quase 30 de carreira profissional, qual importância em participar desta nova produção de William Shakespeare?
Marco Antônio Pâmio – Fiquei muito feliz com o convite do Gabriel Vilela para integrar o elenco de Macbeth, composto exclusivamente por atores homens, tal como as montagens eram realizadas na época de Shakespeare. Eu estava em cartaz com O Casamento Suspeitoso, dirigido pelo Sérgio Ferrara: saí de uma comédia farsesca, essencialmente brasileira, direto para uma tragédia shakespeariana. Pode haver exercício de versatilidade maior que esse?

AB – Outro Shakespeare vem coroar seus 30 anos de carreira?
Pâmio – Fazer um texto de Shakespeare é sempre uma mistura estimulante de desafio e prazer. E, quanto mais maduros nos tornamos, mais compreendemos as infinitas camadas que suas obras possuem. Ele continua sendo, sem sombra de dúvida, o maior dramaturgo que este planeta já conheceu.

AB – Como analisa a ligação com o dramaturgo britânico em sua formação profissional?
Pâmio – Uma vez que adentramos a obra de Shakespeare e nos apaixonamos por ela (e não há como não se apaixonar), somos capazes de passar uma vida inteira dedicada a ela e mesmo assim muita coisa ainda poderá não ser acessada, tamanha sua vastidão. No meu caso, arrisco dizer que fui treinado como ator sobre um texto de Shakespeare, já que o Romeu e Julieta embasava todo o método de ator desenvolvido pelo Antunes Filho nos primórdios do CPT. Voltar a estudar a obra dele passou a ser quase uma necessidade. Minha experiência no Drama Studio me fez ter uma perspectiva de como os ingleses trabalham sua obra no original, as questões mais técnicas, ligadas ao verso e à musicalidade da palavra, muitas vezes perdidas num processo de tradução.

AB – Em 2010 você foi o representante brasileiro no Simpósio Internacional sobre o Teatro de William Shakespeare; como foi este evento?
Pâmio – Todo ano o Shakespeare Globe Theatre, de Londres, realiza o Globe Education Cultural Seminar, patrocinado pelo ESU (English Speaking Union), em que 30 representantes de 30 países diferentes se reúnem para um grande encontro sobre a obra shakespeariana e sua difusão pelo mundo; há debates, aulas com os profissionais de várias áreas das montagens do Globe (corpo, voz, texto, análise dramatúrgica), acompanhamento das produções em cartaz e discussões sobre aspectos da tradução em línguas tão diversas. Fui representando o Brasil, durante duas semanas em que se respirava Shakespeare 24 horas por dia. Inesquecível!

"Macbeth" - foto de João Caldas

AB – Além de atuar, você também dirigiu peças de Shakespeare?
Pâmio – Além das montagens que fiz em Londres como ator, dirigi três montagens aqui no Brasil com um grupo formado a partir de oficinas que ministrei sobre o teatro de Shakespeare, oportunamente chamado “Filhos de Próspero”: As Alegres Comadres de WindsorConto de InvernoTímon de Atenas, que se revezavam em repertório no Teatro da Cultura Inglesa e eram apresentadas em português. Também dirigi Noite de Reis com uma turma de alunos na Escola Wolf Maya e novamente As Alegres Comadres com outra turma na Escola Célia Helena.

AB – Como estas experiências com o teatro e o universo de Shakespeare ajudaram nesta nova montagem de Macbeth?
Pâmio – É sempre bom ter uma experiência anterior, pois a troca é sempre positiva para o trabalho. O Gabriel também vem de uma montagem antológica e inesquecível de Romeu e Julieta, com o Grupo Galpão, e mais recentemente Ricardo III, com os Clowns de Shakespeare. Tenho aprendido muito com ele, principalmente como ele traz à tona toda a poética, a delicadeza e o caráter lúdico contidos em uma obra tão violenta como é Macbeth.

AB – Qual o seu personagem e como está sendo o processo de criação?
Pâmio – Meu personagem é o Banquo, melhor amigo e braço direito do Macbeth, (interpretado pelo Marcello Antony), e que também ouve das três bruxas as profecias que transformam o destino do protagonista ao longo da história. Só que, enquanto Macbeth trilha o caminho da sombra e comete todos aqueles crimes horrendos, ele se mantém reto e íntegro com sua consciência. É como se ele fosse o “lado bom” de Macbeth, lado esse que o herói-tirano precisa exterminar em sua jornada obsessiva pelo poder. O Gabriel tem se preocupado até a medula com a clareza do texto, optando por uma interpretação não-realista, mais brechtiana e distanciada, por parte dos atores. Somos um grupo de oito atores preocupados em contar a história de Macbeth, mais do que efetivamente “vivê-la”, no sentido stanislavskiano do termo. Todos nós nos revezamos na função de atores, personagens e contrarregras, no afã de tornar a fábula clara e apoiada no poder da palavra.

