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25/11/2011 - 23:14

Em seu quarto Nelson Rodrigues, Grupo Gattu provoca amor à primeira visita

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Grupo Gattu encena "A Serpente" sob direção de Eloísa Vitz

SÃO PAULO – Com 10 anos de intensas atividades, desde sempre sob a direção da culta e talentosa Eloisa Vitz,  mestra na arte paradoxal de mesclar cartesianismo  e os devaneios da paixão, o Grupo Gattu (sobrinho involuntário do tiozão  TAPA) comemora sua 11ª encenação (a quarta de textos rodriguianos com A Serpente).

Com bom conceito por parte de um setor da crítica (o mais antenado) e de um público fiel (ainda reduzido, como nos tempos heróicos do TAPA ), a jovem diretora e sua numerosa e  empenhada equipe não conseguem esconder a perplexidade. Motivo: a “classe teatral” teima em se manter alheia aos belos frutos da rotina de 30 horas semanais de preparo das técnicas teatrais a que o conjunto se impôs nesse tempo todo de caminhada.

Para enfrentar os desafios da modernidade de encenação de um texto, o Grupo continua dedicando-se  às técnicas corporais, da dança, da voz, do canto, da música, das artes plásticas e agora, para A Serpente,  também da yôga e da circense corda bamba .

Fica, então, a critério de cada um do meio teatral aliviar essa constrangedora situação, alimentada, talvez, pela serpente do ciúme para com os  eleitos das musas.

A Serpente causa taquicardia e vertigens Leia mais »

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22/03/2011 - 22:41

“Luis Antonio – Gabriela”: um espetáculo provocador e impactante

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Maurício Mellone, colunista colaborador do Aplauso Brasil

Maurício Mellone, para o site 

Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil(aplausobrasil@aplausobrasil.com)

A Cia. Mungunzá de Teatro conta a saga de um garoto que, depois de sofrer violência dentro de casa, parte para a rua e depois viaja para a Espanha, já como a travesti Gabriela

Impossível sair incólume depois de assistir Luis Antonio – Gabriela. A peça é impactante e a sensação geral da pequena plateia de 80 pessoas é a mesma: todos saem como se tivessem levado um soco na boca do estômago. A própria Cia. Mungunzá de Teatro define o espetáculo — em cartaz no Espaço Cênico Ademar Guerra, do Centro Cultural São Paulo — como um documentário cênico, já que se trata da família do diretor, Nelson Baskerville.

Num relado cru e sem subterfúgio, a peça relata a saga do garoto Luis Antonio, nascido em Santos/ SP, em 1953, primogênito de uma família de seis filhos que, com o segundo casamento do pai, ganhou mais três “irmãs”, filhas da madrasta.

Em plena ditadura militar brasileira, o garoto que desde pequeno não escondia sua homossexualidade, era espancado pelo pai, com o intuito de que fosse “curado”.

Obviamente logo ele ganhou a rua e o pulo para a marginalidade foi sua única saída. Com aplicações de silicone, Luis Antonio foi se travestindo e, já como Gabriela, parte para Bilbao/Espanha, onde chega a ser estrela das boates. Viciada em drogas e vítima de Aids, Gabriela morre em 2006, aos 53 anos.

No entanto, não imagine que esse traço linear da sinopse é o que se vê no palco.

Com extrema criatividade, a Cia. Mungunzá relata a vida de Luis Antonio/ Gabriela como um jogo de quebra-cabeça: usando de vídeos (inclusive com cenas ao vivo), telas do artista plástico Thiago Hattner e elementos cênicos pendurados em toda a extensão do espaço cênico, a história é contada num vai e vem eletrizante e, ao mesmo tempo, muito envolvente.
A Cia. Mungunzá de Teatro, criada em São Paulo em 2006 por atores recém-formados, contatou o ator e diretor Nelson Baskerville para que juntos desenvolvessem pesquisa de teatro pós-dramático. O sucesso Por que a criança cozinha na polenta, de 2008, é fruto dessa parceria.

