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15/03/2012 - 17:20

As múltiplas Nises de Mariana Terra

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG  (Michel@aplausbrasil.com)

"Nise da Silveira", com Mariana Terra. Foto - Jackeline Nigri

SÃO PAULO – Uma personagem monumental feito a Dra. Nise da Silveira, uma das primeiras brasileiras a se formar em medicina, cujo mergulho nas veredas do Inconsciente, inspiração do mestre C. G. Jung, levou-a a negar a terapia à base de eletro-choque e tratar seus “doentes” com pinturas que revelavam imagens de seus inconscientes, merecia a multiplicação de instrumentos interpretativos para dar conta dessa imensidão de Nises. Em Nise da Silveira – Senhora das Imagens, roteiro e direção de Daniel Lobo, cuja temporada acaba de ser prorrogada hoje, no Teatro Eva Herz, a atriz Mariana Terra alcança a estatura de sua personagem.

A entrada da plateia no pequeno e aconchegante teatro localizado dentro da livraria cultura já é um convite a esquecermos o tempo acelerado de nosso cotidiano em favor de um tempo sagrado, em que o acelerado ritmo diário dá pausa ao mergulho no profundo em nós. Leia mais »

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24/12/2010 - 15:12

O teatro de Machado de Assis reunido em um só livro

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Luis Fabiano Teixeira, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Livro reúne peças de Machado de Assis

Ninguém discute que Machado de Assis é o maior escritor brasileiro, mas pouco ou quase nada sabemos sobre a sua dramaturgia, fase em que ele ainda não tinha pleno domínio do seu ofício. Foi no teatro que o Bruxo do Cosme Velho debutou, aos vinte anos, antes de se tornar um escritor consagrado e repleto de obsessões (a dúvida e o ciúme são as mais famosas). O fato de ser reconhecido como exímio romancista e contista apenas ofuscou o dramaturgo, mas o livro “Teatro de Machado de Assis”, edição organizada por João Roberto Faria, tenta, ao menos, lhe fazer alguma justiça. O volume traz onze peças que revelam esse “ensaio geral” da literatura machadiana e que merece ser conhecido.

Dentre as várias “alquimias” dramáticas do livro, as comédias merecem atenção especial, pois já esboçam uma das características mais marcantes do escritor: a ironia.

A primeira delas, Hoje avental, amanhã luva (1860) é o melhor exemplo de dinâmica de cena, onde cada palavra parece ter sido escolhida para compor cada diálogo. Leia mais »

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01/03/2010 - 05:17

Na crista da onda

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Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil

Peça mostra encontro póstumo entre Anna da Cunha, Dilermando de Assis e Euclides da Cunha

Peça mostra encontro póstumo entre Anna da Cunha, Dilermando de Assis e Euclides da Cunha

Quando Antônio Rogério Toscano escreveu Piedade, atualmente em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, de quarta a sábado às 19h30, e aos domingos às 18h, queria relembrar a história de Euclídes da Cunha, que morreu há exatos cem anos, e o faz com muito brilho, mas provavelmente não sabia que a história é teatralmente tão oportuna.

No último semestre, várias peças de grupos jovens, entre as quais destacaria Festa de Separação, tratavam da triste descoberta de que o amor acaba. Não é eterno como nos contos de fada que terminam em geral com um “foram felizes para sempre”. Está mais pra Vinícius de Moraes quando escreveu “não que seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”.

