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22/05/2010 - 03:11

Riso e desespero na Rússia contemporânea

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"Casting" - da esquerda para direita - Caco Ciocler, Bete Dorgam, Aline Moreno, Natalia Gonsales e Bia Toledo - crédito - Bianchi Jr.

Quando a luz cai ao final do segundo ato de Casting, de Aleksander Gálin, autor russo contemporâneo montado pela primeira vez no país, o riso que tomava conta da plateia desloca-se para o lamento poético da melodia do acordeon de Tamara (Nani de Oliveira, em delicada performance). Há, meio ao absurdo da situação, uma urgência desesperada em acreditar num porvir redentor.

Um anúncio no jornal recrutando mulheres a participarem de um concurso de talentos artísticos recebe, entre as inúmeras candidatas, algumas mulheres “velhas e feias” para terem a chance de exibirem seus dotes artísticos durante o concurso.

Inconformadas com a rejeição e capitaneadas por Vlarvara (a luminosa Beth Dorgan)  elas decidem batalhar pela chance de transformar suas vidas trabalhando no show de variedades de Singapura.

Na  verdade, a situação é emblema do caos social do momento de transição sócio-política enfrentada por uma Rússia cambaleando entre o fim do socialismo e a entrada do capitalismo, sobretudo nos idos de 1990.

A nova ordem política clama por nova estruturação social e, enquanto ela não atinge o equilíbrio, mareia pelos polos do tudo ou nada.

Aleksander Gálin dá à figura de Vlarvara dimensões da Mãe Coragem de Brecht, ao mesmo tempo sendo vítima e algoz desta “guerra” cotidiana. Enquanto vende suas doses de vodka, vende suas filhas para uma prostituição mal camuflada de show de variedades em Singapura, não perde sua parcela humana ao defender as mulheres menos jovens e belas e surpreende ao tratar, ao final, com Albert, o produtor russo que recebeu composição meticulosamente bem-sucedida de Caco Ciocler. Leia mais »

Autor: - Categoria(s): Críticas Tags: , , , , ,
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