Já com Luis Antonio – Gabriela essa união está mais madura: o argumento da peça é de Nelson e a atriz Verônica Gentilin é a responsável pela intervenção dramatúrgica. Marcos Felipe, que vive o personagem central, é parceiro do diretor na composição do cenário e iluminação, além de dividir a produção executiva com a atriz Sandra Modesto. Os atores aprenderam a tocar instrumentos para a execução da trilha composta por Gustavo Sarzi. 
Dessa forma, o público tem a nítida impressão de que a peça é realmente uma produção grupal, graças à união e envolvimento visceral de toda a equipe no projeto.

Sem qualquer tipo de apelação ou tom melodramático, a triste, violenta e angustiante saga de Leia mais »

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16/03/2011 - 19:38

Nelson Baskerville dirige peça sobre seu irmão que partiu para a Espanha com o nome Gabriela

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Redação do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Assista "Luís Antonio - Gabriela" de graça até 23 de abril

O diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luís Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960 e parte para a Espanha sob o nome de Gabriela.

A partir de hoje, no Espaço Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo (CCSP), o documentário cênico Luís Antonio – Gabriela, com a Cia. Mungunzá de Teatro abre as portas para uma breve temporada gratuita. A trama tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luís Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos trabalhar sob o nome Gabriela.

Baseada em história do irmão de Nelson


O espetáculo foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de Doracy, sua madrasta, de Serginho, cabelereiro em Santos e amigo de Luís Antonio.

Luís Antonio – Gabriela narra sua história até o ano de 2006, data de sua morte em Bilbao onde vivera até então como Gabriela.

“Em 2002, recebi uma ligação de minha segunda mãe, Doracy – segunda mãe porque minha primeira faleceu após o meu parto, fazendo meu pai, Paschoal, viúvo com seis filhos, casar com a Dona Doracy, viúva com 3 filhos, quando eu tinha 2 anos – ela me ligou pra dizer que Luís Antonio havia morrido na Espanha. Luís Antonio, pra mim, era aquele irmão, 8 anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós, os ‘irmãos da bicha’, ‘a família do pederasta’  e outros nomes. Sou obrigado a confessar que a notícia da morte dele não me abalou nem um pouco. Leia mais »

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12/11/2010 - 22:14

Nova casa para espetáculo imperdível

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Nelson Baskerville e Cristina Cavalcanti em "Blackbird"

Um dos espetáculos mais interessantes da temporada teatral desse ano é, sem reservas ufanistas, “Blackbird”, do escocês, inédito no Brasil, David Harrower. A peça que estreou, deixando impressa sua marca, no Espaço dos Parlapatões, fica em cartaz até dezembro no Viga Espaço Cênico, sextas e sábados às 21h e domingos, 19h.

Um ritmo pulsante que faz perder o fôlego é o desenho impresso pela destra direção de Alexandre, preocupado mais com o jogo entre os atores nessa coreografia, claustrofóbica e pungente, envolta no árido espaço hiperrealista. Leia mais »

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10/10/2010 - 04:04

Boca de Ouro encerra a trilogia com chave de ouro

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Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Grupo Gattu encena sua terceira peça de Nelson Rodrigues

Boca de Ouro encerra uma trilogia de Nelson Rodrigues, iniciada há cerca de dois anos, pelo Grupo Gattu, que vem apresentando esses espetáculos no Teatro Gil Vicente, nos Campos Elísios. A despeito da localização no prédio da Uniban, não é uma montagem escolar, mas profissional. Sua diretora, Eloísa Vitz foi membro do grupo TAPA.

