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28/06/2012 - 01:27

Novo projeto pretende agitar a dramaturgia brasileira contemporânea

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG (Michel@aplasobrasil.com)

Marici Salomão

SÃO PAULO – Até a próxima segunda-feira (2) você pode enviar seu texto curto (CLIQUE AQUI para ler o regulamento) para concorrer à análise dos pareceristas do projeto Dramaturgias Urgentes, coordenação artistica e curadoria da dramaturga e jornalista Marici Salomão, que, com uma série de ações como debates e workshops, pretende agitar o morno ambiente da dramaturgia brasileira contemporânea, pois há que se concordar com o que ela afirma na última linha da entrevista exclusiva que nos concedeu: “O nosso teatro só começou a ficar chato, porque há certezas demais, repetições do mesmo, além de alguns arautos chatos por aí, tentando emplacar falsas verdades”.

Marcelo Lazzaratto

Para aqueles que pensam que o que é bom custa caro, nesse caso as atividades oferecidas pelo Dramaturgias Urgentes, sediado no centro da cidade – Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo – são gratuitas, além de interativas: tudo o que se passa no projeto, datas, agenda, artigos, dicas e informações você encontra no site do mesmo.

Hoje, por exemplo, a Cia Elevador de Teatro Panorâmico e seu diretor, Marcelo Lazzaratto, serão os convidados e promotores de um workshop sobe o Processo de Criação.

Aplauso Brasil – O projeto Dramaturgias Urgentes nasceu, como diz o nome, da necessidade dos textos refletirem sobre temas urgentes a serem tratados. Como você idealiza isso? Há alguma referência ao Teatro de Jornal do Augusto Boal?

Marici Salomão – Não, não dialoga diretamente com o projeto de Boal. O sentido da urgência para nós, hoje, é outro. É justamente propor que o teatro volte a dialogar com a sociedade. E uma ideia de volta ao debate, à reflexão, a ter o que dizer, faz toda a diferença nos dias de hoje. O nosso teatro está muito pasteurizado por fórmulas defasadas e ridículas, por um lado, ou por inovações e discursos formais feitos pra agradar a mídia e um monte de gente incauta. O fruidor de teatro não prescinde do meio em que vive.

AB – Também faz parte da proposta, a reflexão sobre novas formas que se apresenta na dramaturgia. Como está, no aspecto formal, a dramaturgia contemporânea? Como ela pode interferir em aspectos como novos rumos para a encenação, novos paradigmas para a interpretação, enfim, novas dramaturgias podem interferir, e de que maneira, no avanço estético das Artes Cênicas?
Marici Salomão – Quanto mais forte for a aliança entre dramaturgos, diretores e atores, principalmente, mais o teatro brasileiro ganhará com isso. O teatro meramente visual ou apenas centrado na forma decorativa teve seus dias esgotados. É preciso ter o que dizer, e aí reside a própria regeneração formal do teatro. Poucos grupos ou companhias ou artistas de teatro no Brasil estão percebendo isso. Ter um ponto de vista diferenciado sobre o mundo, ter uma voz distinta sobre as questões que nos dizem respeito como cidadãos, quem anda preocupado com isso? Aí, sim, a cada assunto a sua teatralidade, diria Armand Gatti. O contrário a isso, no meu entender, é falso. É assim que eu enxergo o teatro.

AB – Ainda no âmbito formal, você, como dramaturga, teve uma experiência com a dramaturgia para dança, como foi? Como ela pode dialogar com novos paradigmas dramatúrgicos?

Marici Salomão – A dança, quando propõe narratividade, me agrada muito. A experiência com a Cia. Corpos Nômades foi incrível, porque o João (Andrazzi) é um cara inventivo, abundantemente inventivo. E foi da emergência de tantas formas e recursos audiovisuais que pude criar uma dramaturgia, uma organização espetacular, em colaboração com toda a equipe. Essa espinha dorsal fundamentou algumas das estacas para o pensamento em torno daquela dança-teatro, para além do simples efeito estético.

AB – E  a performance?
Marici Salomão –
Entendo muito mais o teatro performativo do que a perfomance em si. Os autores do Núcleo de Dramaturgia e da SP Escola de Teatro recorrem hoje a formas novas de escrever, entendendo que todo conteúdo requer uma forma específica. Essa presença, esse estado de jogo do autor com o público é da ordem do performativo. Um “aqui e agora” exposto na cena, que estabelece uma relação direta do espectador com o processo criativo do autor. Não é assim a dramaturgia de Peter Handke, Sarah Kane, Harold Pinter, Jean-Luc Lagarce, Jon Fosse, Grace Passô, Jô Bilac? Todos tecendo esculturas muito diferentes umas das outras, mas próximas no sentido da proposição do jogo de linguagem, da construção de uma forma particular àqueles conteúdos. São trabalhos que em sua maioria criam uma indissociabilidade total entre forma e conteúdo.

AB – O aspecto principal do projeto é a pedagogia servindo ao aspecto reflexivo. De que maneira – fases – que o projeto pretende atingir seus objetivos?
Marici Salomão – Primeiro, é um projeto ambicioso, que pretende lançar um olhar sobre a produção dramatúrgica nacional. O que estamos criando? Como pensamos os temas que dizem respeito à sociedade? Que tratamentos de linguagem surgem para dar conta desses temas? O público é convidado a participar dessa discussão, a partir de um contato mais profundo com o tema proposto a cada módulo, com os artistas envolvidos nas leituras e com as peças selecionadas por uma comissão de pareceristas. Pedagogicamente, há também um ganho na outra ponta: não tenho conhecimento de um concurso de dramaturgia que emita pareceres de dramaturgos reconhecidos, aos autores dos textos inscritos. Eles serão a ponta de lança e a bandeira que devemos hastear, para alertar sobre a importância de um projeto amplo de formação de novos dramaturgos no Brasil.

AB – Qual as expectativas?
Marici Salomão –
As melhores, claro. Se eu pudesse participar desse projeto, me arriscar em todas as suas fases, não hesitaria um segundo. O nosso teatro só começou a ficar chato, porque há certezas demais, repetições do mesmo, além de alguns arautos chatos por aí, tentando emplacar falsas verdades. Propomos um teatro de reflexão, mas sem dono.

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Autor: - Categoria(s): DESTAQUE, festivais, Matérias Tags: , , , , , , ,

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