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03/10/2012 - 18:32

Uma Inteligente discussão sobre arte e amizade

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Crítica de Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

"Arte"

SÃO PAULO – Arte foi o texto que fez com que a dramaturga Yasmina Reza se tornasse um dos principais (na minha opinião, o principal) nomes da dramaturgia contemporânea. Sua primeira montagem no Brasil aconteceu em 1998, sob a direção de Mauro Rasi, tendo no elenco Paulo Goulart, Pedro Paulo Rangel e Paulo Gorgulho. Agora, a peça de Yasmina ganhou uma nova encenação com a direção de Emílio de Mello.

Emílio tem se revelado um diretor especializado em encenar os textos da autora. Ele já foi o responsável pelas montagens de O Homem Inesperado e Deus da Carnificina.

No programa da montagem brasileira de Deus da Carnificina, Yasmina escreveu que produz um “teatro de tensão”. É uma definição precisa e exata sobre a sua obra dramatúrgica. Suas personagens estão sempre em volta de uma discussão acirrada, o que fez dela uma escritora que trouxe de volta à cena contemporânea o valor da palavra.

Em uma época em que diversos encenadores suprimem a importância da palavra na encenação é muito bom que haja uma dramaturga como Yasmina que traz ao palco a força do diálogo.

A tensão de Arte diz respeito à amizade de três amigos que tem a sua relação abalada por um fato aparentemente banal. Um deles pagou uma fortuna por uma tela em branco no mercado de artes plásticas. Isso desencadeia uma inteligente discussão sobre o valor da obra artística e também sobre a amizade.

A direção de Emílio sabe explorar com maestria o poder da palavra da autora. Ele já havia realizado isso, com êxito, em Deus da Carnificina. A sua opção pelo minimalismo cênico é um grande achado. O cenário de Aurora Campos, os figurinos de Marcelo Olinto e a iluminação de Tomás Ribas servem com perfeição para a direção de Emílio.

Há no conjunto da encenação uma economia de elementos cênicos que faz com que a peça tenha seu foco centrado no conflito verbal que é posto em cena. Com relação ao trio de intérpretes Marcelo Flores e Claudio Gabriel cumprem bem os seus papéis.

"Arte"

No entanto, é Vladimir Brichta que tem os seus grandes momentos em cena, especialmente na cena em que ele narra aos dois amigos um problema familiar pelo qual está passando. Seu virtuosismo nesta cena chega a ser aplaudido em cena aberta pela plateia.

È um momento genial. A nova montagem de Arte traz para o público uma comédia sofisticada. Trata-se de um excelente exemplar de “Um Teatro de Texto”.

ARTE. Texto: Yasmina Reza. Tradução e direção: Emilio de Mello. Elenco: Vladimir Brichta, Marcelo Flores e Claudio Gabriel. Cenário: Aurora Campos. Figurinos: Marcelo Olinto. Iluminação: Tomás Ribas. Criação musical: Marcelo Alonso Neves. Fotos: André Wanderley. Produção executiva: Wagner Pacheco. Produtores: Emílio de Mello, Marcelo Flores e Vladimir Brichta.

Serviço:

Teatro Renaissance (462 lugares), Al. Santos, 2233, tel. 3069-2286. Horários: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 18h. Ingressos: R$80,00. Bilheteria: de terça a sábado das 14h às 20h; domingo das 14h ás 19h. Pagamento: cartões, dinheiro ou cheque. Vendas: 4003-1212 e www.ingressorapido.com.br. Duração: 90 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 07 de outubro.

Autor: - Categoria(s): Colaboradores, Críticas, DESTAQUE Tags: ,

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