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22/06/2010 - 12:27

Espetáculo alia erudição a humor anárquico

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

O surpreendente "Astros, Patas e Bananas", veio de Sorocaba

O surpreendente Astros, Patas e Bananas, veio de Sorocaba, do teatralmente rico interior paulista, trazido pelo Grupo Katharsis, de trajetória marcada pelo experimentalismo bem pensado, inteligente, do diretor Roberto Gill Camargo, mago das metáforas do espírito beligerante da raça humana, “no grande cenário da vida”. A peça foi premiada pelo júri de 2009 da Cooperativa Paulista de Teatro que, como o próprio indica, abrange os espetáculos profissionais dos seus cooperados em todo o Estado. Está no TUSP, de onde sai no dia 27, espera-se que menos invisível que de seu início de carreira nessa sala.

O grande trunfo desse espetáculo gestado com premissas eruditas foi encontrar, no parto cênico, a pulsação ideal para a intromissão virtual do humor. No caso, humor cáustico, niilista, de Beckett, impregnado pelo anarquismo das comédias de pastelão dos Irmãos Marx. Fórmula que resultou numa apresentação cênica extremamente prazerosa de acompanhar, com gostinho, ao final, de quero mais.

Forte parceiro do humor sugerido pelo roteiro, o comentário musical, em tempo integral e ao vivo, de autoria de Janice Vieira e com ela no acordeom e Deni Pontes na percussão, contribui para que o afinado elenco  percorra uma babel de línguas, que vai do francês ao árabe, passeando pelo italiano, alemão, russo, japonês, espanhol e hebraico. Com desenvoltura e descontração.

Porém, é no gestual, que mistura elementos de dança pura com a expressão corporal  tradicional, que a direção de Gill mantém sua crítica ao  milenar caráter beligerante dos povos deste trepidante planeta. Em sua postura cética, fica o recado de que tudo seria trágico, se não fossemos todos tão ridículos na, muitas vezes, mortal disputa pela Verdade. Leia mais »

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01/06/2010 - 16:18

Policarpo Quaresma, um encontro de gênios

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Uma, de muitas, cenas antológicas de "Policarpo Quaresma"

A boa notícia vinda do CPT, que ocupa o Teatro Sesc-Anchieta com Policarpo Quaresma, com texto de Antunes Filho baseado no romance Triste Fim de Policarpo Quaresma do, também genial (mas, injustiçado), escritor Lima Barreto, vai ganhar mais algumas semanas naquela sala, graças ao sucesso de público, até o fim de julho.

Policarpo Quaresma é mais uma prova irrefutável da ebulição criativa que agita nosso mais completo, lúcido e coerente encenador Antunes Filho, senhor absoluto da caixa preta que ele sempre povoou de movimentos, luzes, cores e sons, em montagens antológicas, em seus mais de 50 anos de uma carreira sem hiatos. Leia mais »

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10/05/2010 - 23:24

Montagem eficiente reverencia o mito Nara Leão

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Fernanda Couto é Nara Leão

Uma coisa é certa, cristalina: o carioca é mesmo um povo alegre que ama e pratica música, muita música. Outra constatação: nós, paulistanos, como povo, somos bastante formais diante de manifestações musicais. Resultado: os grandes sucessos das montagens musicais, importadas da Broadway ou genuinamente gestadas no Rio de Janeiro, nascem, crescem, multiplicam-se e jamais morrem nos palcos da ex-capital federal (será por isso a tradição?).

O currículo de produções musicais nos nossos palcos, afora as importadas do Rio, é bem modesto numericamente. Daí estarmos saudando agora o surgimento dessa biografia de uma das maiores cantoras da Musica Popular Brasileira (MPB), Nara Leão, tida com justa razão como musa da Bossa Nova. Nara está em cartaz na sala grande do simpático e bem freqüentado Teatro Augusta, no meio da semana. Leia mais »

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05/04/2010 - 19:01

O Rei e Eu, de Takla, transborda maturidade cênica

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Os filhos do rei do Sião são ensinados pela inglesa Anna

O velho estigma que sempre perseguiu o teatro musical como mero, senão vulgar, entretenimento, fulminado sem dó como antítese de arte, cai por terra diante da monumentalidade de uma montagem como esta em cartaz no Teatro Alfa, O Rei e Eu, que tem desafiado a crítica na reciclagem de superlativos usualmente recorridos diante da excepcionalidade.