Boca de Ouro é, a meu ver, uma das melhores peças do grande dramaturgo brasileiro. Teve montagem não muito feliz assinada por Ze Celso e, agora, está imperdível. A peça focaliza um bicheiro safado e mandante de um morro carioca que resolve trocar os dentes por dentes de ouro. Leia mais »

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24/09/2010 - 22:37

Espetáculo de autor escocês coloca espectador dentro da adrenalina explosiva das personagens

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville

Impossível desviar a atenção do flamejante jogo de atores que o espetáculo Blackbird, do autor escocês David Harrower, coloca no centro do palco do Espaço dos Parlapatões. As duas personagens, magistralmente interpretadas por Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville, tem potencia explosiva e, graças à vigorosa direção de Alexandre Tenório, dinâmica pulsante, capaz de se infiltrar no  espectador.

Não é possível revelar muito do enredo, pois é preciso preservar as incontáveis surpresas que Blackbird nos apresenta no curso de seu desenvolvimento.

À grosso modo, podemos dizer que o enredo da peça é o acerto de contas entre um casal que viveu um amor proibido no passado. Entretanto a trama fica bem distante dos clichês comuns das peças que se valem da discussão da relação de um casal.

Aberta a fenda purulenta do passado, o embate entre as personagens exige a entrega visceral em suas atuações. Com bisturi preciso, Alexandre Tenório conduziu os atores pela senda do hiperrealismo, caminho exigido pelo texto. Leia mais »

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18/09/2010 - 15:21

Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville apresentam autor escocês inédito no país

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Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville

Dirigida por Alexandre Tenório, Blackbird– cuja estreia será às 21h de hoje, no Espaço dos Parlapatões –, traz o autor escocês David  Harrower, com os atores Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville.

Numa sala abarrotada de lixo, usada como refeitório pelos funcionários de uma empresa, um homem e uma mulher se re-encontram. A última vez que se viram foi há vinte anos, num quarto de hotel. Desde então tentam se reerguer, em vão.

Blackbird trata de como as atitudes do passado afetam o presente de forma irreversível, e questiona tudo o que sabemos sobre amor, culpa e moral. Leia mais »

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04/05/2010 - 15:17

Ocidente ou oriente: Eis a questão

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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Pedofilia é um dos temas de POR QUE A CRIANÇA COZINHA NA POLENTA

Neste artigo, cujo objetivo é promover um diálogo com o leitor, a partir de algum tema provocativo oriundo das reflexões sobre algum espetáculo, convido você, leitor, a refletir comigo sobre a questão premente em dois espetáculos em cartaz, Por Que a Criança Cozinha na Polenta, dirigido por Nelson Baskerville, e O Rei e Eu, musical assinado por Jorge Takla: quais os méritos e deméritos das civilizações oriental e ocidental, de acordo com o enredo destes espetáculos?

O livro autobiográfico da romena Aglaja Veteranyi, Por Que a Criança Cozinha na Polenta, serve de base ao espetáculo homônimo, apresentado apenas às terças-feiras no Espaço dos Parlapatões, fala sobre uma família circense exilada no Ocidente, em busca de uma realidade diferente da miserável que assola o país de origem, em que impera o duro regime “stalinista” do ditador Ceaucescu. Leia mais »

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21/01/2010 - 15:30

Antunes virou dramaturgo

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Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil

Antunes Filho escreve musical em homenagem a Lamartine Babo

Antunes Filho escreve musical em homenagem a Lamartine Babo

Consagrado encenador brasileiro, Antunes Filho estreou na dramaturgia com a peça Lamartine e se saiu muito bem. Não foi pesquisar minuciosamente a vida de Lamartine Babo, grande compositor popular (1908/1963) de sucessos eternos como Eu Sonhei que Estavas Tão Linda, O Teu Cabelo Não Nega, Linda Morena, No Rancho Fundo, bem como hinos para campeões do futebol carioca como “uma vez flamengo, flamengo até morrer”. Compôs também para um time gaúcho entre outros. Mas é como sambista e mestre das marchinhas que está enfocado no ótimo texto curto.

Como não poderia deixar de ser, trata-se de um excelente musical com a maior parte do elenco se apresentando em coro e cantando lindamente sob direção de Fernanda Maia. E não é á toa, pois foi ela, juntamente com Zé Henrique da Paula, quem primeiro transformou Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, em teatro musicado.