Durante o absolutismo quem escolhia os cônjuges, como é sabido, era o pai. Os casamentos tinham como base o interesse e não o amor. Com a revolução burguesa, os jovens passaram a se escolher e então todos acreditaram que o amor seria eterno. Não é bem isso que a história vem mostrando. Era o que o triângulo amoroso no qual nosso grande autor se envolveu acreditava. O amor era um só. E se o segundo amor era maior era porque o primeiro não era amor e não porque a mulher menos inocente e com mais carências sentia emoções com maior intensidade. Enfim, as crenças e envolvimentos das personagens de Toscano são as raízes das quais brotaram a dramaturgia dos grupos jovens que não deveriam perder Piedade. Leia mais »

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18/02/2010 - 23:50

Uma tragédia particularmente pública

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Michel Fernandes, especial para o Último Segundo (michelfernandes@superig.com.br)

<i>Piedade</i> celebra dez anos da <i>Cia. Bendita Trupe</i>

Piedade celebra dez anos da Cia. Bendita Trupe

Há uma invasão intolerável de alguns veículos de comunicação na vida privada de pessoas públicas. É um paradoxo intrigante. Provavelmente, a tragédia que envolveu o triângulo Anna da Cunha – Euclides da Cunha – Dilermando de Assis seria alvo das capas das principais revistas de fofoca.  Ainda bem que escaparam dessas miudezas fúteis. A “Tragédia da Piedade” serviu como fonte de inspiração ao delicado espetáculo Piedade, escrito por Antonio Rogério Toscano e dirigido por Johana Albuquerque, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo, de quarta-feira a domingo.

Tudo começa pelo final. Morto, Euclides da Cunha narra os momentos que antecederam o crime, fatos como a ciência do adultério, o infanticídio cometido – pois não deixou Anna amamentar um bebê que sabia ser filho de Dilermando –, a ausência pelo excesso de trabalho, os ciúmes, entre outros, são temas evocados por sua memória, num jogo delicado em que se mesclam a narrativa e o diálogo de forma saborosa e bem-sucedida.

Não se trata de mera reconstrução de fatos, tampouco de julgamento post-mortem ou um olhar especulativo e moralista sobre fatos reais. Toscano conseguiu colocar em discussão o amor, a fragilidade feminina numa sociedade liderada por homens, a confusão entre os sentimentos de amor e posse, enfim, o foco do autor é provocar a reflexão do hoje diante do ontem que se afigura bastante atual. Leia mais »

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05/02/2010 - 04:24

Bendita Trupe leva tragédia da Piedade ao CCBBSP

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Michel Fernandes, especial para o Último Segundo (michelfernandes@superig.com.br)

Peça mostra encontro póstumo entre Anna da Cunha, Dilermando de Assis e Euclides da Cunha

Peça mostra encontro póstumo entre Anna da Cunha, Dilermando de Assis e Euclides da Cunha

Depois do monumento épico que o grupo Oficina Uzyna Uzona levou a cabo durante a primeira década desse século 21, e que está eternizado na antologia do teatro brasileiro, a partir da obra-prima de Euclides da Cunha, Os Sertões, a Cia. Bendita Trupe lança foco sobre a tragédia íntima que resultou no assassinato de Euclides. Trata-se de Piedade, de Antonio Rogério Toscano, e direção de Johana Albuquerque, que estreia nesta sexta-feira (5), 19h30, no Centro Cultural Banco o Brasil (CCBB) de São Paulo.

Leopoldo Pacheco, Jacqueline Obrigon e Daniel Alvim formam, respectivamente, o triangulo amoroso Euclides da Cunha, Anna da Cunha e Dilermando de Assis que têm um encontro póstumo em que discutem o crime ocorrido em 1909quando Dilermando, jovem campeão de tiro, acaba por matar Euclides da Cunha, em legítima defesa, que vai a seu encontro com o objetivo de mat´-lo e limpar sua honra frente ao escândalo da traição de Anna e Dilermando.

O espetáculo marca as comemorações da primeira década da Cia, Bendita Trupe que, nesses 10 anos, apresentou montagens marcantes na antologia do teatro paulistano tanto aos direcionados ao público adulto caso de Os Collegas, ficção-verdade que fez uma espécie de revista dos nebulosos anos Collor focando o foro íntimo, fictício. que impulsionou a crise real de um primeiro passo à efetiva democracia enlameado por denúncias de corrupção, como também para o público infantil com o delicioso Assembleia dos Bichos, inventivo e competente que agradava não só as crianças, mas ao público de qualquer idade.

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