De perene carreira mundial desde o distante ano de 1951, quando lançado na Broadway,  com Yul Brynner e Gertrude Lawrence, este musical dramático (mas, bem humorado) foca um rei – Mongkut – bom, inteligente e fascinado por ciência e tecnologia, em dificuldades por acusação de práticas escravagistas (seculares) no relacionamento com o seu povo. Mas, lá no seu distante Sião (hoje, Tailândia), no anseio de ensinar aos seus inúmeros filhos as práticas educacionais e etiquetas de convívio em sociedade, o Rei contrata professora inglesa para esse serviço. Isso, no fim do século 19, a partir de uma fantasiosa (porém, deliciosamente crítica) autobiografia de Anna Leoowens (a professora), que até hoje não é bem encarada pelas autoridades tailandesas.

E aqui, um nome precisa ser devidamente valorizado:

o do produtor e diretor Jorge Takla, um raro caso de homem culto, inteligente, de bom gosto…e rico! Leia mais »

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02/02/2010 - 17:46

Diretores veteranos celebram elegância cênica

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (afonsogentil@aplausobrasil.com)

Com texto de Neil Simon, comédia está em cartaz no Teatro Folha

Com texto de Neil Simon, comédia está em cartaz no Teatro Folha

Nocauteando uma considerável porção de renitentes, presunçosos e bisonhos adeptos de última hora do processo colaborativo (aquele em que todos dão palpites, geralmente, para o desastre final), método “moderno”, “contemporâneo” de uma montagem teatral, tão em voga ultimamente, para, é bom acrescentar, suplício do público bem informado e bem formado e da crítica mais atenta às investidas estéreis dos sem-talento contra (ora veja!) a competência hegemônica, desde sempre, dos espetáculos onde um diretor congrega e comanda toda a sua equipe para servir às idéias do autor eleito, os  experientes diretores Celso Nunes e José Rubens Siqueira  retornam com dois magníficos exemplos de elegância cênica: Estranho Casal e O Inferno Sou Eu, respectivamente.

Estes dois espetáculos elegantes (como elegância leia-se competência, bom-gosto, equilíbrio técnico-artístico, garbo e todos os demais sinônimos do Aurélio), livram-nos do pesadelo da lembrança do “colaborativo” mais recente, o abominável e irritante DDP-4469, visto em dezembro, mas ainda ocupando o mítico palco do Teatro de Arena, tornando a Funarte uma vítima involuntária e distraída da incompetência do “coletivo” contemplado para usar o espaço. Leia mais »

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09/11/2009 - 14:03

Gritos (Decameron) e Sussurros (Valsa nº6 mais 48 outros)

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Afonso Gentl, especial para o Aplauso Brasil (afonsogentil@aplausobrasil.com)

<i>Valsa nº 5</i>, um, entre os 49, monólogos que estrearam em 2009

Valsa nº 5, um, entre os 49, monólogos que estrearam em 2009

 

O título desta matéria ficaria melhor com um 49 antes da palavra “sussurros”. Por sua vez, os gritos de Decameron (a recente estréia do Teatro Augusta) não são bergmanianos, porque a serviço de uma numerosa e alegre troupe carioca que, desde o saguão, comunga-se com o tagarela público

 

Vamos, então, ao nº 49 antes dos “sussurros” que, doravante, chamaremos com seu nome próprio: monólogo, gênero a que se agrega Valsa nº 6 e que explodiu literalmente em nossos palcos neste 2009, com  incríveis 49 estréias, até outubro, com a média de 5 por mês!

