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29/06/2012 - 15:21

Camille e Rodin marca a re-abertura do Auditório MASP

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Camille e Rodin"

Em peça inédita de Franz Keppler, com direção de Elias Andreato, Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore encarnam os escultores franceses Auguste Rodin e Camille Claudel, que viveram um apaixonado e tumultuado romance no século 20

SÃO PAULO – A escolha da peça não poderia ter sido mais acertada: para re-abertura do Auditório MASP, nada melhor do que um espetáculo sobre a vida e obra de dois dos maiores escultores de todos os tempos, Auguste Rodin e Camille Claudel. Com texto inédito de Franz Keppler e direção de Elias Andreato, Camille e Rodin retrata o encontro do já maduro Rodin, interpretado por Leopoldo Pacheco, com a jovem Camille, vivida por Melissa Vettore.

Eles se conheceram quando Rodin acabara de receber a encomenda para fazer a escultura A Porta do Inferno: Camille que chegara a Paris há pouco procura o mestre a conselho de seu professor. Ambos não imaginariam que aquele encontro fosse modificar radicalmente suas vidas. Segundo o autor Franz Keppler (que dividiu a pesquisa com Melissa Vettore), o encontro entre os dois artistas foi “decisivo e transformador”, tanto que impulsionou o trabalho criativo dos dois e o amor entre eles é transbordado para as obras. Ao se relacionar afetivamente com o mestre, Camille deixa de ser somente discípula para se tornar uma escultora de muito talento. Já Rodin, mesmo casado com sua ex-modelo Rose Beuret e consagrado profissionalmente, fica loucamente apaixonado por Camille e leva para sua arte tudo o que vivia afetivamente. Os críticos chegam a dizer que é difícil distinguir qual obra é a do mestre e qual a da discípula, graças à proximidade tanto física como estética e espiritual entre ambos.

"Camille e Rodin"

A narrativa do espetáculo não se atém à ordem cronológica na vida dos dois artistas: ora as cenas mostram o início do relacionamento entre eles, ora ambos estão mais velhos e contam suas impressões de tudo o que viveram.

“A estrutura narrativa que optei foi a de mostrar Rodin e Camille já velhos e separados, em tempos e espaços diferentes, tecendo suas histórias através da memória, lembranças que se cruzam de modo não linear e que revelam detalhes de suas vidas, de suas obras, de seus embates, ambiguidades e angústias, traçando paralelamente um panorama artístico e social do final do século 19 e início do 20”, diz Keppler.

O diretor também utilizou a iluminação (assinada por Wagner Freire) e o som (música original de Jonatan Harold) para conduzir a história: os atores se locomovem pelo cenário (assinado por Marco Lima) e os tempos de suas vidas se alteram.

Notável a delicadeza com que as cenas românticas entre Camille e Rodin são retratadas: os gestos, abraços e beijos são construídos de maneira lenta, reproduzindo, desta forma, as esculturas que ambos produziram.

Outro destaque de Camille e Rodin é a opção do autor em não tomar partido na história dos biografados: o julgamento sobre a relação afetiva entre Camille e Rodin e seus desdobramentos fica para o público.

Quanto à interpretação, Melissa soube com rigor compor sua Camille com todas as suas facetas, desde a jovem idealista e visionária à escultora criativa e a mulher apaixonada e, ao mesmo tempo, revoltada e derrotista. Já Leopoldo mostra o grande escultor também com perfil multifacetado: do artista pragmático e cônscio de seu papel social ao amante entregue às emoções.

Os dois atores revelam, numa curva ascendente de emoção, todas as entranhas dos personagens, o que deixa o público extasiado.

Roteiro: Camille e Rodin. Texto: Franz Keppler. Direção: Elias Andreato. Elenco: Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore. Assistente de direção: Leandro Goddinho. Pesquisa: Melissa Vettore e Franz Keppler. Iluminação: Wagner Freire. Cenografia: Marco Lima. Trilha sonora: Jonatan Harold. Figurino: Marichilene Artisevskis. Visagismo: Leopoldo Pacheco. Fotografia: Alexandre Catan. Direção de produção: Ed Júlio. Realização: Baobá Produções Artísticas.

Serviço: Grande Auditório do MASP (374 lugares), Av. Paulista, 1578. Informações: 11 3171.3267. Horários: sexta e sábado ás 21h e domingo às 19h30. Ingressos: sexta R$ 20, sábado e domingo R$ 30. Bilheteria: terça e quarta (das 11h às 17h30); quinta (das 11h às 19h30) e de sexta a domingo a partir das 11. Estacionamento Estapar (Av. Paulista, 1776) R$ 15,00. Vendas: 4003.1212 – www.ingressorapido.com.br.  Duração: 75 minutos. Classificação: 12 anos. Temporada: até 26 de agosto

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas, DESTAQUE Tags: , , , , ,

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