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11/07/2012 - 20:38

A delicadeza do ser singelo seduz em Facas nas Galinhas

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG (Michel@aplausobrasil.com)

"Facas nas Galinhas" no Espaço da Companhia do Feijão

SÃO PAULO – Num primeiro momento ela sabe pouco. Sua trajetória desconhece a metáfora, a poesia que se atinge ao moldar as palavras. Para ela, o que se diz é o que se diz e ponto, sem a virgula que pode esculpir as ideias. Aos poucos, a Mulher do Lavrador descobre que também tem  nome e poesia dentro de si e, essa trajetória seduz o público que lota o aconchegante Espaço do Feijão para assistir Facas nas Galinhas, do escocês David Harrover (Blackbird), em cartaz apenas até domingo (15).

A atriz Eloísa Elena dá vida à personagem que, aos poucos, descobre o sentido das coisas e o prazer em ser. Casada com um rústico Lavrador (Cláudio Queiroz), mais atencioso com seus cavalos do que com a esposa, daí ser chamado de potro, é incumbida de levar os pesados fardos de grãos para sua moenda, no Moleiro (Thiago Andreuccetti) da cidade, figura mitificada pelas pessoas como feiticeiro e assassino da mulher e filho.

A Mulher, instruída pelo marido que ficara cuidando de uma égua prenha, chega absolutamente hostil. Quando, finalmente aceita esperar seus grãos serem moídos na porta da casa do Moleiro, descobre que há mais que se pode apreender das coisas da vida do que sua limitada educação lhe proporcionou esperar. Ele apresenta uma caneta de pena, comprada de um estrangeiro, e o seu valor simbólico que navega por águas além da serventia prática das coisas. Ele a incita a escrever. Ela registra seu nome e, a partir daí, a poesia entra definitivamente em seus olhos.

A continuação da trama deixo ao prazer do leitor o deleite da descoberta. É só acompanhar a trajetória fascinante  dessa mulher que ganha contornos delicados e divertidos (ela é bastante ingênua) no corpo e alma de Eloísa, muito bem acompanhada pelos atores.

"Facas nas Galinhas" no Espaço da Companhia do Feijão

A direção de Francisco Medeiros, aliada à cenografia e aos figurinos de Marco Lima são enxutas e sinalizam a opção, concretizada, de extrair do poético texto de Harrover sua atemporalidade e não definição do lugar em que se passa a peça, transportando-a para um espaço arquetípico, propício à curiosidade que leva à descoberta.

Para Facas nas Galinhas, DrMorris cria mais que mera trilha, ele realiza uma sonorização que dialoga o tempo todo com a concepção da cena.

Sem dúvidas este é um espetáculo que fica cravado no espírito de quem o assiste.

Ficha técnica

Espetáculo: Facas nas Galinhas

Texto: David Harrower

Tradução: Fábio Ferretti

Direção: Francisco Medeiros

Elenco: Eloisa Elena, Cláudio Queiroz e Thiago Andreuccetti

Trilha sonora: Dr Morris

Cenário e figurino: Marco Lima

Iluminação: Marisa Bentivegna

Coordenação técnica: Maurício Mateus

Instalação sonora: Dr Morris e Maurício Mateus

Preparação corporal: Fabricio Licursi

Designer gráfico: Teresa Maita

Fotografias: João Caldas

Construção de cenário: Ono-Zone Estúdio

Costureira: Benedita Calixtro

Produção executiva: Geondes Antonio

Administração: Marina Porto

Realização: Barracão Cultural – www.barracaocultural.com.br

Serviço

Espaço da Companhia do Feijão

Rua Dr. Teodoro Baima, 68 – República/SP – Tel: (11) 3259.9086

Temporada: sextas e sábados (21 horas) e domingos (19 horas) – Até domingo (15)

Ingressos: R$ 15,00 (meia R$ 7,50) – Bilheteria: 2h antes da sessão

Informações: (11) 5539-1275 – Gênero: Drama – Duração: 80 min

Classificação estaria: 12 anos – Capacidade: 60 lugares

Estacionamento conveniado (ao lado do teatro): R$ 15,00.

Autor: - Categoria(s): Críticas, MICHEL FERNANDES RECOMENDA Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

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