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07/07/2012 - 12:29

A Doença da Morte faz um check-up na relação amorosa

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"A Doença da Morte"

Peça de Marguerite Duras dirigida por Marcio Aurelio retrata o embate do amor entre um homem e uma mulher. No elenco, Paula Cohen e Eucir de Souza

SÃO PAULO – Texto escrito há 30 anos e que traz em seu posfácio o desejo da escritora Marguerite Duras em vê-lo transposto ao palco, A Doença da Morte acaba de estrear no Teatro Augusta e é extremamente contemporânea, pois põe a nu o amor entre um homem e uma mulher. Num momento em que se vê as pessoas evitando qualquer tipo de vínculo mais íntimo, não se permitindo amar, a peça de Duras vem para questionar ainda mais este tipo de atitude egoísta.

Com tradução de Vadim Nikitin,  direção e iluminação assinadas por Marcio Aurelio, a montagem começa com o casal separado fisicamente: o homem, interpretado por Eucir de Souza, está no palco, sentado numa cadeira colocada em cima de uma grande mesa e a mulher, vivida por Paula Cohen, está na extremidade oposta, no final da plateia.

Enquanto ele discorre sobre a circunstância complexa de seus sentimentos, ela desce pela plateia repetindo o que está sendo dito pelo homem, mas ao mesmo tempo questiona sua postura.

O embate amoroso entre os dois é o mote central da peça e praticamente da obra de Marguerite Duras: 

“Optamos por montar este texto porque hoje a cada dia fica mais difícil a comunicação entre as pessoas, distanciadas pela concisão discreta e impessoal das mensagens eletrônicas. E, claro, porque a autora privilegia o amor. Em sua poética de destroços, ela provoca situações de disjunção entre sons, imagens, intenções. Entre o que se sente e o que se consegue, ou não, dizê-lo”, argumenta Lulu Librandi, produtora e realizadora do projeto.

Numa passagem fundamental da peça, a mulher define que o homem sofre da doença da morte; ele fica perturbado com esta constatação, mas não tem como contestá-la. Fiquei igualmente perturbado: que doença é esta de que o Homem sofre? Não seria a doença de fugir de si mesmo, de seus sentimentos mais profundos e sinceros? Não seria a morte evitar e se distanciar do Amor? A doença da morte não seria o desamor?

"A Doença da Morte"

Num mundo em que a comunicação virtual e a tecnologia da comunicação cada vez mais afastam ao invés de aproximarem as pessoas, num mundo em que o sexo banalizou as relações íntimas e cada vez mais as pessoas não se entregam verdadeiramente umas às outras, Marguerite Duras vem com A Doença da Morte instigar ainda mais a reflexão sobre a importância do amor na vida de todos nós.

Saí da sala de espetáculo zonzo e ao mesmo tempo motivado a redigir esta resenha provocativa: até que ponto estamos contaminados com a doença da morte? Que antivírus tomar contra este mal disseminado na sociedade contemporânea?

Roteiro:

A Doença da Morte. Texto: Marguerite Duras. Tradução: Vadim Nikitin. Direção e iluminação: Marcio Aurelio. Elenco: Eucir de Souza e Paula Cohen. Assist. direção: Lígia Pereira. Cenário: André Cortez. Assist. iluminação: Silviane Ticher. Figurino: André Cortez, Lígia Pereira e Marcio Aurelio. Visagismo: Cabelo, Mario Nova. Maquiagem: Eliseu Cabral. Fotos: Vania Toledo. Design gráfico: Guto Lacaz. Direção de produção: Lulu Libranti. Produção executiva: Maria Betania Oliveria. Realização: Lulu Libranti.


Serviço:

Teatro Augusta (302 lugares), Rua Augusta, 943. Horários: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h. Ingressos: sexta e domingo R$ 50; sábado, R$ 60 (com meia-entrada). Vendas: Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br) ou pelo tel.

4003-1212 (vendas exclusivas por cartão de credito). Classificação: 16 anos. Duração: 55 min. Acesso para portadores de necessidades especiais. Café, ar condicionado. Temporada: até 26 de agosto de 2012.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores, DESTAQUE Tags: , , ,

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