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10/02/2012 - 23:25

O Idiota de graça na Oswald de Andrade

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/iG (Michel@aplausobrasil.com)

"O Idiota - Uma Novela Teatral"

SÃO PAULO – Ao que tudo indica, a Oficina Cultural Oswald de Andrade decidiu por oferecer ao paulistano o monumental espetáculo O Idiota – Uma Novela Teatral, da Mundana Companhia, de graça, para celebrar os 25 anos da instituição, celeiro de projetos e movimentos artísticos que deixaram marcas indeléveis no cenário paulistano das artes.

Com direção de Cibele Forjaz e adaptação do romance de Fiódor Dostoiévski assinada por Aury Porto, com a colaboração de Vadim Nikitin, Luah Guimarãez e de Cibele Forjaz.

A montagem está dividida em três partes, mas, diferentemente das temporadas anteriores, serão apresentadas em conjunto; portanto, cada sessão do espetáculo terá a duração de seis horas, com dois intervalos.

Reprodução da crítica de O Idiota – Uma Novela Teatral


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10/02/2012 - 23:10

Reprodução da crítica de O Idiota – Uma Novela Teatral

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Crítica de Michel Fernandes ao espetáculo O IDIOTA – UMA NOVELA TEATRAL em duas partes

(michel@aplausobrasil.com)

UM MONUMENTO À DOSTOIÉVSKI – PARTE 1

"O Idiota - Uma Novela Teatral"

SÃO PAULO – Considerado um dos cânones da literatura ocidental, o romance O Idiota, do russo Fiódor Dostoiévski, tem monumental tradução teatral assinada por Cibele Forjaz, aliando qualidades excepcionais de interpretação a soluções cênicas que preenchem a cena estabelecendo um rico diálogo entre as escritas que compõem o todo do espetáculo: utilização artesanal do espaço cênico como se fora uma instalação cenográfica; encenação preocupada em preencher de significados cada elemento, prenhes de simbologia, num prolongamento das possibilidades poéticas evocadas pela peça; um desenho corporal que reforça o desequilíbrio das personagens; o desejo dos intérpretes em atingir, ao mesmo tempo, uma atuação sincera, dinâmica e estilizada; a partitura musical a dialogar o tempo todo com a dramaturgia da cena, enfim, uma riqueza tão elevada de elementos que se nos apresenta que, ao final dos dois dias de representação em que a peça é realizada, resta o desejo de retornar e assistir de outros ângulos.

A divisão do espetáculo em três capítulos, se preferir três atos, estabelece entre público e evento teatral um pacto desafiador. O primeiro dia da representação – que encerra em si o primeiro capítulo que compõe essa epopeia teatral – introduz o espectador naquele universo que caminha pela corda-bamba da sinceridade em se expor o que se pensa, de fato, e a representação do que se sente, como se assim, garantissem a máscara social que julgam ser a mais adequada.

Nessa toada, ao entrarmos no galpão-instalação daquele universo que delineia surpresas vindouras, visualizamos a transmutação dos atores em personagens o que estabelece o pacto entre espaço real, de onde vem o público, para espaço ficcional, em que decidiu se inserir. Em fragmentos de textos, músicas, ações, os atores espalham rastos de Nastássia, Agláia, Kólia, Lisavieta, e  os demais personagens que farão o núcleo central do espetáculo.

O primeiro episódio, da auto-intitulada novela teatral em três capítulos, ocorre dentro do trem que  traz o Príncipe Míchkin (Aury Porto em delicada e minimalista composição) da suíça, onde se tratava da epilepsia, e faz com que alguns dos protagonistas se encontrem pela primeira vez. Por ser uma instalação que representa um trem, público e personagens dividem as poltronas e embarcam juntos ao destino de Míchkin. No trem, Míchkim conhece Ragôjan (Sérgio Siviero, excelente no papel do grotesco novo rico), que acaba de receber uma vultosa herança de seu falecido pai. A empatia entre ambos tornam os dois, desde então, amigos.

Da estação de trem, o príncipe vai para a casa de Lisavieta (Sylvia Prado, como sempre, visceral e de pungência transparente), sua parenta distante que se encanta com a simplicidade, doçura e sensibilidade refinada de Míchkin. Lá conhece, também, Gánia (Silvio Restiffe), empregado de Lisavieta que está à espera da decisão de Nastássia Filippovna (a estonteante Luah Guimarãez), com quem deseja se casar para receber um dote de 75 mil rublos, e Aglaia (Lúcia Romano, cujo real talento pode ser conferido na segunda parte de O Idiota), filha de Lisavieta, mais interessada nas aparências do título principesco de Míchkin que em sua essência humana.

Até esse ponto do espetáculo ainda é possível manter o jogo de aparências entre as personagens, embora, à medida que as cenas avançam, a tentativa de esconder o que realmente motiva os seres ficcionais de O Idiota se torna a cada segundo mais complicado. Sem lugar para ficar, Míchkin aceita o convite de Gánia para ser inquilino de sua casa.

Lá, o príncipe conhece o general Ívolguim (Luís Mármora em criação que condensa todas as grotescas figuras paternas que povoam a obra de Dostoiévski) que o reconhece – foi amigo de seus falecidos pais –, além de Kólia (Fredy Allan que alcança empatia crescente desejável ao desempenho exato do papel). Leia mais »

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