É imperdível. Mesmo sem a direção de Antunes que confiou a tarefa a Emerson Danesi que deu bem conta do recado. Coisas do CPT (Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação) que tem formado bons profissionais.

Vale destacar que todos esses acertos se devem sem dúvidas à impecável interpretação do elenco que traz nos papéis centrais Sad Medeiros, Adriano Bolsch e especialmente Marcos de Andrade que faz um Silverinha (ou seria um Lamartine?) com perfeição. Leia mais »

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09/11/2009 - 14:03

Gritos (Decameron) e Sussurros (Valsa nº6 mais 48 outros)

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Afonso Gentl, especial para o Aplauso Brasil (afonsogentil@aplausobrasil.com)

<i>Valsa nº 5</i>, um, entre os 49, monólogos que estrearam em 2009

Valsa nº 5, um, entre os 49, monólogos que estrearam em 2009

 

O título desta matéria ficaria melhor com um 49 antes da palavra “sussurros”. Por sua vez, os gritos de Decameron (a recente estréia do Teatro Augusta) não são bergmanianos, porque a serviço de uma numerosa e alegre troupe carioca que, desde o saguão, comunga-se com o tagarela público

 

Vamos, então, ao nº 49 antes dos “sussurros” que, doravante, chamaremos com seu nome próprio: monólogo, gênero a que se agrega Valsa nº 6 e que explodiu literalmente em nossos palcos neste 2009, com  incríveis 49 estréias, até outubro, com a média de 5 por mês!

Por uma pesquisa que nos demos o trabalho de fazer, na revista da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), comemorativa dos 50 anos da respeitada entidade a que pertencemos, confirmamos aquilo que na prática teatral por nós exercida até 1990, como diretor e professor de interpretação, já havíamos identificado: monólogo, sempre foi e continuará sendo um terreno pantanoso, um campo minado para os “operários” do palco, por possibilitar o fantasma do fracasso, ao mesmo tempo que alimenta a vaidade natural de todo intérprete teatral.

 Diante do incrível e inesperado sucesso da atriz Berta Zemel, no monólogo A Vinda do Messias, de Timochenko Webbi, ambos premiados nas suas categorias pela APCA em 1970, a classe teatral ficou na expectativa de um “boom” do gênero (como acontece agora com a malfadada stand-up comedy – comédia em pé -) aguardando novos “atrevimentos” dos seus ícones em atividade. Mas, deu-se o contrário, só de quando em quando, num determinado ano, uma ou duas vezes por ano, o fenômeno acontecia. Assim, nestas ultimas décadas só expoentes do oficio lançaram-se sozinhos aos palcos: Antonio Fagundes (3 vezes, com o atual Restos), Marilia Pêra (2 vezes), Luis Melo , Cleyde Yáconis, Diogo Villela, Juca de Oliveira ( 2 vezes, contando com Happy End, deste ano), Zécarlos Machado (do TAPA), Claudia Mello, Regina Braga, Elias Andreato (especialista, com 3) e pouquíssimos outros navegaram nesse enfrentamento solitário. Isso até 2009…

Por obrigação de ofício, vimos 21 dos 49 solos estreados neste ano: Alberto Guzik, Juliana Galdino, Betty Faria, Marco Antonio Pâmio, Elias Andreatto, Rosaly Papadopol, Mika Lins,  a carioca Inez Viana, o curitibano Leandro Daniel Colombo, Norival Rizzo e, é lógico, Antonio Fagundes, mereceram as boas críticas que tiveram e o reconhecimento do público.

 Longe deste crítico interferir nas decisões dos produtores/atores, mas, realmente, monólogo não cai bem em recém-formado por curso teatral. E muito menos, nas mãos de principiantes. Os monólogos exigem, de quem os faz, muita tarimba na profissão, temperada com um certo sangue frio ao entrar no palco. E aquele indispensável respeito pelo público pagante. Leia mais »

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