AB – Fale um pouco deste período que antecede a estreia: rotina de trabalho, estudos, ensaios, relação com equipe, expectativas para a estreia.
Pâmio – Começamos a ensaiar no início de março, mas já tínhamos material para estudo e leitura desde janeiro, quando tivemos um primeiro encontro com equipe e elenco. Além de muito trabalho de mesa, que envolveu análise profunda da obra e a comparação de várias traduções, o processo também englobou aulas de corpo, música e voz, este último desenvolvido por uma profissional incrível que o Gabriel trouxe da Itália, Francesa della Monica. Ela trabalha o conceito de antropologia e espacialização da voz de uma maneira muito especial, no sentido de unificar o “corpo vocal” do elenco. Foram incríveis as aulas com ela.

AB – Qual sua expectativa e o que espera deste novo trabalho?
Pâmio  – Espero que o público embarque na história desse serial killer através da veia lúdica e poética que o Gabriel propõe como encenador. Que a jornada desse homem que se deixa levar pela ambição desenfreada reverbere na mente e no coração de cada espectador que compartilhar conosco dessa experiência.

Elenco:

Macbeth – Marcello Antony

Lady Macbeth- Claudio Fontana

Duncan / Macduff- Helio Cicero

Banquo / Dama de Companhia- Marco Antônio Pâmio

Narrador – Carlos Morelli

Bruxa 1 / Nobre- José Rosa

Bruxa 2/ Malcolm / Ross – Marco Furlan

Bruxa 3/ Donalbain / Angus / Velho / Mensageiro/ Porteiro- Rogério Brito

Ficha técnica

Texto – William Shakespeare. Tradução – Marcos Daud. Colaboração – Fernando Nuno. Direção e adaptação – Gabriel Villela. Assistência de Direção – César Augusto, Ivan Andrade e Rodrigo Audi. Figurinos – Gabriel Villela e Shicó do Mamulengo. Cenografia – Marcio Vinicius. Iluminação– Wagner Freire. Antropologia da voz- Francesca Della Monica. Direção de texto – Babaya. Musicalidade da cena – Ernani Maletta. Trilha Sonora – Gabriel Villela. Direção de Movimento – Ricardo Rizzo. Adereços- Shicó do Mamulengo e Veluma Pereira. Apliques e patchwork – Giovanna Vilela. Costureira- Cleide Mezzacapa Hissa. Maquiagem para ensaio fotográfico – Eliseu Cabral. Assistência de Maquiagem para ensaio fotográfico- Patricia Barbosa. Coordenação do Ateliê- José Rosa e Veluma Pereira .Assistência de Cenografia – Julia Munhoz. Cenotécnicos- Jean Carlos e Evandro Nascimento. Diretor de Palco- Alex Peixoto. Operador de luz- Marcelo Violla. Camareira – Marlene Collé. Assessoria de Imprensa- Arteplural – Fernanda Teixeira. Fotografia- João Caldas. Assistência de fotografia – Andréia Machado. Fotografias de ensaio / making of – Dib Carneiro Neto e João Caldas. Programação Visual- Dib Carneiro Neto, Jussara Guedes e Suely Andreazzi. Assistente de Produção Julia Portella e Lucimara Santiago. Produção Executiva – Clissia Morais e Francisco Marques. Direção de Produção – Claudio Fontana

Serviço

Macbeth

Estreia de 1º de junho, sexta, 21h30, no Teatro VIVO – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 860, Itaim / Vila Olímpia. Temporada – de sexta a domingo de 1º de junho a 22 de julho. Sex 21h30; Sáb 21h; Dom 19h. R$ 50 (sex e dom), R$ 70 (sab). 12 anos. Duração de 90 minutos. Serviço de valet – R$ 18,00. Capacidade: 290 lugares. Estacionamento com manobrista: R$15,00 (só dinheiro) Bilheteria: aberta de terça à quinta das 14h às 20h e  de sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Tel: 11 7420-1520. Aceita todos os cartões.

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