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19/06/2012 - 23:16

Edson Celulari e Pedro Garcia Netto emocionam em peça

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Edson Celulari e Pedro Garcia Netto dividem a cena em "Nem Um Dia Se Passa Sem Notícias Suas"

Em Nem Um Dia se Passa Sem Notícias Suas,de Daniela Pereira de Carvalho, com direção de Gilberto Gawronski, os atores vivem delicadas e traumáticas relações familiares. O espetáculo fica em cartaz só até o dia 1º de julho. Imperdível! SÃO PAULO – Há muito tempo uma peça não me emocionava tanto como Nem Um Dia se Passa sem Notícias Suas, da jovem dramaturga carioca Daniela Pereira de Carvalho. Claro que o tema central da peça, que está em cartaz no Teatro Cultura Artística Itaim, por si só já emociona: a perda e as consequências que acarreta às pessoas.

Certamente, fui tocado mais profundamente talvez por minha identificação com o personagem Joaquim, interpretado de maneira delicada e contundente por Edson Celulari: com seus cinquenta e poucos anos é forçado pelo destino a resgatar suas memórias, juntar todos os cacos de sua existência depois da morte do pai e descobrir uma nova maneira de enfrentar a vida, que continua apesar de todas as perdas.

A peça, dirigida por Gilberto Gawronski, começa com Joaquim no meio do palco que é a casa onde sempre morou com seus pais e seu irmão Juliano, interpretado por Pedro Garcia Netto.

Aos poucos o espectador compreende a frustração e tristeza de Joaquim: médico bem-sucedido se culpa por não ter conseguido salvar a vida do pai, que se tratava de um câncer, mas morreu de um enfarte fulminante.

Edson Celulari em "Nem Um Dia se Passa Sem Notícias Suas"

O tempo da peça é o da memória e Joaquim, ao remexer o baú das lembranças (objetos da infância, coleção de discos do pai, roupas e utensílios de cada membro da família), revive o passado.

O contraponto do personagem é justamente Juliano, que é ao mesmo tempo o irmão caçula e seu espelho: reflete tudo aquilo que não quer ver e revela a verdade que ele insiste em não enxergar.

Joaquim está ali para se desfazer tanto da casa como de seu passado: sente-se perdido, sem referências. Mas ele é içado para a realidade com a visita do filho, interpretado também por Pedro: o garotão sensível, taxado como ‘emo’, tinha uma ótima relação com o avô e entende perfeitamente o isolamento do pai naquele casarão antigo.

Com a visita do filho, Joaquim percebe que não pode viver de reminiscências e precisa enfrentar a realidade, inclusive para poder con(viver) ao lado das pessoas que ama, a mulher e o filho.

A autora, que teve três de suas peças dirigidas por Gawronski e também contou com Pedro Garcia em três de seus trabalhos, confessa que demorou muito para escrever Nem Um Dia se Passa sem Notícias Suas; mas agradece pela parceria dos atores e do diretor: “A memória — tema central da peça — me instiga: como lidar com membros fantasmas? Levei muito tempo para escrever esta peça, tentando encontrar sua forma ideal para discutir ausência e presença. Só consegui ao contar com meus parceiros”, diz Daniela Pereira de Carvalho.

O grande destaque desta montagem é sem dúvida a dramaturgia: Daniela lida com perda não de maneira melodramática; é direta, com diálogos objetivos e profundos. Algumas falas dos personagens me tocaram por sua carga emotiva e a constatação na realidade (ouvi de minha avó que faleceu aos 102 anos o que o Joaquim fala na peça: “sobrevivi aos meus”!). Não pude conter as lágrimas, que me motivaram a refletir sobre as minhas perdas e como uma crise pode ser propulsora.

Nem Um Dia se Passa sem Notícias Suas vai contra a onda atual de musicais e comédias. É uma peça com um texto rico e emocionante, que provoca reflexão profunda. Pena que o grande público às vezes não se dá conta de espetáculos de tamanha importância como este.

Roteiro: Nem Um Dia se Passa, Sem Notícias Suas. Texto: Daniela Pereira de Carvalho. Elenco: Edson Celulari e Pedro Garcia Netto. Direção e cenografia: Gilberto Gawronski. Figurinos: Nelo Marrese. Iluminação: Paulo Cesar Medeiros. Trilha sonora: Rodrigo Marçal. Direção de movimento: Márcia Rubin. Design gráfico: Daniel Gnattali. Fotografia: Camila Coutinho. Coordenação de produção: Elvira Celulari. Realização: Cinelari Produções Artísticas Ltda. Serviço: Teatro Cultura Artística Itaim, Av. Pres. Jucelino Kubitschek, 1830, Tel: (11) 3258-3344. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: sexta R$ 50,00, sábado R$ 70,00 e domingo R$ 60,00. Classificação: 14 anos. Duração: 70 minutos. Temporada: até 1º de julho.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores, DESTAQUE Tags: , , , , , ,

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