Publicidade

Publicidade
06/06/2012 - 18:36

Macbeth, de Shakespeare, sob o prisma de Gabriel Villela

Compartilhe: Twitter

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Marcelo Antony encarna Macbeth e Cláudi Fontana, Lady Macbeth

O diretor optou pela interpretação somente com homens como acontecia nas montagens shakespearianas. Assim, o casal Macbeth é vivido por Marcello Antony e Claudio Fontana, que dividem a cena com Helio Cicero, Marco Antônio Pâmio, Carlos Morelli, José Rosa, Marco Furlan e Rogerio Brito

SÃO PAULO – Já tendo dirigido Romeu e Julieta com o Grupo Galpão e mais recentemente Ricardo III, o diretor Gabriel Villela volta ao universo de William Shakespeare, desta vez para apresentar ao público sua versão para Macbeth, considerada a peça mais soturna do repertório do dramaturgo britânico. A montagem do texto, traduzido por Marcos Daud, estreou na semana passada no Teatro VIVO, permanecendo em cartaz até o final de julho.

Com rigor, Villela — que assina a adaptação do texto e a trilha sonora, além de ter criado o figurino em parceria com Shicó do Mamulengo —, imprime sua personalidade na montagem. Dos 20 personagens originais, ele adaptou para oito, interpretados somente por homens. Contou em sua equipe com a italiana Francesca Della Monica, que trabalhou a concepção de voz do espetáculo, com Babaya, responsável pela direção de texto e com Ernani Maletta que cuidou da musicalidade da cena, além da assessoria de três assistentes de direção, César Augusto, Ivan Andrade e Rodrigo Audi. E o fundamental: o diretor nesta montagem prioriza o texto e a poética de Shakespeare.

Claudio Fontana, Marco Antonio Pâmio e Marcello Antony em "Macbeth"

Aos fãs de teatro, ter acesso a um clássico como Macbeth é sempre uma grande motivação: o enredo, amplamente difundido, provoca a curiosidade do público em saber como ele será conduzido. A trama, que revela o lado mais perverso e tirânico da alma humana, traz no início o jovem Macbeth como herói por ter liderado e vencido batalhas. Em recompensa, o rei Duncan, da Escócia, o condecora; no entanto, corroído pela ambição e instigado pela perversa mulher, ele cede a seu impulso homicida e mata o rei, assumindo o trono. A ganância e luta pelo poder dão início a uma sequência de crimes e assassinatos, culminando com a própria morte do monarca.

Um dos diferenciais da montagem de Gabriel Villela que mais chama a atenção é a movimentação coreográfica dos atores; há uma espécie de traço imaginário em que os atores se movimentam em linha reta e quando falam permanecem com a mesma postura: um pé no chão e o outro só com a ponta do pé apoiada no piso. Lady Macbeth, que Claudio Fontana interpreta com brilhantismo, tem um passo característico: com uma túnica negra esvoaçante, ela desliza pelo palco.

O figurino também merece destaque: a indumentária de guerra foi confeccionada a partir de malas antigas de couro e papelão: “Ao mesmo tempo em que criamos um figurino que remete à guerra, buscamos fazer uma brincadeira lúdica em cima do conceito popular d etransformar um objeto em outro, uma mala em uma armadura de guerra”, explica o diretor.

O cenário de Márcio Vinícius é outro destaque: dois teares justapostos formam uma grande torre, que se movimenta e assume papel central na narrativa cênica.

No entanto, o que sobressai em Macbeth de Gabriel Villela é a interpretação: os oito atores estão coesos e prendem a atenção do público desde a primeira cena. Marcello Antony defende o personagem central com maestria; Marco Antônio Pâmio (ver entrevista exclusiva Marco Antônio Pâmio de volta a Shakespeare), na pele de Banquo magnetiza a plateia, principalmente quando aparece para Macbeth e o aterroriza. Rogerio Brito, Marco Furlan e José Rosa, como as três bruxas, conseguem extrair humor e ironia de situações trágicas e ardis.

Roteiro:
Macbeth.
Texto: William Shakespeare. Tradução: Marcos Daud. Direção e adaptação: Gabriel Villela. Assistência de direção: César Augusto, Ivan Andrade e Rodrigo Audi. Elenco: Marcello Antony, Claudio Fontana, Helio Cicero, Marco Antônio Pâmio, Carlos Morelli, José Rosa, Marco Furlan e Rogério Brito. Figurinos: Gabriel Villela e Shicó do Mamulengo. Cenografia: Marcio Vinicius. Iluminação: Wagner Freire. Antropologia da voz: Francesca Della Monica. Direção de texto: Babaya. Musicalidade da cena: Ernani Maletta. Trilha sonora: Gabriel Villela. Direção de movimento: Ricardo Rizzo. Adereços: Shicó do Mamulengo e Veluma Pereira. Fotografia: João Caldas. Direção de produção: Claudio Fontana

Serviço:
Teatro VIVO (290 lugares), Av. Dr. Chucri Zaidan, 860. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: R$ 50 (sex e dom), R$ 70 (sab).Serviço de valet: R$ 18,00. Estacionamento: R$18,00 (só dinheiro). Bilheteria: aberta de terça a quinta  das 14h às 20h e  de sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Tel: 7420-1520. Aceita todos os cartões. Classificação: 12 anos. Duração de 90 minutos. Temporada: até 22 de julho.

LEIA TAMBÉM

A vida cheia de criatividades em Macbeth

A voz mítica de Macbeth

Gabriel Villela apresenta a sua versão para Macbeth

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores, DESTAQUE Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Ver todas as notas

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo