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21/09/2012 - 16:07

O Expresso do Pôr do Sol: estreia de Fabio Assunção como diretor

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Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"O Expresso do Pôr do Sol"

O ator dirige e também assina a produção da montagem da peça de Cormac McCarthy, que discute vida e morte por meio do embate entre dois personagens interpretados por Cacá Amaral e Guilherme Sant’Anna

SÃO PAULO – Ao entrar na sala de espetáculo do Tucarena, o espectador já fica diante do clima proposto pelo diretor Fabio Assunção para a montagem da peça O Expresso do Pôr do Sol: os dois atores estão em cena, um parado e pensativo e o outro anda em passos firmes pelo palco redondo. Tensão e comportamentos opostos, esta é a tônica da peça original The Sunset Limited do norte-americano Cormac McCarthy, traduzida por Nelson Amorim e que foi adaptada por Maria Adelaide Amaral.

Fabio Assunção dirige "O Expresso do Pôr do Sol"

Depois dos três sinais característicos para o início — dados pelo ator Guilherme Sant’Anna em vasos que o diretor comprou na Índia — fica-se sabendo que Black (Guilherme) acabara de salvar White (Cacá Amaral) de uma tentativa de suicídio.

Mesmo contrariado, White é levado para o apartamento de Black, no subúrbio. É no reduto de Black (um ex-presidiário e atualmente um evangélico fundamentalista) que o embate filosófico, religioso e moral vai de desenvolver: White é um professor ateu, que vê na morte o único caminho possível para a sua vida, o que fará com que Black tente por todos os meios convencê-lo do contrário.

Dois elementos contribuem para o fluxo narrativo de choque de ideias: primeiro o cenário (assinado por Fábio Namatame, responsável também pelo figurino), de poucos elementos e constituído na base por dormentes de linhas férreas, que intensificam a tensão entre os personagens.

"O Expresso do Pôr do Sol"

O apartamento é outro destaque: é representado por uma caixa de metal em miniatura, pendurada por correntes. A claustrofobia fica evidente.

O segundo elemento é a iluminação de Caetano Vilela, que funciona como um personagem, tamanha a importância que traz ao espetáculo; focos poderosos cruzam toda a extensão do palco de arena, enfatizando o duelo verbal e filosófico de Black e White e a oposição entre luz e sombra.

Há na peça momentos para os dois personagens defenderem suas teses diante da vida. Primeiro Black se expõe e, na sua tentativa de demover o outro, mostra como transformou sua vida por meio da religião e aponta perspectivas ao oponente. Por sua vez, White ouve a princípio, mas depois contesta-o veementemente com argumentos fortes e definitivos.

“Encontrei na montagem um embate precioso entre a luz e a sombra, dois elementos tão presentes e conflituosos no homem moderno. Aquilo que mostramos e aquilo que escondemos. Não há forma definida nem conforto no duelo entre as forças que nos levam a escolher entre a vida e a morte”, argumenta Fabio Assunção.

Em 75 minutos, sem trégua, O Expresso do Pôr do Sol apresenta um duelo vital entre os personagens e o público não se desliga um só segundo, graças principalmente à extraordinária sintonia na interpretação de Cacá Amaral e Guilherme Sant’Anna. A estreia de Assunção na direção é muito bem-vinda.

Não perca, o espetáculo permanece em cartaz até o final de novembro.

Roteiro:
O Expresso do Pôr do Sol. Texto: Cormack McCarthy. Tradução: Nelson Amorim. Dramaturgia: Maria Adelaide Amaral. Direção: Fabio Assunção. Elenco: Cacá Amaral e Guilherme Sant’Anna. Iluminação: Caetano Vilela. Direção de arte e figurino: Fabio Namatame. Trilha sonora: Eduardo Queiroz. Fotografia: João Caldas. Produção executiva: Juliana Mucciolo. Realização: FASS Produções (Fabio Assunção)

Serviço:

Teatro Tucarena (300 lugares), Rua Monte Alegre, 1024. Telefone: 3670-8455. Horários: sextas às 21h, sábados às 21h e domingos às 19h30. Ingressos: sextas: R$ 40,00, sábados e domingos: R$ 50,00. Bilheteria: terça a domingo das 14h às 20h.Pagamento: cartões e pela Internet: www.ingressorapido.com.br. Duração: 75 minutos. Classificação: 12 anos. Temporada: até 30 de novembro de 2012.

Autor: - Categoria(s): Artigos, Resenhas e Crônicas, Colaboradores, DESTAQUE Tags:

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