Por uma pesquisa que nos demos o trabalho de fazer, na revista da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), comemorativa dos 50 anos da respeitada entidade a que pertencemos, confirmamos aquilo que na prática teatral por nós exercida até 1990, como diretor e professor de interpretação, já havíamos identificado: monólogo, sempre foi e continuará sendo um terreno pantanoso, um campo minado para os “operários” do palco, por possibilitar o fantasma do fracasso, ao mesmo tempo que alimenta a vaidade natural de todo intérprete teatral.

 Diante do incrível e inesperado sucesso da atriz Berta Zemel, no monólogo A Vinda do Messias, de Timochenko Webbi, ambos premiados nas suas categorias pela APCA em 1970, a classe teatral ficou na expectativa de um “boom” do gênero (como acontece agora com a malfadada stand-up comedy – comédia em pé -) aguardando novos “atrevimentos” dos seus ícones em atividade. Mas, deu-se o contrário, só de quando em quando, num determinado ano, uma ou duas vezes por ano, o fenômeno acontecia. Assim, nestas ultimas décadas só expoentes do oficio lançaram-se sozinhos aos palcos: Antonio Fagundes (3 vezes, com o atual Restos), Marilia Pêra (2 vezes), Luis Melo , Cleyde Yáconis, Diogo Villela, Juca de Oliveira ( 2 vezes, contando com Happy End, deste ano), Zécarlos Machado (do TAPA), Claudia Mello, Regina Braga, Elias Andreato (especialista, com 3) e pouquíssimos outros navegaram nesse enfrentamento solitário. Isso até 2009…

Por obrigação de ofício, vimos 21 dos 49 solos estreados neste ano: Alberto Guzik, Juliana Galdino, Betty Faria, Marco Antonio Pâmio, Elias Andreatto, Rosaly Papadopol, Mika Lins,  a carioca Inez Viana, o curitibano Leandro Daniel Colombo, Norival Rizzo e, é lógico, Antonio Fagundes, mereceram as boas críticas que tiveram e o reconhecimento do público.

 Longe deste crítico interferir nas decisões dos produtores/atores, mas, realmente, monólogo não cai bem em recém-formado por curso teatral. E muito menos, nas mãos de principiantes. Os monólogos exigem, de quem os faz, muita tarimba na profissão, temperada com um certo sangue frio ao entrar no palco. E aquele indispensável respeito pelo público pagante. Leia mais »

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28/09/2009 - 06:49

Esse Tolentino do TAPA e suas crias incansáveis

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (afonsogentil@aplausobrasil.com)  

 

Grupo Gattu apresenta <i>Doroteia</i>

Grupo Gattu apresenta Doroteia

 

Antes de ocupar-nos com as montagens de Doroteia , pelo Grupo Gattu. e de O Livro dos Monstros Guardados, pelo Núcleo Experimental, vale lembrar o quanto o teatro paulista deve, qualitativamente, ao diretor (carioca, pois é!) Eduardo Tolentino de Araújo, desde quando o Grupo TAPA (carioca, pois é!) por aqui aportou, sediando-se no Teatro Aliança Francesa.

Foram anos e anos de sucessivas montagens de grandes autores, nossos ou estrangeiros, obedecendo a um padrão estético rigoroso, que une a preocupação, digamos, apolínia do uso da cena, com decidido comprometimento social-político.

 Se boa parcela do público só tardiamente descobriu o TAPA, só agora lotando as platéias de qualquer canto da cidade, nós, da crítica, sempre estivemos atentos em reconhecer-lhe o mérito, cobrindo-o, em sua já longa trajetória, com incontáveis  troféus.

 A convivência de muitos jovens atores com os métodos conceptivos de Tolentino criou uma nova geração de diretores, conscientes, todos, da total entrega dos seus talentos para atingir a excelência do resultado. Basta lembrar os vigorosos espetáculos engendrados por André Garolli, Denise Weinberg e Brian Penido Ross, em diferentes grupos, aos quais juntam-se os nomes de Zé Henrique de Paula e Eloísa Vitz merecendo a atenção de todos, crítica e público.

      

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